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Mentiroso

  Escrevo poesias Falo de amor E conto mentiras Tudo é lindo Mil maravilhas Tem até quem acredita Escolho boas palavras Algumas bonitas Sou um engano Sou um artista E quem ri por último Perdeu toda magia Vendedor de ilusões Vendedor de nada Destruindo corações Apagando pegadas O menestrel Rei das madrugadas Sou um terrível engano Um plano qualquer Levo na lábia Na flauta Anjos, Demônios Quem eu quiser

Vencedor

  Cheguei ao final Venci Guerra de ideias Guerra de nervos Último segundo Fim dos tempos Cheguei ao final Enfrentei gigantes Criei histórias Deixei histórias Fui ao limite Honras e glórias Livros na estante Espalhados pela sala Memórias Pelos os quatro cantos Minhas nobres palavras Nem melhor Nem pior Diferente O que fica para sempre Um vencedor

Camuflado

  Vejo os seus defeitos Seus medos Mas não aceito Sou o seu outro tempo Você em outro momento Sua força, sua dor Segredos escondidos Camuflados, protegidos A coruja e seus filhos No silêncio desse seu olhar Que tanto fala E aprendi escutar Mesmo longe Mesmo em outro lugar Distante Sigo olhando para o alto Sonhos e retratos Apenas obrigado Você não é todo mundo Não mesmo É minha mãe

Risco

  Viver é um risco De vida e de morte De continuar vivo Ou sumir sem sorte Viver É ter tempo Antes que o tempo acabe Que o mundo desabe Enfim Tapete vermelho Para disfarçar o desespero Coragem e medo Viver é saltar no escuro Caminhar em cima do muro Arriscar Salto alto na praia Areia movediça Planta carnívora Abrir os olhos pela manhã Viver é belo e complexo Difícil e sem nexo Poesia de Djavan O segredo da vida É fingir que realmente Existe um grande segredo

Sei

  Eu sei que você pensa Lembra de mim Quando toca nossa canção Quando toca no fim Eu sei que você sofre Tentando não sofrer Quando o medo invade E vira prazer Sou a faixa dois Do seu disco predileto A música chiclete Que não sai da sua cabeça Sou uma sentença O gelo que derrete Um velho careta Fã das suas tatuagens Ainda muito ansioso Esperando suas mensagens Sou tudo aquilo que você sabe Conhece muito bem Intenso em busca da verdade E sei que você pensa Pensa tanto em mim

Loucuras

  Vou mergulhar Em uma piscina vazia Vou pescar Ratos e utopias Vou cantar canções Tristes e sem rimas Vou ler um livro ao contrário Decorar o dicionário Procurar receitas na bíblia Vou guardar poeira no armário E depois morrer em vida O mundo cobra sorrisos Mas não nascemos para isso Queremos sempre mais Mas ficamos para trás Nem tudo são flores Também são lágrimas Os piores odores Nossas almas Nada é de graça O preço do sonho quando acaba

Imperfeitos

  Ninguém nasce perfeito Mas os piores defeitos Surgem ao longo da vida Logo na chegada Pureza que acaba Ambiente contaminado Logo de cara Mundo que estraga Pobres coitados Nada vai ser como antes Pois não existe antes Impurezas pelo ar O que era diamante Hoje virou lata Que não para de enferrujar Tudo está sujo Sujeira espalhada Ninguém nasce perfeito Ninguém nasce de graça Viver tem o seu preço

Traços

  Gosto do seu bom gosto Todas suas escolhas Música para dormir Prato para repartir Suas roupas loucas Eu gosto Estou aqui só esperando Seu olhar de comando Minha vez de ser o escolhido Com o seu jeito fino De ter toda razão Tudo que toca Continua sendo ouro Nada apaga seu bom gosto Sempre quer o melhor Sou o seu alvo E não tenha dó de mim Nem precisa perguntar Já respondo que sim Seus traços nos retratos Seu poder Tudo o que eu faço É esperar por você

Lá Fora

  Da minha janela Eu vejo o mundo Todo mundo Andando ao contrário Seus animais e seus carros O amor e o ódio Pessoas e seus espelhos Líderes e seus templos Chuva de dinheiro Sorrisos e festas Lágrimas e guerras Cupido e suas flechas Nada faz sentido Tudo acontece E eu vejo aqui da minha janela Quando quero paz Quando quero sossego Cortina fechada Até amanhã cedo O que os olhos não veem...

Cura

  É na praia que eu curo Meus problemas incuráveis Meus medos indomáveis É na praia que percebo O tamanho que ainda tenho Os meus passos Sempre tão pequenos Todo o poder do mar Sob o sol do meio-dia Ou na escuridão da madrugada O que não posso enxergar Abro os braços Abraço o desconhecido Tudo que vejo Irresistível infinito Um dia lindo Para nascer de novo É na praia que eu curo Toda dor O tempo que ainda tenho O tempo que restou Antes dos melhores momentos

Manias

  Essas suas manias De escrever no espelho Bilhetes com seu cheiro Faz tão bem Faz muito bem Essas suas manias... Seu jeito de dizer "eu te amo" Sua maneira de desejar bom ano São tão estranhas Mas eu também "te amo" "Te amo" E nunca é tarde Para suas vontades loucas Para poucas e boas Estou aqui Essas suas manias De ter bom gosto Beijar meu rosto De querer algo diferente Nunca está contente Quer sempre mais Que sorte! Eu tenho sorte!

Abril

  Existe vida Depois do azar e da sorte Depois de tanto apanhar E ficar mais forte Existe tempo para tudo Para viver, sobreviver Ou qualquer outro absurdo Existe brilho Mesmo na escuridão Na tristeza de uma lágrima Que desce pesada E explode no chão Dentro dos carros Madrugadas Estradas sem fim São tantas verdades Nas mentiras contadas O não que parece sim Tristeza para ser sentida Para sofrer na despedida O que você ainda não viu Agora é tarde, muito Acabou abril