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Latas e Dramas

Sigo chutando latas Não encontrando graça Em quase nada Tinha tudo para ser feliz Mas nem sempre é assim A gente até tenta sorrir Mas o corpo é sincero Não sabe mentir Entre acertos e erros Alguns traumas Muitos medos Como vai ser o amanhã? Será que vai ter amanhã? Quero apenas resistir Ou gostaria Sobreviver ao caos Mesmo sem alegria Tristeza dos olhos E do coração Sofrimento da alma Mesmo acompanhado Preso na solidão Tudo bem Nem sempre está tudo bem  

Ódio e Liberdade

  Lutei por liberdade Encontrei o ódio Ser livre incomoda tanto Em casa procurei apoio Acabei no pranto Nunca é fácil Não achei que seria Mas quero meu espaço Viver apenas minha vida Em paz Quem ameaça fere Quem fere machuca Quem machuca mata Quem mata não ama Existir não é direito É quase questão de sorte Sobreviver só para quem é forte Lutei por liberdade Sim, eu lutei Dei de cara com a morte

Escudo

Palavra que ataca Palavra que defende É flecha, é escudo Sedução Ternura rebelde Anjo torto Fogo e tentação Na gaveta dos bons versos Os mais espertos Papo legal (Reto) Dedo na ferida A gente chama de vida Fora do normal Língua sedutora Presa entre os dentes Solta para desafiar Líderes e Presidentes Os poderosos Os que não sabem amar Resistir é sobreviver Viver nas melhores mentes Ficar para sempre Na saudade desse povo doente

O Eu Te Amo de Jaime

  Hoje é tão fácil Dizer "eu te amo" Está na moda Todo mundo fala Dizer "eu te amo" Não requer prática Nem habilidade Apenas algumas doses Da boa e velha falsidade Só o poeta é sincero Esse fala sem medo Diz que ama Que não ama Conta tudo em uma canção Não guarda segredo Como um barco de papel Viajando pelo oceano Dando adeus É o fim do "eu te amo" Hoje é tão fácil Tão fácil Para qualquer otário

Espaço

  Na imensidão do infinito Todo lugar é destino Mas nada é melhor Que o nosso refúgio O nosso ninho Onde escolhi viver Onde escolhi estar Apenas para ser feliz Ou pelo menos tentar Eu tento Deitado no quintal Na janela do quarto Contemplando o céu Um recorte, um retrato Meu pequeno espaço Onde sou fiel E eu vou Vou e sempre volto Nada é melhor que voltar Nosso canto Onde o silêncio mora Onde resolvi ficar

Sujo e Lindo

  Estão descobrindo Que o amor é lindo E o prazer é sujo Estão percebendo Que não existe momento Uma boa loucura Aventuras No silêncio do olhar Os melhores desejos Em qualquer lugar Faltando espaço Sobrando esforço Céu da boca Noites longas O maior segredo do amor É não ter segredo É preciso ter tempo Dar um tempo Estão descobrindo Que o amor ainda é lindo

Jovem

  Eternamente jovem Somente para quem morre Quem tem essa sorte Ir cedo demais Toda beleza Em uma mesa Todos olhando do alto Bem perto Repleto de elogios Ontem estava tão bem Hoje também Nunca teve tanto talento Entre mortos e feridos Nenhum arranhão Não tinha inimigos Parece que está dormindo Viver muito É ter dor É sofrer Também é ser feliz Sobreviver Eternamente jovem Juventude eterna Para quem deixou de viver

Pela Casa

  Pela porta de vidro Vejo meu mundo Vejo meu filho Seus brinquedos espalhados Seu tempo guardado O mais lindo sorriso Paredes amarelas A cor do seu cabelo Subindo escadas Toda velocidade Desafiando o medo Seus riscos e rabiscos Desenhos bonitos No uniforme da escola Nome e sobrenome É hora de ir embora Pela porta de vidro Correndo pela casa Em um canto da sala Sua gargalhada Enrolado na cortina Fazendo bagunça Fazendo vida

Rosas

  Roubei rosas do seu jardim Flores para usar no fim Corri pelo corredor de sua casa Dei um oi e fiz minha graça Eu juro que fui feliz Você olhando e não enxergando Ainda estou por aqui Seu tempero cozinhando Não chore pois estou chorando Com você fui muito mais feliz Em noites escuras Siga meu rastro de luz Vou acompanhar Por onde você andar Becos, vielas e ruas O nosso caso de amor Na tela da televisão Uma cena de novela Filme cheio de paixão Roubei rosas do seu jardim

Sozinho

  Mesa para dois Minha solidão e eu Um só coração Que bate, apanha E quase morreu Um cinema Um bom vinho O prazer sozinho Carreira solo Sou um monólogo O mais distinto Faço declarações de amor Em silêncio A qualquer hora Qualquer tempo Solitário cidadão Feliz mesmo na mão Um brinde para ninguém Para quem está bem Quem não tem perdão

Solidão

  Mesa para dois Minha solidão e eu Um só coração Que bate, apanha E quase morreu Um cinema Um bom vinho O prazer sozinho Carreira solo Sou um monólogo O mais distinto Faço declarações de amor Em silêncio A qualquer hora Qualquer tempo Solitário cidadão Feliz mesmo na mão Um brinde para ninguém Para quem está bem Quem não tem perdão

Sonhos

  Mundo de despedidas Idas e vindas Inevitável Trem de portas abertas Estação saudade Quem fica, quem vai Até um dia Até nunca mais Sempre triste Quem vive, existe Vai partir, sumir Desaparecer diante dos olhos Renascer no coração Lei da vida, regra Não tem segunda chance Sem perdão Tudo bem Daqui um segundo não Data marcada Desconhecida Mais chegadas e partidas O fim dobrando esquinas Sorte que ainda posso sonhar