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Coleira

  Diz que é moderno Mas parece um troglodita Retrógrado do passado O que fica de lado Reclamando de tudo Tudo Questiona o amor Acha que é superior Ideias ultrapassadas Pensamentos de um ditador Coitado Todo super sincero É um pé no saco Pobre homem das cavernas Um animal, uma fera Uma besta Simplesmente uma besta Cospe palavras, vomita tristezas O tal moderno É um idiota Que escapou da coleira

Mochila

  Siga por novos caminhos Faça novas trilhas Carregue menos peso na mochila Fui perdendo coisas Ao longo da estrada Mas não olhei para trás Nada fez falta Nada faz Subidas, descidas Curvas, buracos Os piores obstáculos Passei por todos De um jeito ou de outro Eu consegui Cheguei até aqui Acumule menos Guarde mais no coração Simplesmente viva Persista Siga em qualquer direção Para ser feliz Não existe apostila Não precisa de prática Apenas, simplesmente apenas Carregue menos peso na mochila

Bem?

  Está tudo bem Não parece Mas estou bem Estou até sorrindo Seguindo meu caminho Vou indo Em silêncio Olhando o infinito Pensando na vida Mas estou bem Eu juro Quase juro Nem tudo é Como a gente quer Nem tudo está Como deveria estar Mas a gente se engana Esconde a verdade Feito crime sem culpado Vaso sem planta Sou obra de arte Ninguém entende Nem mesmo eu Tem hora que esqueço Em muitas outras quero esquecer Realmente não estou bem Não

O Céu

  O mundo vai acabar Muito em breve E preciso salvar minha pele Preciso de uma solução Tenho que fugir Ir para bem longe daqui Contagem regressiva É o começo do fim Sigo procurando uma saída Sigo sem saída O céu vai cair O ar vai faltar Sem água, sem lágrima Sem chão para pisar Últimos instantes Tudo fora do lugar O único humano Em outro planeta O último romântico Numa noite preta Um grito na imensidão O som das trombetas Meu mundo acabou...

Lá Fora

  Cortina fechada Mas o mundo continua vivo Algumas vezes colorido E difícil Por isso fico aqui trancado Meu refúgio, meu quarto Escuto gritos, bombas Mas também pessoas felizes Cachorros latindo O dia está lindo Ainda sim Prefiro ficar dormindo E enquanto o sono não vem Minha novela preferida Uma Coca-Cola Porção de batatas fritas Porta bem fechada Duas voltas, sem volta Nada de ir lá fora Aqui dentro é mais seguro Protegido pelos muros Não tenho medo Mas sou fã do sossego

Sem All Star

  O bairro já não é mais o mesmo Agora tudo é silêncio Nem parece o de outros tempos Outros carnavais Seria estranho não sentir saudade E está estranho demais O espelho do elevador Sem o seu reflexo Apaga todo o brilho Triste como um velho amigo O pai esperando seu filho Subo e desço Passo por todos os andares Não paro em nenhum Agora sei o seu endereço Agora tenho tempo Mas o que adianta Não podemos conversar Sinto falta da sua voz rouca Falta do seu All Star Uso suas gírias em minhas orações Pensei em você Quando escrevi novas canções

Gole

  Entre um gole e outro O poeta escreve Vira o jogo Brinda os amigos Finge que não é louco O poeta olha o mundo Com outros olhos Com seus óculos escuros Não teme o perigo É o perigo Com seus pensamentos Os seus escritos E pela boca do poeta Outras bocas Línguas malditas Frases quase feitas Desfeitas Amores de esquina Todos seus pecados São perdoados Poeta não é Santo Mas é venerado Por pobres mortais Por seres amaldiçoados Entre um gole e outro...

Terrível

  Fala coisas terríveis Com classe e elegância Sua ironia é fina Seu ar sereno engana O dedo aponta para o que quer Sempre sabe o que quer E toda crueldade Que só você tem Eu adoro, muito Já nem disfarço Entendo o seu olhar Seu jeito de dominar Bem mais que a situação Têm todos os defeitos Odeia em pensamentos Mas eu pouco ligo Vivo para ser o seu destino O alvo dos seus castigos Algumas vezes duvidou Achou que nunca encontraria Alguém que toparia Suas mais diferentes loucuras Suas vontades e manias Mas eu digo sim Fale todas suas ideias Que eu digo sim

Algoz

  O amor é devasso Um passo para o pecado Um retrato três por quatro Na palma da mão Mesmo que rodeado O prazer é solitário Loucura e tentação E quando uma lágrima cai No silêncio da escuridão O tempo derrete o juízo Enormes conflitos Deus e o sabor da sedução Sagrado ou profano Cada um com seus planos Outros sem nenhum O brilho do suor Eles, vós, nós Desejo do algoz Os segredos mais íntimos Em nome do pai Os sonhos dos filhos O erro está bem no meio do caminho

Instinto

  Meu instinto sempre foi animal Gosto da loucura Da beira do caos Peço paz fazendo guerra Grito pedindo silêncio Dou parabéns para quem erra Rabisco quadros Assino meu nome nas paredes Sou frio quando tem que ser quente Sou o ácido que mata a sede Vivo de braços abertos Esperando abraços Sou o Cristo Redentor Um Santo ao contrário Meu pecado não é nada original Nasci de um Para morrer no final Sou o mais maldito entre os poetas O torto em linha reta Meu instinto sempre foi animal

Clarice

  O livro preferido do poeta Página aberta Uma página qualquer Texto sobre o mundo (O gigante mundo) Palavras de uma mulher Cansada Pequena e constrangida Procurando liberdade Vida O tamanho que não tem Mas sabe onde quer chegar Pelo menos vai tentar Ir muito mais além E como diz Clarice No país do vice É preciso ser feliz Como diz Clarice Viver é resistir Conhecer o devido lugar Não é ser inferior É saber o tamanho do próximo passo O tamanho da dor "Minha condição É não temer minha condição"

Bilhetes

  Hoje os bilhetes São todos virtuais Não tem mais rabisco Letra feia Vide o verso, leia atrás Nada fica para recordação Papel amassado Recado dado Uma simples declaração De amor, de amor Poesias em um guardanapo Qualquer pedaço de papel Carta escondida em uma agenda Manuscritos de um artista Que hoje mora no céu Um palavrão na nota de vinte Um desenho com caneta Bic Uma carinha triste Na folha de um velho jornal Hoje os bilhetes são virtuais Nada é real, nada mais