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Mostrando postagens de dezembro, 2025

Cinderela

  Cinderela tropeçou Caiu no asfalto quente Quebrou o salto Ficou arrasada Quase três dias doente Mas Cinderela se recuperou Foi ao shopping e gastou O que tinha, o que não tinha Pagou tudo no cartão Depois chorou E até que um dia Cinderela encontrou um amor Idas e vindas Promessas e juras Tristeza e dor Não foi como imaginou Caiu nas mãos de um errado Comeu o pão do Diabo E só chorou Um dia o silêncio tomou conta Três facadas Sangue escorrendo na calçada O que sobrou Sonhos e uma sandália

Mundinho

  Mundo tão pequeno Do tamanho do meu quarto Paredes e retratos O som que vem lá de fora Que ocupa todo espaço Pulo janelas Caio no colo da sorte Do prazer tão forte Minha natureza Desejo que alimenta Minha alma Tranco a porta Desfaço o laço Separo os brinquedos Escondo os medos Pés descalços Um passado brilhante Ovelha negra Terrível amante Nas cores vivas Nas bocas malditas O tesão é insinuante

Descanso

  Trabalho para descansar Descanso para trabalhar Mais importante que o trabalho É o não trabalho É saber aproveitar Viver cada instante Sorrir em qualquer lugar E ganhar dinheiro Mas também ser feliz O equilíbrio perfeito Entre o experiente E o aprendiz Virar a página de um livro Sem pressa Ler o próximo capítulo Depois uma reza Agradecer por tudo Tudo em ritmo de festa Ganhar tempo Controlar bem o tempo Saber fazer o tempo O tempo da paz

Último Natal

  Você já pensou Pode ser o seu último Natal Ou o último de quem você ama Nossa vida é um drama Uma tragédia sem precedentes Viver e não saber Tudo sobre o amanhã É ter medo E não entender o motivo Mas é continuar Pois não existe outra maneira De correr esse perigo E o futuro Nem é tanto tempo assim Um jardim de dúvidas Músicas sem lógica Sem refrão e fim Beije, se despeça Diga até logo Pode não ter volta O último Natal A última história

Novos Sonhos

  Faz tempo que a gente não olha Um no rosto do outro Faz tempo que a gente não ri Um da cara do outro Será que você está bem? Eu não estou Mas tudo bem Tudo bem Precisamos nos encontrar Pela última vez Só mais uma vez Precisamos nos perdoar Antes que seja tarde demais E quando eu partir Dessa para uma quase melhor Vou sempre voltar Em seus pensamentos Nos seus sonhos loucos Vários momentos O vento estranho Que balança cortinas Que arrepia Que seca lágrimas Sou eu, sou eu, sou eu

Chinelada

  Já é quase Natal E você discutindo chinelo Coisa de maluco De maluco velho Já é quase Natal Dia de tanta fé E você louco Reclamando do que eu uso no pé Uva passa no arroz Pavê ou "Pacomê" Fruta na maionese Chinelo para jogar ou vender Discussões importantes Antes de enlouquecer Inteligência virtual Burrice natural Não solta tiras Não fede e nem cheira Direita e esquerda Todo dia uma besteira Chinelo para bater na bunda Chinelo com prego Para uma dor mais profunda Direita ou esquerda Diga logo você Que lado está O saci-pererê?

De Próprio Punho

  Gosto dos riscos Dos rabiscos do seu corpo Das cores vivas Seu jeito louco Sua cara de verão Sabor de qualquer estação Desejo constante Toda fome, toda sede Tentação Seus passos arrastados Na areia escaldante O prazer como nunca antes No vai e vem Sua beleza impressionante Bastou um olhar Um único olhar Para apaixonar Não querer largar Ficar aos seus pés Faço rascunho Dos seus riscos De próprio punho

Ciclo

  E lá vou eu De novo para o mar Imaginar que estou bem Estou curado E lá vou eu Fingir que não sinto nada Adoro ser enganado O vento tão forte O corpo tão fraco E tudo que faço Sorrir Fechar os olhos e fugir O sal Já não tem o mesmo efeito O mesmo poder Mas ainda tempera o meu ser Enquanto existe tempo Eu tenho tempo Para todo dia renascer Em posição fetal Escuto o som dos sinos Os gritos da alma Um sonho de liberdade Está terminando, está chegado Fim de mais um ciclo

Cor

  Vermelho ou laranja? Espatódea ou outra planta? Guaraná ou Fanta? Cabeça de fogo ou tocha humana? Minha barba que era ruiva Agora é branca O mundo é cruel Foi feito para todos Mas nem todos vão para o céu E eu nem sou deste planeta Sou de Marte Só estou de passagem Esperando o som das trombetas Sangue nos olhos Calor da fogueira Rubra rosa Chão de terra Carne crua Corpo do avesso Timidez e medo Qual é a cor do sol?

O Tempo

  O bom do tempo É que ele passa Apaga Tudo de ruim O problema do tempo É que ele passa Arrasta Tudo fica perto do fim Parei de viver Faz um tempão Deixei meu sorriso Fui embora tão jovem No auge da beleza e da sedução Nem todo mundo tem minha sorte Nem todo mundo conhece a morte Fica sempre para depois O corpo vai derretendo É a força do tempo Deixei alguns poucos rastros Fui um relâmpago Tão rápido Um meteoro Uma luz no espaço

Engraçadinha

  Chorar na chuva É mais fácil Disfarça tudo Esconde os fatos E o pensamento Que tanto fala Grita por espaço Observo olhares Percebo os desejos Cada um tem sua história Todos têm os seus segredos Vontade que excita Tesão que ninguém explica Por baixo dos panos Outros quentes planos A próxima vítima Um crime sem culpados Caçadores cheirando sua caça Loucos incontroláveis Prazer que não acaba Engraçadinha fazendo graça Chorar na chuva Engana, disfarça

Contrário

  Vivo no sentido contrário Algumas vezes errado Mas prefiro correr o risco Não nasci para morrer no precipício O inimigo está por todos os lados E eu criando o meu próprio pecado Escuto gritos Mas mantenho distância O calor, o perigo Prazer de um filho Sensualidade de uma dança Bocas procurando beijos Ousados, apaixonados Quentes em segredo Nem todo mundo entende Nem todo mundo decifra o tempo Na hora do amor Ninguém é inocente O corpo sente Toda deslealdade De uma alma doente Continuo no sentido contrário...

Autobiografia

  Árvores que derrubei Filhos que não tive Livros que rasguei O que você não sabe O que talvez nem eu sei De mim Vou escrever uma autobiografia Vou contar detalhes O que eu ainda não esqueci Os mais sórdidos momentos Da minha nada mole vida Nem sei como sobrevivi Quantas armas apontei Para minha cabeça Os gatilhos que não puxei Mas acertei em cheio Em meus piores medos Vou citar minha morte Antes de morrer Sobre meus cabelos brancos Logo ao nascer Vou inventar histórias Um jogo da memória Vou realmente escrever

Dance Como Djavan

  Não tente entender O que você só pode sentir Deixe a emoção invadir Escute com o coração Dance como se não houvesse amanhã Dance como Djavan Pare de pedir tanta explicação Nem tudo tem sentido Mas tudo tem razão Cada palavra muito bem colocada Todo "se", um sim ou um não Largue o dicionário Ame os dinossauros Escreva livros para ler depois Não subestime um dia lindo Do nada tudo acaba Tudo é finito Shazam! Já diria Djavan Um amor puro Não sabe a força que tem Vou pensar no futuro Vou sonhar com alguém Não tente entender...

Melancólico

  Quem ainda acredita Na melancolia do amor? Na conjuntura dos astros Nas coincidências divinas Quem ainda acredita Na melancolia do amor? Certeza que não é por acaso Que rima tão bem com dor O que ninguém explica É que a vida fica bonita Mas também fica feia Sofrer é da nossa natureza O final feliz do filme Acaba na continuação No dois O almoço e a janta Sempre no mesmo prato O mesmo arroz E nas canções Em sua grande maioria Algumas muitas mentiras Algum desavisado não avisou Que um dia o amor acaba E quem outros você nem percebe que acabou Quem ainda acredita?

Papo Cabeça

  Nosso papo é cabeça É qualquer coisa É língua solta Nossa conversa é sentença Prisão perpétua Fogo na roupa Falamos de quase tudo De quase todo mundo Inventamos segredos Disfarçamos nossos medos Vamos jogar uma bomba No colo de quem tem culpa Quem perturba nosso juízo E depois vamos brincar Quem sabe fazer um filho A gente ri A gente brinda Com guaraná e outras bebidas E rimos mais Rimos da vida

Vinte e Dois

  No ano 2000 Eu tinha vinte e dois Muitos anos depois Eu tenho catorze Cresci e aprendi ser criança Aprendi sonhar Andar de bicicleta Escrever poesias, namorar No caderno Contas e erros Muita coragem E um pouco de medo Nessa idade é assim É assim mesmo O tempo passa E eu tão jovem Cada dia mais Cheio de saúde O dono de toda paz No ano 2000 Eu tinha vinte e dois Parece que foi ontem Acho mesmo que foi

Canção

  Vou fazer uma canção Para você dormir no meio Babar no travesseiro Vou fazer uma canção Para você ter pesadelo Acordar com o bolso cheio De nada, nada Vou fazer uma canção Cheia de rimas Uma obra prima Estranha, mas divertida E que não faça sentido algum Vou fazer uma canção Para mudar o rumo da conversa Confundir com uma reza Para agradecer de joelhos Ter vontade de amar Mesmo sem nenhum beijo Nem toda canção é de amor Mas todo amor merece uma canção Desprevenida, descabida Cheia de má intenção

Instante

  O planeta vai continuar girando sem você Toda espécie humana vai sobreviver Não tenha medo de ser esquecido Pois vai ser Ninguém é insubstituível E nem tão ilustre assim O mundo é feito de números Seu CPF acaba no fim Da sua quase inútil vida Relaxe e aproveite Tudo é rápido demais Tudo acaba em um instante Guarde sua energia Com o que realmente é importante Sua família Tenha saúde Não para dar e nem para vender Para apenas não morrer Mas se morrer O planeta vai continuar girando Mesmo sem você

Azul

  O dia começou estranho O céu não está azul Os falantes estão calados Vozes só em minha cabeça Nem frio, nem calor O alimento não tem gosto Tudo com cara de isopor Cenas em câmera lenta Cenas aceleradas Ruas tão longas Ruas tão largas E todo passo é curto Quando o caminho é uma estrada Sem fim Sinto cheiro de flores Gente chorando Nem doses, nem dores Presença de tantos Presença de muitos Seria este o maior absurdo? E quem explica A morte logo após a vida Quem explica Instantes de despedidas

Planeta

  Vamos salvar o planeta Já que o nosso amor Não tem salvação Não tem mais jeito Acabou com o tempo Esfarelou entre os dedos Escapou pelas mãos O céu é azul Com tons de cinza Mas ainda é azul Já o nosso amor Perdeu toda cor Perdeu o brilho, a luz Vamos salvar o planeta Ou vamos para outra dimensão Brigamos tanto Mais que esquerda e direita Mais que defensor de político ladrão Não enganamos mais ninguém Com nossas aparências Caras e bocas Nosso caso morreu faz tempo Muito pior que doença Vamos salvar o planeta...

Sorriso

  Sangue por toda casa Em meu corpo Em minha cara Sangue nas mãos De quem fala em amor Mas simplesmente mata Cortes profundos Na carne, na alma Uma faca, mil palavras Não foi assim que sonhei Não foi assim que imaginei Parecia tudo bem E realmente estava Quem explica essa sua raiva Esse seu ódio por nada Só pode ser cabeça fraca E o sorriso que um dia sorriu Meu mundo coloriu Mas foi tudo engano Você tinha outros planos Matar, por exemplo Não existe eterno Quando o Diabo Faz da vida um inferno

Rotineiro

Quantos objetos eu perdi e nunca mais encontrei? Quantas latas de leite Moça tomei? Quantas noites tristes chorei? Quantas frases eu pensei e não falei? Hoje escovei os dentes três vezes Nem percebi Simplesmente... fiz Hoje repeti palavras Tantas vezes que ficou até sem graça Amarrei o sapato e sorri Tão corriqueiro, tão natural No automático O que não precisa de explicação O que é banal Primeiro foi o sol Depois a lua E tudo se repetiu No balanço das horas, agora Sempre tem um fato novo Como um dia qualquer de abril

Bailarina

  Contei mentiras Para saber toda verdade Para jogar, esfregar Bem na sua cara Não sou maldoso Mas vai conhecer minha maldade Meu coração Está sofrendo demais Mais que os pés de uma bailarina Dentro de suas pequenas sapatilhas Procurando equilíbrio Na hora de um incrível giro Já tinha selecionado Algumas boas canções Minhas, suas, nossas E você jogou fora Com toda sua falta de noção E agora? Agora estou livre Sou livre Feito luz invadindo Tomando conta do escuro Uma janela sem cortina Desejo de futuro É melhor ficar só

Coisas Velhas

  Escuto sua voz Todo dia Aqui dentro de mim Você que nunca partiu Você que nunca sumiu Escuto sua voz Eu te amo Eu amo Chamo, clamo Olho para cima Mesmo com você ao meu lado Eu te amo Até de olhos fechados Vamos começar de novo Errar tudo de novo Fazendo coisas velhas Sua lembrança é uma flecha Que sempre me acerta Foi tão pouco tempo Alguns segundos Mas estamos juntos Até o fim do futuro

Diário de Cazuza

  Meu querido diário De capa dura De capa verde Cheio de frases feitas Palavras obscuras Meu querido diário Meu retrato das ruas Morrer não dói Eu fui e já voltei Agora sei de tudo Sei ligar os pontos Sei desafiar a lei Percebi que sou criança Inocente, boba Ainda na primeira encarnação Mostro a língua Tento algumas rimas Faço malcriação Sou um solitário Muito bem acompanhado Meus melhores amigos Estão fora dos carros Pintando quadros Fumando seus cigarros Meu querido diário...

Perfumes

  Sinto falta de cheirar Os melhores perfumes Sinto falta de mastigar Deliciosos chicletes Crises de ciúmes Sinais de alerta O amor é tenso É quase uma guerra Sinto que vou ficar Correndo atrás de você Atrás do efeito do seu olhar Para explicar o que mais dá prazer Espero os seus sinais Os meus já são conhecidos Antes presos em um grito Hoje em instintos animais Botões para serem desabotoados Arrancados Sem dó, sem piedade Sem tempo para arrependimentos Apenas o calor do momento Apenas sinto falta...

Disfarce

  O sorriso esconde tanta dor Disfarça Quase ninguém percebe O que está por trás Tudo que a gente guarda O jeito alegre engana Todo mundo ri Mas viver não é fácil Não está fácil Um verdadeiro drama Tranco janelas Escondo remédios Todo dia é fim de domingo É um tédio Tenho todos os sintomas De um ser na solidão Sozinho mesmo acompanhado Cheio de inimigos imaginários O sorriso esconde tanta dor

O Fim

  Tudo chega ao fim Tudo morre Tudo e todos Os geniais e os tolos Um dia acaba Triste e sem graça É assim Nasce, cresce e termina Cedo ou tarde Do nada ou com aviso Viver é um perigo Um risco que adoramos correr Está no calendário Sua data está reservada Sua melhor roupa Ou de alma pelada Momento único Como um filme romântico Último suspiro Olhos fechando Para onde vamos? Quem é que sabe Na verdade ninguém sabe Homenagens Poesias e orações Lindas canções Uma rosa com amor Lágrimas e qualquer outra flor

Sotaque

  Eu ataco seu ataque Com o meu sotaque E canto, canto, canto O orgulho de ser Tudo que sou Apenas sou... feliz De qualquer lugar Qualquer lugar do mundo Minha voz Eu tenho voz Que atravessa barreiras Fronteiras, oceanos Aqui também é o meu lugar O erro não está comigo Muito longe disso Lave bem o seu ouvido Para ouvir em alto E bom som O meu som Melhor fugir Vou invadir Seu corpo, sua alma Vou acabar com sua calma Eu ataco seu ataque Com o meu sotaque