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Rios

  Volto sempre para o mesmo lugar Para observar tudo de novo Descobrir, redescobrir O que ficou para trás O que deixei na boca do povo O cheiro da chuva Marcas pelo chão Ruas escuras E de novo, de novo Volto para o passado Onde revejo minha solidão O rio segue o seu caminho Com sua água renovada Pelas margens os meninos Sonhos e estradas Destinos O tempo é justo É o fruto Do desejo e perdição E quem beija, deixa Farelos em sua mão

Papo de Música

  Ouvi todo seu papo Sua conversa Suas palavras erradas Algumas certas Anotei tudo e fiz canção Um sucesso nacional Voz e violão Todo mundo tem uma história Coisas na memória Nas mãos de um poeta Letra, melodia Realidade e fantasia Verdades nada secretas Perdão algum exagero Algumas vezes erro no tempero Mas faço um bom molho Música de amor Música para agradar brasileiro Seu caso começou Terminou E ficou para sempre Nas melhores vozes Nas melhores mentes O canto do cantor O canto de tanta gente

Chuva no Varal

  Vai chover Roupas no varal Mamãe vai recolher Raios e trovões Céu escuro Todo dia um dia duro Algumas poucas emoções Vida e rotina Quarto, sala, cozinha No jardim suas plantas Toda esperança De tudo ser melhor Ama seus filhos Ama sua casa Adora suas panelas Não faz muita graça Do lar, do olhar Que fala mesmo sem palavras Do portão para dentro Sua sentença Vive o tempo Todo o tempo Dentro de sua residência Parece que vai chover Lá vem ela Fechando janelas

Dizer Não

  O sol ainda brilha Nas janelas do hotel Marina O mar observando sua beleza Aplaudindo com suas ondas A Rainha, sua realeza E no calor da areia Seu corpo, seu tudo O privilégio de tocar sua pele Desejo que ferve Mas, eu sei Eu juro que sei... Razão e emoção O que fala mais alto Ela não precisou dizer não Sinal vermelho Dor em meu peito Ela não precisou dizer não Quem sabe uma próxima vez Tudo que a gente não fez

Turista

  O que eu quero da vida É ser turista Sempre de passagem Hoje aqui Amanhã não se sabe O próximo destino É sem destino Mochila nas costas O famoso "vamos embora" Vou viajar pelo mundo Qualquer canto, sem rumo Apenas vou, vou Só com data de saída Sem muito adeus na partida Sobrevoando países Percorrendo mapas Somos feitos de chão De estradas O que quero da vida Ser turista Deixar pegadas

Obscuro

  Doces mentiras Verdades dolorosas Coisas da vida Mentes perigosas Viver é um duelo Entre tristezas e glórias Segredos suaves O que ninguém sabe O que faz bem Sobrevivendo ao caos Tudo natural Um bom refém Tempos modernos Eu tento, eu quero Nem todo dia dá certo Realmente é assim O sabor de ser complexo O lado obscuro O que tem atrás do muro Os sonhos bons São os sonhos reais Ou qualquer tanto faz

O Alimento

  Toque suave Beleza que arde Que desvia o olhar Quem não sonha o sonho De estar em outro lugar Onde nasce o alimento Brota, transborda Molha Mata sede, a fome Desejo enorme O gosto do amor Gestos de amor Filhos saudáveis Homens carentes Madrugadas O que nem todo mundo sente Vontade que não acaba Nunca vai acabar Veludo da pele Sabor que desce Pelo canto da boca Água na boca Transparece

Calendário

  O calendário e suas doze folhas Arrancadas sem dó Em alta velocidade Somos morangos velhos Vermelhos Bonitos, mas mofados O que o tempo não estraga? Já estragou Até o vento machuca Empurra Leva para perto do fim Que nem é tão longe Onde a gente se esconde Mas não adianta fugir Fingir que nada está acontecendo Os dias vão morrendo Matando por dentro São ruins O calendário...

Rachaduras

  Escondo rachaduras Pregando quadros na parede Disfarço todo o medo Com minha falsa valentia Sou da noite, sou da vida Engano apenas durante o dia Tenho liberdade Mas não aprendi ser livre Todo sorriso muito alegre No fundo é triste Hoje está tudo bem Amanhã realmente não existe Sou um artista sem palco Um porta-retrato guardado Uma gaveta revirada O relógio que parou Com a hora quebrada No espelho Um susto Todas minhas caras Meus mundos Quem sou eu?

Despedida

  Tenho medo Mas quero partir Sinto pena do mundo Sinto pena de mim O futuro foi riscado O tempo foi roubado É o cheiro do fim Nem todos vão ter piedade Nem todos vão lamentar Mas vou deixar lembranças Ninguém vai esquecer Que fui uma boa pessoa Antes de enlouquecer Ainda tenho ar Ainda consigo respirar Amanhã não sei Eu nunca sei Mas foi bom, muito Chegar até aqui Viver tudo que vivi Vou dar os últimos passos Na areia de uma praia deserta Numa tarde fria Minha solidão fazendo festa

Chinelo

  Logo cedo Ainda pela manhã Vou colocar meu chinelo E vou até você Relaxar meus pés Meus braços Minha mente Vou cuidar das suas plantas Plantar novas plantas Brotar sementes Quero morar em sua casa Vou lavar os seus pratos Seus carros Vou podar suas asas Um canto qualquer Em seu quintal Embaixo de uma árvore Mas tudo bem se não puder Vou embora em minha astronave Quero amizade com seus empregados Vamos fazer o supermercado Carregar suas compras Apaixonados

Disfarce

  Para ter poder Abriu mão da beleza Aceitou toda feiura Sua maior loucura Brigou com a natureza Não precisava tanto Não precisava não Vergonha do espelho Vergonha de tudo Por que de tanto medo? Deixe o mundo enxergar O brilho desse seu olhar Não faça segredo O sol é Rei A lua é Rainha Imponentes Ambos conhecem o lado bom da vida Sem máscaras, disfarces Expondo feridas Não perca sua essência Por nada, nada