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Pela Casa

  Pela porta de vidro Vejo meu mundo Vejo meu filho Seus brinquedos espalhados Seu tempo guardado O mais lindo sorriso Paredes amarelas A cor do seu cabelo Subindo escadas Toda velocidade Desafiando o medo Seus riscos e rabiscos Desenhos bonitos No uniforme da escola Nome e sobrenome É hora de ir embora Pela porta de vidro Correndo pela casa Em um canto da sala Sua gargalhada Enrolado na cortina Fazendo bagunça Fazendo vida

Rosas

  Roubei rosas do seu jardim Flores para usar no fim Corri pelo corredor de sua casa Dei um oi e fiz minha graça Eu juro que fui feliz Você olhando e não enxergando Ainda estou por aqui Seu tempero cozinhando Não chore pois estou chorando Com você fui muito mais feliz Em noites escuras Siga meu rastro de luz Vou acompanhar Por onde você andar Becos, vielas e ruas O nosso caso de amor Na tela da televisão Uma cena de novela Filme cheio de paixão Roubei rosas do seu jardim

Sozinho

  Mesa para dois Minha solidão e eu Um só coração Que bate, apanha E quase morreu Um cinema Um bom vinho O prazer sozinho Carreira solo Sou um monólogo O mais distinto Faço declarações de amor Em silêncio A qualquer hora Qualquer tempo Solitário cidadão Feliz mesmo na mão Um brinde para ninguém Para quem está bem Quem não tem perdão

Solidão

  Mesa para dois Minha solidão e eu Um só coração Que bate, apanha E quase morreu Um cinema Um bom vinho O prazer sozinho Carreira solo Sou um monólogo O mais distinto Faço declarações de amor Em silêncio A qualquer hora Qualquer tempo Solitário cidadão Feliz mesmo na mão Um brinde para ninguém Para quem está bem Quem não tem perdão

Sonhos

  Mundo de despedidas Idas e vindas Inevitável Trem de portas abertas Estação saudade Quem fica, quem vai Até um dia Até nunca mais Sempre triste Quem vive, existe Vai partir, sumir Desaparecer diante dos olhos Renascer no coração Lei da vida, regra Não tem segunda chance Sem perdão Tudo bem Daqui um segundo não Data marcada Desconhecida Mais chegadas e partidas O fim dobrando esquinas Sorte que ainda posso sonhar

Café

  Relógio de corda Ajustado É hora do café Que eu mesmo faço Água fervendo Todo o cuidado Um papo no jardim E no terraço Piloto automático Desligo tudo Tomadas Telas no escuro Já é noite Vejo girafas Hienas Minha casa Minhas besteiras Enfeites na geladeira Enxergo beleza Na organização Meu ritual Minhas vitaminas Mais uma dose De paz e adrenalina

Última Vez

  Era última vez E eu nem percebi Hoje sei o que perdi O tempo passou E não volta mais O que era bom Ficou para trás Abraço, sorriso Um beijo Olhar de carinho Desejo Um dia acabou Chegou ao fim Colorido sem cor Preto e branco que apagou Enorme estrago Triste e amargo Pouca coisa sobrou Uma segunda chance Tudo como era antes Onde estão vocês?

Fruta

  Na geladeira Uma fruta saborosa Suculenta Sabor de pecado Gostosa O gosto doce O doce gosto do prazer Juntando desejos Fome com vontade de comer Comer sem medo Nenhum receio Até morrer Maçã mordida Molhada e macia Sopa quente Esquenta noites Esquenta vidas Nas melhores esquinas Na ponta da língua Que delícia Livro de receitas Kamasutra culinário Começa na cozinha Termina no quarto

100

  E falta muito pouco Para 2078 Para os meus cem anos Para fazer novos planos E pensar no futuro Conhecer pessoas Mais novas, mais velhas Curtir tudo na paz Na boa Lembrar o que passou Pensar no depois O que não acabou Vou ensinar o mundo Vou aprender mais um pouco Ainda sou novo Uma criança pensando longe O Rei de um povo Festa, trabalho Baladas, namoros Um ser tão raro Contagem regressiva Um pouco mais de vida Chegando 2078

Hoje Eu Sei

  Agora sei de tudo Qual era o melhor caminho O que deveria ser feito Hoje eu sei O preço que paguei O tempo que perdi Os erros que cometi Agora eu sei O mistério Nem era tão misterioso assim Estava na cara Só descobri depois do fim Nunca achei graça Saber o final do filme Antes do filme terminar Gosto das surpresas Grandes histórias Viver até acabar Acabou... Aqui desse lado É mais fácil Vejo e revejo Meu presente dentro do passado

Esquinas

  Línguas malditas Falando outras línguas Poliglotas do prazer Até o amanhecer Mesmo longe do sol Poesia sem rima Tesão em uma esquina Uma qualquer, qualquer uma O corpo exposto Sem gosto Que brilha na noite fria Noites frias Mão que esconde Apresenta o desejo Contradições Delírio sem beijo Na calçada da fama Vida de mentiras Procurando verdades Maçanetas sujas Camas desarrumadas O drama e a vontade

Janelas

  Quero você aqui Cantando todo dia Sua voz pela casa Sua alegria Quero você aqui Em minha orelha Falando besteiras Portas e janelas Sempre abertas Pode chegar, entrar Venha logo Faz tempo que partiu Foi... Sumiu... Bem diante dos meus olhos Um enorme vazio Fala Fale mais Saudade de acordar Ao som do seu som Saudade quando não existia paz