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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

Viagem

  Aqui de cima Os carros são tão pequenos E mesmo tão alto O céu ainda está distante Estou no meio do caminho Entre o inferno e o paraíso Anjos, demônios Sozinho Viver é uma decisão difícil É preciso ficar atento Sonhos e perigos Os sinais são claros Escuro é o destino Somos todos filhos De uma enorme dúvida Alguns preferem voar Nem todos querem voltar Uma experiência única Os carros continuam nas ruas Mas eu já não enxergo mais Confundo estrelas com lágrimas Pessoas mortas são estátuas Não vou levar quase nada Desejos perdidos e mágoas

Mortos

  Escuto gente morta Cantando os seus maiores sucessos Som alto na vitrola Dias de glória Melodias na memória Vozes entrando em minha mente Tomando conta de tudo Som de gente Que já não está mais presente Que preferiu partir Danço uma dança fúnebre Subo ao céu Vou ao paraíso Viajo no tempo No espaço Sei bem o que preciso Que os vivos fiquem em silêncio Quero ouvir mais gente morta Quem está atrás da porta Quem já foi embora

Cercado

  Um dia não vai parar de chover O mundo vai cair O céu vai descer E vamos caminhar Sob o sol da meia-noite Vigiados pelos inimigos Ao som dos gritos Do perfume das flores Andando por pecados sinuosos Cercado Sempre tudo errado O vento atrapalhando O canto dos pássaros Sonho que vira pesadelo Desejos e medos Um brilho no horizonte Pode ser o tempo Que corre em constante movimento Um dia não vai parar de chover Água no planeta Água Água espalhada Espelhando o azul O tudo e o nada

O Que Eu Não Sei

Alegria de um cachorro Menosprezo de um gato Desafios pelo caminho Uma pedra no sapato O pior grito É o grito de quem está calado Carros estacionados Trânsito que não transita Crianças são mortas Guerra é o contrário da vida O líder que não lidera Propaganda enganosa Plateia que não aplaude O dinheiro é verdadeiro Desejo é uma fraude O bilhete está em branco O espelho não reflete O amor queima Mas também derrete E tudo que eu quero antes de querer mais nada O choro são lágrimas desidratadas  

Proteção

  Cacos de vidro Em cima do muro Falsa proteção Doce ilusão Em seus braços Dentro do seu abraço Delírio, sedução Tudo falso Apenas sensação A gente erra Não aprende E erra de novo Acredita que vai ser diferente Que tudo vai mudar Adoramos nos enganar Muita promessa Pouca entrega Sonhar ainda é o que resta Quem sabe um dia Encontro alegria Dentro das suas mentiras Quem sabe...

Besteiras

  Sinceridade Minha pior qualidade Palavras jogadas Faladas sem medo Sem intenção de machucar Mas que penetram na alma Palavras que vão fundo Muito fundo Tiro bem dado no escuro Veneno de todo ariano Na ponta da língua Na garganta Provoca choro, pranto Uma guerra Santa Todo sincero É um ser evoluído Não merece sofrer Não merece castigo Um mal necessário Mesmo dando prejuízo Mas não confunda Falar besteira é outra coisa Isso qualquer um faz Até você

Talento

  Tenho talento de sobra Para sofrer, para morrer E depois passar bem Minha vida é assim Um exagero danado Tudo certo Mesmo quando está errado Vivo um drama pessoal Sou um caso sério Um doce mistério Para ser desvendado Estudado Comigo é tudo ao quadrado Desfilibrador Mesmo sem dor Massagem cardíaca Conto horas e dias Sou um sonhador Morrrendo também de amor Tenho talento de sobra Para poucas e boas O coração pela boca Amanhã um pouco mais

TFB

  Tradicional família brasileira Hipocrisia, brigas, rasteiras Não faça mais isso Siga meu exemplo Sou Rei da moral Família tradicional Lá fora tudo Aqui dentro nada Temos que manter Nossa casa sagrada Fingir perfeição Reclamar da novela da televisão Tradicional família brasileira Defende valores O valor das coisas Dona Flor e seus amores Namora em casa Namora rua Uma ou duas Chama político de meu bem Faz pose Fala de Deus também É a tradicional família brasileira Hipocrisia, brigas, rasteiras

Gavetas

  Hoje estou assim Assim, meio sei lá Cheio de vontades Uma delas é chorar Hoje estou assim Nem sei explicar Olho no espelho Não reconheço Não sei quem é Será que é o fim? Será que ainda tenho fé? E nas gavetas Só roupas velhas Caretas Vivo dentro do passado Sou um doente Nostálgico Realmente não estou bem Tão down Vou lá fora morrer Mas volta já Eu volto já

Eu Não Entendo

  Nada explica E você nunca explicou O que realmente aconteceu Até hoje não sei O nosso último sorriso Nosso último encontro Esqueci nossos planos Fizemos? O tempo passou E você não explicou Os seus dois polos Sul, norte Meu azar, minha sorte Você por perto E agora tão longe O último tchau Até a próxima Você não explicou Não entendi até agora Um dia o destino Vai nos colocar no mesmo lugar Vamos nos olhar Rir e chorar Um dia o destino..

Já Diria Tiago

  Na sala de espera Domesticando minha ansiedade Pensando no futuro Equilibrando pratos Mentiras e verdades Apenas dois caminhos Um sem e o outro com emoção No fim o mesmo destino Mas uma difícil decisão Tudo muito bonitinho Ou no zigue-zague da revolução E toda energia Que sobra, que fica O que causa alegria Vontade de viver Um pouco mais Só um pouco mais Qualquer escolha É uma escolha certa Felicidade não é uma linha reta Não pare nunca Nunca desista de fazer sua festa O barulho de ficar parado Esse sim é uma merda

Sangue

  Depois da sua alma Descobri seu corpo Seu gosto E não quero parar Não vou parar Gosto do som do seu silêncio De conversar com os seus olhos De enxergar o seu prazer Querendo mais, mais Sua guerra é tão quente Bem ao contrário da paz Deixe seu sangue Molhar meu corpo Morrer dentro de mim Santos demônios Inimigos do fim Do nosso amor Tanta ousadia Só podia dar nisso Um passo para o paraíso Outro para o precipício

Hipocrisia

  E no Carnaval é tão liberal Não tem nojo Não tem medo Não tem receio Não tem frescura Não faz pose No Carnaval é tão liberal Passa o rodo geral Mata o pai de orgulho Já matou Seu lado obscuro E sua vergonha Foi embora com sua roupa Até cego notou Pureza Papo para boi dormir Safadeza sem tamanho Seguindo seu rebanho Um banho de mimimi Disfarça Finge que não é Mas todo mundo sabe o que é Tão liberal no Carnaval

Mapa

  Escolhi um ponto no mapa E fui sem medo Percorri várias estradas Corri contra o tempo Tenho poucos dias Tenho poucos momentos Vou cantar uma canção Uma última canção Antes que seja tarde Antes que o dia acabe Eu aqui com a minha solidão Ainda prefiro viver Dar os últimos passos Já não consigo mais correr Escolhi um ponto no mapa Não pensei duas vezes Fui na fé, fui na raça Com minhas poucas forças Fiz do mundo minha casa

Rios

  Volto sempre para o mesmo lugar Para observar tudo de novo Descobrir, redescobrir O que ficou para trás O que deixei na boca do povo O cheiro da chuva Marcas pelo chão Ruas escuras E de novo, de novo Volto para o passado Onde revejo minha solidão O rio segue o seu caminho Com sua água renovada Pelas margens os meninos Sonhos e estradas Destinos O tempo é justo É o fruto Do desejo e perdição E quem beija, deixa Farelos em sua mão

Papo de Música

  Ouvi todo seu papo Sua conversa Suas palavras erradas Algumas certas Anotei tudo e fiz canção Um sucesso nacional Voz e violão Todo mundo tem uma história Coisas na memória Nas mãos de um poeta Letra, melodia Realidade e fantasia Verdades nada secretas Perdão algum exagero Algumas vezes erro no tempero Mas faço um bom molho Música de amor Música para agradar brasileiro Seu caso começou Terminou E ficou para sempre Nas melhores vozes Nas melhores mentes O canto do cantor O canto de tanta gente

Chuva no Varal

  Vai chover Roupas no varal Mamãe vai recolher Raios e trovões Céu escuro Todo dia um dia duro Algumas poucas emoções Vida e rotina Quarto, sala, cozinha No jardim suas plantas Toda esperança De tudo ser melhor Ama seus filhos Ama sua casa Adora suas panelas Não faz muita graça Do lar, do olhar Que fala mesmo sem palavras Do portão para dentro Sua sentença Vive o tempo Todo o tempo Dentro de sua residência Parece que vai chover Lá vem ela Fechando janelas

Dizer Não

  O sol ainda brilha Nas janelas do hotel Marina O mar observando sua beleza Aplaudindo com suas ondas A Rainha, sua realeza E no calor da areia Seu corpo, seu tudo O privilégio de tocar sua pele Desejo que ferve Mas, eu sei Eu juro que sei... Razão e emoção O que fala mais alto Ela não precisou dizer não Sinal vermelho Dor em meu peito Ela não precisou dizer não Quem sabe uma próxima vez Tudo que a gente não fez

Turista

  O que eu quero da vida É ser turista Sempre de passagem Hoje aqui Amanhã não se sabe O próximo destino É sem destino Mochila nas costas O famoso "vamos embora" Vou viajar pelo mundo Qualquer canto, sem rumo Apenas vou, vou Só com data de saída Sem muito adeus na partida Sobrevoando países Percorrendo mapas Somos feitos de chão De estradas O que quero da vida Ser turista Deixar pegadas

Obscuro

  Doces mentiras Verdades dolorosas Coisas da vida Mentes perigosas Viver é um duelo Entre tristezas e glórias Segredos suaves O que ninguém sabe O que faz bem Sobrevivendo ao caos Tudo natural Um bom refém Tempos modernos Eu tento, eu quero Nem todo dia dá certo Realmente é assim O sabor de ser complexo O lado obscuro O que tem atrás do muro Os sonhos bons São os sonhos reais Ou qualquer tanto faz

O Alimento

  Toque suave Beleza que arde Que desvia o olhar Quem não sonha o sonho De estar em outro lugar Onde nasce o alimento Brota, transborda Molha Mata sede, a fome Desejo enorme O gosto do amor Gestos de amor Filhos saudáveis Homens carentes Madrugadas O que nem todo mundo sente Vontade que não acaba Nunca vai acabar Veludo da pele Sabor que desce Pelo canto da boca Água na boca Transparece

Calendário

  O calendário e suas doze folhas Arrancadas sem dó Em alta velocidade Somos morangos velhos Vermelhos Bonitos, mas mofados O que o tempo não estraga? Já estragou Até o vento machuca Empurra Leva para perto do fim Que nem é tão longe Onde a gente se esconde Mas não adianta fugir Fingir que nada está acontecendo Os dias vão morrendo Matando por dentro São ruins O calendário...

Rachaduras

  Escondo rachaduras Pregando quadros na parede Disfarço todo o medo Com minha falsa valentia Sou da noite, sou da vida Engano apenas durante o dia Tenho liberdade Mas não aprendi ser livre Todo sorriso muito alegre No fundo é triste Hoje está tudo bem Amanhã realmente não existe Sou um artista sem palco Um porta-retrato guardado Uma gaveta revirada O relógio que parou Com a hora quebrada No espelho Um susto Todas minhas caras Meus mundos Quem sou eu?

Despedida

  Tenho medo Mas quero partir Sinto pena do mundo Sinto pena de mim O futuro foi riscado O tempo foi roubado É o cheiro do fim Nem todos vão ter piedade Nem todos vão lamentar Mas vou deixar lembranças Ninguém vai esquecer Que fui uma boa pessoa Antes de enlouquecer Ainda tenho ar Ainda consigo respirar Amanhã não sei Eu nunca sei Mas foi bom, muito Chegar até aqui Viver tudo que vivi Vou dar os últimos passos Na areia de uma praia deserta Numa tarde fria Minha solidão fazendo festa

Chinelo

  Logo cedo Ainda pela manhã Vou colocar meu chinelo E vou até você Relaxar meus pés Meus braços Minha mente Vou cuidar das suas plantas Plantar novas plantas Brotar sementes Quero morar em sua casa Vou lavar os seus pratos Seus carros Vou podar suas asas Um canto qualquer Em seu quintal Embaixo de uma árvore Mas tudo bem se não puder Vou embora em minha astronave Quero amizade com seus empregados Vamos fazer o supermercado Carregar suas compras Apaixonados

Disfarce

  Para ter poder Abriu mão da beleza Aceitou toda feiura Sua maior loucura Brigou com a natureza Não precisava tanto Não precisava não Vergonha do espelho Vergonha de tudo Por que de tanto medo? Deixe o mundo enxergar O brilho desse seu olhar Não faça segredo O sol é Rei A lua é Rainha Imponentes Ambos conhecem o lado bom da vida Sem máscaras, disfarces Expondo feridas Não perca sua essência Por nada, nada

Asas

  Deus não deu asas para o homem Preferiu não estragar o céu Do azul mais bonito De todo o infinito Da lua e do mel Flores nas nuvens Pássaros dobrando esquinas Aviões quebrando o clima Amantes nas estrelas Astronautas e suas meias O vento cortando Rasgando a imensidão Dividindo cores do arco-íris Criando ilusão Terra de quem é da terra Chão dos anjos Guerra nas galáxias Crateras virando praias O fim está tão perto Não existe mais saída Nada deu certo

Birra

  Não tenha vergonha de chorar Grite, faça birra Arrisque, tente a sorte Pode ser o seu dia de ganhar Não tenha medo de ser feliz Viva tudo que puder viver Mergulhe fundo Descubra o mundo Daqui a pouco vai amanhecer Nada é fácil Nem nunca foi Nada é por acaso Nem um caso de amor Muito bem pensado Friamente calculado O que você não sabe Talvez o tempo não ensine Mas não desista Nunca Apenas lute Mesmo que tudo o confunda

Quintal

  Até outro dia Apenas sorrisos Brilho do sol Almoço de domingo Até outro dia Papo na sala Boas risadas Amor de família Os vasos estão vazios O quintal está mudado Nem todos estão aqui Alguns só no retrato Lembrar Apenas lembrar Brindar com quem já foi Chorar e rir depois "Desse lado Saudade não passa Lembranças diárias"

Coisas

  Um verso simples Cheio de qualquer coisa A gente dança Canta um para o outro E depois chora de alegria Até o fim de nossas vidas Dos nossos dias Escrevo no papel Em paredes e telas Palavras bonitas Poesias singelas Bilhetes e cartões Só algumas emoções Recados no espelho Um X no calendário Cartas no recreio Amigos imaginários Resumo bem escrito Roteiro do destino Pensamentos de um missionário Nas páginas de uma revista Rabiscada, toda escrita

Segredos

  O maior segredo É revelado no último capítulo Tudo é resolvido Na penúltima cena Antes do final bonito Novela da vira real Uma trama, uma transa Um programa Bons atores E todos os amores Resolvidos na cama Um close Um ângulo favorável Astros e estrelas Toda vida é uma história Bem contada Um drama da família brasileira Na tela Completa distorção Será que é mesmo ficção? Pare tudo que está fazendo Entrou o plantão