Postagens

Qualquer Lembrança

  Uma canção de amor Que não fala de amor Mas que faz lembrar você Sou forte, mas não resisto Acho tudo tão lindo Tudo como tem que ser Até o som de um espirro Mexe tanto comigo Sabe como é Lembranças Essa dança Entre querer e poder Fique agora Com os meus piores momentos De desespero Brigando com o tempo Remoendo toda uma saudade Só vou dizer verdades Quem sofre não sabe mentir E nessa viagem A pior opção é fugir

Ilustres

  O céu é muito mais bonito Quando visto de perto O azul nem parece azul São os antigos mistérios Estrelas e nuvens Seus visitantes ilustres Vida que nasce Renasce depois do fim O que ninguém sabe É sempre assim Luz na escuridão Rezas Mãos para cima Chegadas e despedidas Oração Será que está tudo bem? Por aí sempre está bem O céu é muito mais bonito...

Cerveja e Fim

  Vamos dividir lembranças O último gole Nossa dignidade Vamos nos despedir Dos sonhos mais bonitos Os que não deram certo Que ficaram pelo caminho Vamos nos despedir Das noites de glória O que ficou na memória Alegrias, tristezas Mais algumas cervejas Boas histórias Vamos baixar portas Brindar pela última vez Chorar de tanto rir Rir para disfarçar o choro Foi lindo enquanto durou A gente bebeu o amor Paul na vitrola Antes de ir embora Só mais uma dose O último gole

Normal

  Converso com todas as coisas Com gente louca Mas eu sou normal Corro atrás dos carros Durmo no asfalto Mas juro que eu sou normal Comemoro bola na trave Beijo paredes Conto meus segredos Saio tarde para chegar cedo Ninguém tem dúvida Que sou normal Converso com vivos e mortos Mas nunca sei quem é quem Enxergo nuvens nos bichos Todo bicho feroz é neném Mato chinelos com baratas Nas horas tristes faço graça Discuto política Minha água é cachaça Tudo tão natural Eu sou normal

Sopro

  A vida é o sopro De um velho cansado Alguns tropeços E muitos engasgos A vida é um tempo perdido Dentro da eternidade Do início de tudo Até o infinito É o estranho silêncio Que chega logo após o grito Viver é todo dia escapar da morte Sentir que o fim é inevitável E que não adianta ser forte Um dia o colosso cai Vai de bico Até o nunca mais A vida é o sopro De um velho confuso Que toma remédio para memória Mas esqueceu da hora Perder quem a gente ama Não é uma derrota justa

Carros

  Tudo parado Trânsito pesado Paciência zero Dois ou três cigarros Olhando pela janela Xingando outros carros Sob o sol do meio-dia Todas cores Toda vida Presos em ruas E longas avenidas Nós dois Matando o tempo Morrendo por dentro Agora virou depois Vamos descer E correr na direção contrária Procurar o caminho de casa Deitados na cama Maços e cinzeiros Empresto o meu isqueiro Mas por favor, devolva-me

Depois da Chuva

  Porta aberta Que nunca fecha Vai e volta Erros e acertos Apuros e apertos Vida nova Mas amanhã Posso mudar de ideia Voltar ao que era E tudo bem O sol fica mais bonito Depois da chuva Todo o brilho que brilha Liberdade das cores O tempo é curto Outros sabores O pote de ouro É recompensa Um prêmio Liberdade assistida Vigiada A porta continua aberta E a janela quebrada

Pose

  Todo dia uma foto A mesma pose O mesmo sempre Tudo igual, tão igual Tão diferente Pés para cima Mãos na parede Seu sorriso Explodindo para o mundo Seu caminho Em meu caminho Nada mais profundo Tem o equilíbrio perfeito Constrói seu próprio tempo Os gostos, os sabores Perfume das suas flores Do seu lindo jardim Estou bem no centro Na mosca do seu alvo Seus movimentos Friamente calculados Os seus lindos retratos No álbum dos meus olhos

Latas e Dramas

Sigo chutando latas Não encontrando graça Em quase nada Tinha tudo para ser feliz Mas nem sempre é assim A gente até tenta sorrir Mas o corpo é sincero Não sabe mentir Entre acertos e erros Alguns traumas Muitos medos Como vai ser o amanhã? Será que vai ter amanhã? Quero apenas resistir Ou gostaria Sobreviver ao caos Mesmo sem alegria Tristeza dos olhos E do coração Sofrimento da alma Mesmo acompanhado Preso na solidão Tudo bem Nem sempre está tudo bem  

Ódio e Liberdade

  Lutei por liberdade Encontrei o ódio Ser livre incomoda tanto Em casa procurei apoio Acabei no pranto Nunca é fácil Não achei que seria Mas quero meu espaço Viver apenas minha vida Em paz Quem ameaça fere Quem fere machuca Quem machuca mata Quem mata não ama Existir não é direito É quase questão de sorte Sobreviver só para quem é forte Lutei por liberdade Sim, eu lutei Dei de cara com a morte

Escudo

Palavra que ataca Palavra que defende É flecha, é escudo Sedução Ternura rebelde Anjo torto Fogo e tentação Na gaveta dos bons versos Os mais espertos Papo legal (Reto) Dedo na ferida A gente chama de vida Fora do normal Língua sedutora Presa entre os dentes Solta para desafiar Líderes e Presidentes Os poderosos Os que não sabem amar Resistir é sobreviver Viver nas melhores mentes Ficar para sempre Na saudade desse povo doente

O Eu Te Amo de Jaime

  Hoje é tão fácil Dizer "eu te amo" Está na moda Todo mundo fala Dizer "eu te amo" Não requer prática Nem habilidade Apenas algumas doses Da boa e velha falsidade Só o poeta é sincero Esse fala sem medo Diz que ama Que não ama Conta tudo em uma canção Não guarda segredo Como um barco de papel Viajando pelo oceano Dando adeus É o fim do "eu te amo" Hoje é tão fácil Tão fácil Para qualquer otário