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Terrível

  Fala coisas terríveis Com classe e elegância Sua ironia é fina Seu ar sereno engana O dedo aponta para o que quer Sempre sabe o que quer E toda crueldade Que só você tem Eu adoro, muito Já nem disfarço Entendo o seu olhar Seu jeito de dominar Bem mais que a situação Têm todos os defeitos Odeia em pensamentos Mas eu pouco ligo Vivo para ser o seu destino O alvo dos seus castigos Algumas vezes duvidou Achou que nunca encontraria Alguém que toparia Suas mais diferentes loucuras Suas vontades e manias Mas eu digo sim Fale todas suas ideias Que eu digo sim

Algoz

  O amor é devasso Um passo para o pecado Um retrato três por quatro Na palma da mão Mesmo que rodeado O prazer é solitário Loucura e tentação E quando uma lágrima cai No silêncio da escuridão O tempo derrete o juízo Enormes conflitos Deus e o sabor da sedução Sagrado ou profano Cada um com seus planos Outros sem nenhum O brilho do suor Eles, vós, nós Desejo do algoz Os segredos mais íntimos Em nome do pai Os sonhos dos filhos O erro está bem no meio do caminho

Instinto

  Meu instinto sempre foi animal Gosto da loucura Da beira do caos Peço paz fazendo guerra Grito pedindo silêncio Dou parabéns para quem erra Rabisco quadros Assino meu nome nas paredes Sou frio quando tem que ser quente Sou o ácido que mata a sede Vivo de braços abertos Esperando abraços Sou o Cristo Redentor Um Santo ao contrário Meu pecado não é nada original Nasci de um Para morrer no final Sou o mais maldito entre os poetas O torto em linha reta Meu instinto sempre foi animal

Clarice

  O livro preferido do poeta Página aberta Uma página qualquer Texto sobre o mundo (O gigante mundo) Palavras de uma mulher Cansada Pequena e constrangida Procurando liberdade Vida O tamanho que não tem Mas sabe onde quer chegar Pelo menos vai tentar Ir muito mais além E como diz Clarice No país do vice É preciso ser feliz Como diz Clarice Viver é resistir Conhecer o devido lugar Não é ser inferior É saber o tamanho do próximo passo O tamanho da dor "Minha condição É não temer minha condição"

Bilhetes

  Hoje os bilhetes São todos virtuais Não tem mais rabisco Letra feia Vide o verso, leia atrás Nada fica para recordação Papel amassado Recado dado Uma simples declaração De amor, de amor Poesias em um guardanapo Qualquer pedaço de papel Carta escondida em uma agenda Manuscritos de um artista Que hoje mora no céu Um palavrão na nota de vinte Um desenho com caneta Bic Uma carinha triste Na folha de um velho jornal Hoje os bilhetes são virtuais Nada é real, nada mais

Barulhos

  Meus barulhos na madrugada Até o meu silêncio fala Histórias mal contadas Letra por letra Palavras digitadas Sou uma máquina de escrever De pensar Também sobreviver Deixar para sempre Tudo que pensei um dia Tudo para quando eu morrer E quem diria Fui parar no museu Sou arte moderna Um viajante sem perna O que vai sem adeus Já amanheceu Poesia pronta Sigo fazendo conta Para chegar ao fim do mês Agora é hora de dormir Mais tarde começa outra vez

Quente

  Ando descalço Pelo asfalto quente Procurando um cidadão de bem Armado até os dentes Defendendo sua família Reclamando de política Pronto para matar alguém E ainda tem quem acredita Lado certo ou errado Esquerda e direita Só no trânsito Via de mão dupla Vida filha da puta Sou um descrente Nas pessoas Nos deuses e crentes Filósofos, religiosos Nos Santos doentes Desconfio de quem chora Quem ri por obrigação Quem diz que fica Quando todo mundo vai embora Meu pé está queimando No asfalto quente

Eterna

  Vou fazer uma canção Daquelas eternas Que todo mundo canta Por anos, por décadas Ousada e atrevida Para tocar na trilha Da sua novela favorita E você merece Isso e muito mais Vou falar de tudo Até de um tempo atrás Quando conheci seus olhos Seu cabelo diferente Seu ar de guerra sem paz E na hora do refrão Boas palavras Um certo exagero E alguma graça Mas o amor é assim Nem sempre é 100% Nem sempre é o fim Todo poeta tem fama de louco Eu sou só um pouco Converso com plantas Pessoas românticas E alguns animais

Cinderela

  Cinderela tropeçou Caiu no asfalto quente Quebrou o salto Ficou arrasada Quase três dias doente Mas Cinderela se recuperou Foi ao shopping e gastou O que tinha, o que não tinha Pagou tudo no cartão Depois chorou E até que um dia Cinderela encontrou um amor Idas e vindas Promessas e juras Tristeza e dor Não foi como imaginou Caiu nas mãos de um errado Comeu o pão do Diabo E só chorou Um dia o silêncio tomou conta Três facadas Sangue escorrendo na calçada O que sobrou Sonhos e uma sandália

Mundinho

  Mundo tão pequeno Do tamanho do meu quarto Paredes e retratos O som que vem lá de fora Que ocupa todo espaço Pulo janelas Caio no colo da sorte Do prazer tão forte Minha natureza Desejo que alimenta Minha alma Tranco a porta Desfaço o laço Separo os brinquedos Escondo os medos Pés descalços Um passado brilhante Ovelha negra Terrível amante Nas cores vivas Nas bocas malditas O tesão é insinuante

Descanso

  Trabalho para descansar Descanso para trabalhar Mais importante que o trabalho É o não trabalho É saber aproveitar Viver cada instante Sorrir em qualquer lugar E ganhar dinheiro Mas também ser feliz O equilíbrio perfeito Entre o experiente E o aprendiz Virar a página de um livro Sem pressa Ler o próximo capítulo Depois uma reza Agradecer por tudo Tudo em ritmo de festa Ganhar tempo Controlar bem o tempo Saber fazer o tempo O tempo da paz

Último Natal

  Você já pensou Pode ser o seu último Natal Ou o último de quem você ama Nossa vida é um drama Uma tragédia sem precedentes Viver e não saber Tudo sobre o amanhã É ter medo E não entender o motivo Mas é continuar Pois não existe outra maneira De correr esse perigo E o futuro Nem é tanto tempo assim Um jardim de dúvidas Músicas sem lógica Sem refrão e fim Beije, se despeça Diga até logo Pode não ter volta O último Natal A última história