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No Passado

  Fotos antigas Ainda não tinha Paul Nem outro "Beatles" Seu cabelo era diferente Tinha raiva de quase tudo Odiava gostar de gente Fotos antigas Nem precisa tanto Lembro cada detalhe Os seus segredos Cada instante Desejos e medos Você ainda tomava Guaraná Enxergava bichos nas nuvens Era quase inocente Gostava de humor Mesmo sem humor Nas horas vagas cantava Nos dias quentes procurava um amor E hoje tudo mudou Mudou tudo Seguimos outros rumos

Janeiro de Reis

  Em janeiro Tudo de novo Um novo começo O ano inteiro A mesma idade O mesmo jeito Gosto de somar Os números das datas De trás para frente De frente para nunca mais Procuro coincidências Fatos reais Em janeiro Dia de Reis Todos os Reis E quem viver Verão Quem sobreviver Verão Silêncio Vai começar o filme Bang Bang, faroeste Sou diferente de tudo Sou do velho oeste

Declaração

  Vou fazer uma declaração Logo pela manhã Para você não resistir Pedir abraços E sempre dizer sim Vou chorar de rir Junto com você Vamos nos divertir Para amanhã morrer De amor Muito amor Vou fazer canções Para você cantar Nas horas erradas Assoviar melodias Em noites quentes Com cabeça fria Vamos fumar Cheirar fumaça Vamos deixar barato Continuar achando graça De tudo, quase tudo

Depois do Fim

  Vamos ser esquecidos Por poucos, por muitos Um dia por todos Alguém vai chorar Mas lágrimas secam O tempo se encarrega De apagar Pessoas vão viver Continuar vivas Vão seguir suas vidas Quem morreu, morreu Nas memórias, nas lembranças Sem despedidas O rosto vai desaparecer Junto com o nome Frases desfeitas Nas cabeças dos homens Nas noites sem estrelas Nem o sobrenome Não vai sobrar nem poeira Nada, nada, nada Simplesmente nada

Manoel Carlos

  Pelo Leblon Vida de novela À beira mar Pés na areia Dentro da tela Trilha sonora Uma só nota Amores e laços Lindos retratos Bossa Nova Helenas, Anitas Vilãs, heroínas Janelas da alma Cara de artista Por amor Pela dor Outro capítulo Fim que chegou Hoje é trama Amanhã um drama Tudo que sonhou

Coleira

  Diz que é moderno Mas parece um troglodita Retrógrado do passado O que fica de lado Reclamando de tudo Tudo Questiona o amor Acha que é superior Ideias ultrapassadas Pensamentos de um ditador Coitado Todo super sincero É um pé no saco Pobre homem das cavernas Um animal, uma fera Uma besta Simplesmente uma besta Cospe palavras, vomita tristezas O tal moderno É um idiota Que escapou da coleira

Mochila

  Siga por novos caminhos Faça novas trilhas Carregue menos peso na mochila Fui perdendo coisas Ao longo da estrada Mas não olhei para trás Nada fez falta Nada faz Subidas, descidas Curvas, buracos Os piores obstáculos Passei por todos De um jeito ou de outro Eu consegui Cheguei até aqui Acumule menos Guarde mais no coração Simplesmente viva Persista Siga em qualquer direção Para ser feliz Não existe apostila Não precisa de prática Apenas, simplesmente apenas Carregue menos peso na mochila

Bem?

  Está tudo bem Não parece Mas estou bem Estou até sorrindo Seguindo meu caminho Vou indo Em silêncio Olhando o infinito Pensando na vida Mas estou bem Eu juro Quase juro Nem tudo é Como a gente quer Nem tudo está Como deveria estar Mas a gente se engana Esconde a verdade Feito crime sem culpado Vaso sem planta Sou obra de arte Ninguém entende Nem mesmo eu Tem hora que esqueço Em muitas outras quero esquecer Realmente não estou bem Não

O Céu

  O mundo vai acabar Muito em breve E preciso salvar minha pele Preciso de uma solução Tenho que fugir Ir para bem longe daqui Contagem regressiva É o começo do fim Sigo procurando uma saída Sigo sem saída O céu vai cair O ar vai faltar Sem água, sem lágrima Sem chão para pisar Últimos instantes Tudo fora do lugar O único humano Em outro planeta O último romântico Numa noite preta Um grito na imensidão O som das trombetas Meu mundo acabou...

Lá Fora

  Cortina fechada Mas o mundo continua vivo Algumas vezes colorido E difícil Por isso fico aqui trancado Meu refúgio, meu quarto Escuto gritos, bombas Mas também pessoas felizes Cachorros latindo O dia está lindo Ainda sim Prefiro ficar dormindo E enquanto o sono não vem Minha novela preferida Uma Coca-Cola Porção de batatas fritas Porta bem fechada Duas voltas, sem volta Nada de ir lá fora Aqui dentro é mais seguro Protegido pelos muros Não tenho medo Mas sou fã do sossego

Sem All Star

  O bairro já não é mais o mesmo Agora tudo é silêncio Nem parece o de outros tempos Outros carnavais Seria estranho não sentir saudade E está estranho demais O espelho do elevador Sem o seu reflexo Apaga todo o brilho Triste como um velho amigo O pai esperando seu filho Subo e desço Passo por todos os andares Não paro em nenhum Agora sei o seu endereço Agora tenho tempo Mas o que adianta Não podemos conversar Sinto falta da sua voz rouca Falta do seu All Star Uso suas gírias em minhas orações Pensei em você Quando escrevi novas canções

Gole

  Entre um gole e outro O poeta escreve Vira o jogo Brinda os amigos Finge que não é louco O poeta olha o mundo Com outros olhos Com seus óculos escuros Não teme o perigo É o perigo Com seus pensamentos Os seus escritos E pela boca do poeta Outras bocas Línguas malditas Frases quase feitas Desfeitas Amores de esquina Todos seus pecados São perdoados Poeta não é Santo Mas é venerado Por pobres mortais Por seres amaldiçoados Entre um gole e outro...