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O X

  Só você sabe Resolver o X da questão Só você sabe Pisar sem dó Machucar corações Pago dez para não correr perigo Mas para morrer em seus braços Pago milhões Prepare o que eu mais gosto Já estou aqui Cheio de fome e sede Meio azul, meio verde Adoro o gosto de gente Tudo que vem de você Fique na sombra Eu gosto do escuro Mate meu corpo várias vezes Acabe com meu futuro Corrija meus erros Castigue todos meus medos Toda sua força Dentro de um olhar E seu olhar dentro de mim

Paredes

  Todos os retratos Salas e quartos Nas melhores paredes Segredos escancarados Contados em noites quentes Meu cabelo está diferente Bem diferente Mudei bastante Hoje até pareço gente Meu vício agora é viver Vivo para sempre Fotografia tem cheiro Tem dor, tem alma Têm palavras ditas Frases escritas Os piores traumas Faça uma pose Eu vou dar um close Em você, você Diga xis, diga sim Minta para ser feliz

Viver

  Só tenho um objetivo Dormir e acordar Sorrir pela manhã Logo que o sol chegar Não tenho motivo para ser feliz Mas simplesmente sou Vivo para sobreviver Tenho cada vez menos tempo Sou uma bomba relógio O corpo virando do avesso E toda dor que carrego Ameniza, mas não passa O fim do sofrimento Não existe É tudo uma farsa Cabeça no travesseiro Rolando pela cama Procurando sonhos, sono Apenas acordar Abrir os olhos e estar... Vivo

Encontro

  É você!? Falam tanto de você Já ouvi de tudo Maioria fala bem Mas tem quem não gosta Quem aposta Que você nem existe Demorou, Mas agora que cheguei Não vou sair daqui Vou ficar ao seu lado Quero saber cada detalhe Sem pressa vou ouvir Todas verdades Suas verdades Quero saber os segredos Entender o que eu nunca entendi Agora estou aqui Nas nuvens, no céu azul Um bom lugar O melhor lugar para morar Ainda sem acreditar É você!?

No Passado

  Fotos antigas Ainda não tinha Paul Nem outro "Beatles" Seu cabelo era diferente Tinha raiva de quase tudo Odiava gostar de gente Fotos antigas Nem precisa tanto Lembro cada detalhe Os seus segredos Cada instante Desejos e medos Você ainda tomava Guaraná Enxergava bichos nas nuvens Era quase inocente Gostava de humor Mesmo sem humor Nas horas vagas cantava Nos dias quentes procurava um amor E hoje tudo mudou Mudou tudo Seguimos outros rumos

Janeiro de Reis

  Em janeiro Tudo de novo Um novo começo O ano inteiro A mesma idade O mesmo jeito Gosto de somar Os números das datas De trás para frente De frente para nunca mais Procuro coincidências Fatos reais Em janeiro Dia de Reis Todos os Reis E quem viver Verão Quem sobreviver Verão Silêncio Vai começar o filme Bang Bang, faroeste Sou diferente de tudo Sou do velho oeste

Declaração

  Vou fazer uma declaração Logo pela manhã Para você não resistir Pedir abraços E sempre dizer sim Vou chorar de rir Junto com você Vamos nos divertir Para amanhã morrer De amor Muito amor Vou fazer canções Para você cantar Nas horas erradas Assoviar melodias Em noites quentes Com cabeça fria Vamos fumar Cheirar fumaça Vamos deixar barato Continuar achando graça De tudo, quase tudo

Depois do Fim

  Vamos ser esquecidos Por poucos, por muitos Um dia por todos Alguém vai chorar Mas lágrimas secam O tempo se encarrega De apagar Pessoas vão viver Continuar vivas Vão seguir suas vidas Quem morreu, morreu Nas memórias, nas lembranças Sem despedidas O rosto vai desaparecer Junto com o nome Frases desfeitas Nas cabeças dos homens Nas noites sem estrelas Nem o sobrenome Não vai sobrar nem poeira Nada, nada, nada Simplesmente nada

Manoel Carlos

  Pelo Leblon Vida de novela À beira mar Pés na areia Dentro da tela Trilha sonora Uma só nota Amores e laços Lindos retratos Bossa Nova Helenas, Anitas Vilãs, heroínas Janelas da alma Cara de artista Por amor Pela dor Outro capítulo Fim que chegou Hoje é trama Amanhã um drama Tudo que sonhou

Coleira

  Diz que é moderno Mas parece um troglodita Retrógrado do passado O que fica de lado Reclamando de tudo Tudo Questiona o amor Acha que é superior Ideias ultrapassadas Pensamentos de um ditador Coitado Todo super sincero É um pé no saco Pobre homem das cavernas Um animal, uma fera Uma besta Simplesmente uma besta Cospe palavras, vomita tristezas O tal moderno É um idiota Que escapou da coleira

Mochila

  Siga por novos caminhos Faça novas trilhas Carregue menos peso na mochila Fui perdendo coisas Ao longo da estrada Mas não olhei para trás Nada fez falta Nada faz Subidas, descidas Curvas, buracos Os piores obstáculos Passei por todos De um jeito ou de outro Eu consegui Cheguei até aqui Acumule menos Guarde mais no coração Simplesmente viva Persista Siga em qualquer direção Para ser feliz Não existe apostila Não precisa de prática Apenas, simplesmente apenas Carregue menos peso na mochila

Bem?

  Está tudo bem Não parece Mas estou bem Estou até sorrindo Seguindo meu caminho Vou indo Em silêncio Olhando o infinito Pensando na vida Mas estou bem Eu juro Quase juro Nem tudo é Como a gente quer Nem tudo está Como deveria estar Mas a gente se engana Esconde a verdade Feito crime sem culpado Vaso sem planta Sou obra de arte Ninguém entende Nem mesmo eu Tem hora que esqueço Em muitas outras quero esquecer Realmente não estou bem Não