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Mostrando postagens de janeiro, 2026

Perto do Fim

  Quando o pensamento chega ao fim Quando não existe mais nada Quando a saída é sair Quando o tempo acaba O grito não grita Está preso no silêncio Guardado dentro do peito E o único jeito É mergulhar sem destino O desconhecido precipício Quando o vento não refresca Quando a gente se entrega Aceita que não dá mais Quando não existe paz É só ter coragem Não tente entender Nem eu entendo Deixe acontecer Um dia vai acontecer E voce vai ficar sabendo É só seguir o fluxo Seguir o movimento

Perdão

  Como pedir desculpa? Como pedir perdão? Viver é uma loucura A gente erra sem intenção Praticamos o bem Só o bem Mas sempre tem um deslize Um momento triste Um passo errado que machuca alguém Olhe em meus olhos Pegue em minha mão Deixe eu explicar Falar e falar e falar Não desista de entender Finja acreditar O tempo vai curar feridas Vai cicatrizar O tempo ensina Como pedir desculpas?

Você Vai Saber

  Vou sempre dar um jeito De dizer "eu te amo" Sinal de fumaça, telepatia No alto de um balão Em um carro de som Uma simples poesia Você vai saber De uma forma ou de outra De todo o meu amor Anúncio de jornal Trio elétrico no Carnaval Nas palavras de um locutor Nos seus melhores sonhos Nos pensamentos constantes No meio de uma oração Você vai saber "Eu te amo" Da forma mais pura possível Até em um dia terrível Amo, amo... Na tela do cinema Dentro de um final feliz No casamento da novela No sorriso da atriz Será que preciso repetir?

Jaz

  Vou ficar perto das flores Das mais belas flores Para sempre Todo o sempre Vou curar minhas dores Vou relaxar o esqueleto Em meu lugar favorito Vizinhos em silêncio Nem um pio, nem um grito Meu endereço definitivo Mesmo em dias estranhos Esquisitos Nem calor, nem frio Só um arrepio Um leve arrepio Aqui jaz Aqui jazz Aqui Rock Um filho da sorte Eternamente jovem Um dia vou E acho que não volto

Cidade

  Da janela eu vejo Toda cidade Quebrada, cinza Azul Quadrada, ranzinza Com seus urubus E da janela eu pulo Mergulho Em ruas e avenidas Quentes e frias Passo por casas cheias Outras vazias Do futuro sem futuro Mais moderna do passado Os puros e os safados Das pessoas boas Dos metros e quadrados Mãos ao alto Mais um dia com vida Outro assalto Vamos comemorar Hoje é o seu aniversário É o seu aniversário O seu aniversário Seu aniversário Aniversário

Vasos

  Nos meus vasos vazios Planto sementes do caos Planto um futuro duvidoso O sonho de um amor errado Sou o jardineiro do inferno Sou o que provoca estragos Nem todo nó É para ser desatado Enrolo mais, embaraço Viver é a continuação de um parto Que nem sempre deu certo Continuo escrevendo torto Por linhas retas Escondo retratos Estrago festas Sou um vendedor de sonhos De falsas promessas Rego pedras Molho palavras Conto mentiras Sou um falso profeta

Opções

  Sofrer não é opção Nem nunca foi Ser feliz também não é fácil É um equilíbrio diário Alegrias, tristezas Uma pitada de solidão Olhar no espelho Controlar o desespero No minuto seguinte Explodir com o mundo Com todo mundo Cheio de classe e elegância Viver é saber que não tem jeito Mas manter a esperança E depois de morrer No outro dia nascer Com a mesma força Entender que vai ser Sempre da mesma maneira Importante é não chorar Por qualquer besteira Conflitos Insegurança Certezas Estranhezas Assim Sofrer não é opção Não é não

Almas

  Gente por todos os lados Em alguns cantos Espíritos espalhados Já não sei diferenciar Os vivos, os mortos E os espantalhos Dentro do meu silêncio Observo cada detalhe Olho por dentro Mas logicamente não entendo Confundo os dois mundos Será que estou morrendo? Alma atrás do espelho Nem tudo é verdadeiro Pegue em minha mão Vamos rumo ao desconhecido Juntos com os exilados E todos os esquisitos Eu vejo gente Será?

O X

  Só você sabe Resolver o X da questão Só você sabe Pisar sem dó Machucar corações Pago dez para não correr perigo Mas para morrer em seus braços Pago milhões Prepare o que eu mais gosto Já estou aqui Cheio de fome e sede Meio azul, meio verde Adoro o gosto de gente Tudo que vem de você Fique na sombra Eu gosto do escuro Mate meu corpo várias vezes Acabe com meu futuro Corrija meus erros Castigue todos meus medos Toda sua força Dentro de um olhar E seu olhar dentro de mim

Paredes

  Todos os retratos Salas e quartos Nas melhores paredes Segredos escancarados Contados em noites quentes Meu cabelo está diferente Bem diferente Mudei bastante Hoje até pareço gente Meu vício agora é viver Vivo para sempre Fotografia tem cheiro Tem dor, tem alma Têm palavras ditas Frases escritas Os piores traumas Faça uma pose Eu vou dar um close Em você, você Diga xis, diga sim Minta para ser feliz

Viver

  Só tenho um objetivo Dormir e acordar Sorrir pela manhã Logo que o sol chegar Não tenho motivo para ser feliz Mas simplesmente sou Vivo para sobreviver Tenho cada vez menos tempo Sou uma bomba relógio O corpo virando do avesso E toda dor que carrego Ameniza, mas não passa O fim do sofrimento Não existe É tudo uma farsa Cabeça no travesseiro Rolando pela cama Procurando sonhos, sono Apenas acordar Abrir os olhos e estar... Vivo

Encontro

  É você!? Falam tanto de você Já ouvi de tudo Maioria fala bem Mas tem quem não gosta Quem aposta Que você nem existe Demorou, Mas agora que cheguei Não vou sair daqui Vou ficar ao seu lado Quero saber cada detalhe Sem pressa vou ouvir Todas verdades Suas verdades Quero saber os segredos Entender o que eu nunca entendi Agora estou aqui Nas nuvens, no céu azul Um bom lugar O melhor lugar para morar Ainda sem acreditar É você!?

No Passado

  Fotos antigas Ainda não tinha Paul Nem outro "Beatles" Seu cabelo era diferente Tinha raiva de quase tudo Odiava gostar de gente Fotos antigas Nem precisa tanto Lembro cada detalhe Os seus segredos Cada instante Desejos e medos Você ainda tomava Guaraná Enxergava bichos nas nuvens Era quase inocente Gostava de humor Mesmo sem humor Nas horas vagas cantava Nos dias quentes procurava um amor E hoje tudo mudou Mudou tudo Seguimos outros rumos

Janeiro de Reis

  Em janeiro Tudo de novo Um novo começo O ano inteiro A mesma idade O mesmo jeito Gosto de somar Os números das datas De trás para frente De frente para nunca mais Procuro coincidências Fatos reais Em janeiro Dia de Reis Todos os Reis E quem viver Verão Quem sobreviver Verão Silêncio Vai começar o filme Bang Bang, faroeste Sou diferente de tudo Sou do velho oeste

Declaração

  Vou fazer uma declaração Logo pela manhã Para você não resistir Pedir abraços E sempre dizer sim Vou chorar de rir Junto com você Vamos nos divertir Para amanhã morrer De amor Muito amor Vou fazer canções Para você cantar Nas horas erradas Assoviar melodias Em noites quentes Com cabeça fria Vamos fumar Cheirar fumaça Vamos deixar barato Continuar achando graça De tudo, quase tudo

Depois do Fim

  Vamos ser esquecidos Por poucos, por muitos Um dia por todos Alguém vai chorar Mas lágrimas secam O tempo se encarrega De apagar Pessoas vão viver Continuar vivas Vão seguir suas vidas Quem morreu, morreu Nas memórias, nas lembranças Sem despedidas O rosto vai desaparecer Junto com o nome Frases desfeitas Nas cabeças dos homens Nas noites sem estrelas Nem o sobrenome Não vai sobrar nem poeira Nada, nada, nada Simplesmente nada

Manoel Carlos

  Pelo Leblon Vida de novela À beira mar Pés na areia Dentro da tela Trilha sonora Uma só nota Amores e laços Lindos retratos Bossa Nova Helenas, Anitas Vilãs, heroínas Janelas da alma Cara de artista Por amor Pela dor Outro capítulo Fim que chegou Hoje é trama Amanhã um drama Tudo que sonhou

Coleira

  Diz que é moderno Mas parece um troglodita Retrógrado do passado O que fica de lado Reclamando de tudo Tudo Questiona o amor Acha que é superior Ideias ultrapassadas Pensamentos de um ditador Coitado Todo super sincero É um pé no saco Pobre homem das cavernas Um animal, uma fera Uma besta Simplesmente uma besta Cospe palavras, vomita tristezas O tal moderno É um idiota Que escapou da coleira

Mochila

  Siga por novos caminhos Faça novas trilhas Carregue menos peso na mochila Fui perdendo coisas Ao longo da estrada Mas não olhei para trás Nada fez falta Nada faz Subidas, descidas Curvas, buracos Os piores obstáculos Passei por todos De um jeito ou de outro Eu consegui Cheguei até aqui Acumule menos Guarde mais no coração Simplesmente viva Persista Siga em qualquer direção Para ser feliz Não existe apostila Não precisa de prática Apenas, simplesmente apenas Carregue menos peso na mochila

Bem?

  Está tudo bem Não parece Mas estou bem Estou até sorrindo Seguindo meu caminho Vou indo Em silêncio Olhando o infinito Pensando na vida Mas estou bem Eu juro Quase juro Nem tudo é Como a gente quer Nem tudo está Como deveria estar Mas a gente se engana Esconde a verdade Feito crime sem culpado Vaso sem planta Sou obra de arte Ninguém entende Nem mesmo eu Tem hora que esqueço Em muitas outras quero esquecer Realmente não estou bem Não

O Céu

  O mundo vai acabar Muito em breve E preciso salvar minha pele Preciso de uma solução Tenho que fugir Ir para bem longe daqui Contagem regressiva É o começo do fim Sigo procurando uma saída Sigo sem saída O céu vai cair O ar vai faltar Sem água, sem lágrima Sem chão para pisar Últimos instantes Tudo fora do lugar O único humano Em outro planeta O último romântico Numa noite preta Um grito na imensidão O som das trombetas Meu mundo acabou...

Lá Fora

  Cortina fechada Mas o mundo continua vivo Algumas vezes colorido E difícil Por isso fico aqui trancado Meu refúgio, meu quarto Escuto gritos, bombas Mas também pessoas felizes Cachorros latindo O dia está lindo Ainda sim Prefiro ficar dormindo E enquanto o sono não vem Minha novela preferida Uma Coca-Cola Porção de batatas fritas Porta bem fechada Duas voltas, sem volta Nada de ir lá fora Aqui dentro é mais seguro Protegido pelos muros Não tenho medo Mas sou fã do sossego

Sem All Star

  O bairro já não é mais o mesmo Agora tudo é silêncio Nem parece o de outros tempos Outros carnavais Seria estranho não sentir saudade E está estranho demais O espelho do elevador Sem o seu reflexo Apaga todo o brilho Triste como um velho amigo O pai esperando seu filho Subo e desço Passo por todos os andares Não paro em nenhum Agora sei o seu endereço Agora tenho tempo Mas o que adianta Não podemos conversar Sinto falta da sua voz rouca Falta do seu All Star Uso suas gírias em minhas orações Pensei em você Quando escrevi novas canções

Gole

  Entre um gole e outro O poeta escreve Vira o jogo Brinda os amigos Finge que não é louco O poeta olha o mundo Com outros olhos Com seus óculos escuros Não teme o perigo É o perigo Com seus pensamentos Os seus escritos E pela boca do poeta Outras bocas Línguas malditas Frases quase feitas Desfeitas Amores de esquina Todos seus pecados São perdoados Poeta não é Santo Mas é venerado Por pobres mortais Por seres amaldiçoados Entre um gole e outro...

Terrível

  Fala coisas terríveis Com classe e elegância Sua ironia é fina Seu ar sereno engana O dedo aponta para o que quer Sempre sabe o que quer E toda crueldade Que só você tem Eu adoro, muito Já nem disfarço Entendo o seu olhar Seu jeito de dominar Bem mais que a situação Têm todos os defeitos Odeia em pensamentos Mas eu pouco ligo Vivo para ser o seu destino O alvo dos seus castigos Algumas vezes duvidou Achou que nunca encontraria Alguém que toparia Suas mais diferentes loucuras Suas vontades e manias Mas eu digo sim Fale todas suas ideias Que eu digo sim

Algoz

  O amor é devasso Um passo para o pecado Um retrato três por quatro Na palma da mão Mesmo que rodeado O prazer é solitário Loucura e tentação E quando uma lágrima cai No silêncio da escuridão O tempo derrete o juízo Enormes conflitos Deus e o sabor da sedução Sagrado ou profano Cada um com seus planos Outros sem nenhum O brilho do suor Eles, vós, nós Desejo do algoz Os segredos mais íntimos Em nome do pai Os sonhos dos filhos O erro está bem no meio do caminho

Instinto

  Meu instinto sempre foi animal Gosto da loucura Da beira do caos Peço paz fazendo guerra Grito pedindo silêncio Dou parabéns para quem erra Rabisco quadros Assino meu nome nas paredes Sou frio quando tem que ser quente Sou o ácido que mata a sede Vivo de braços abertos Esperando abraços Sou o Cristo Redentor Um Santo ao contrário Meu pecado não é nada original Nasci de um Para morrer no final Sou o mais maldito entre os poetas O torto em linha reta Meu instinto sempre foi animal

Clarice

  O livro preferido do poeta Página aberta Uma página qualquer Texto sobre o mundo (O gigante mundo) Palavras de uma mulher Cansada Pequena e constrangida Procurando liberdade Vida O tamanho que não tem Mas sabe onde quer chegar Pelo menos vai tentar Ir muito mais além E como diz Clarice No país do vice É preciso ser feliz Como diz Clarice Viver é resistir Conhecer o devido lugar Não é ser inferior É saber o tamanho do próximo passo O tamanho da dor "Minha condição É não temer minha condição"

Bilhetes

  Hoje os bilhetes São todos virtuais Não tem mais rabisco Letra feia Vide o verso, leia atrás Nada fica para recordação Papel amassado Recado dado Uma simples declaração De amor, de amor Poesias em um guardanapo Qualquer pedaço de papel Carta escondida em uma agenda Manuscritos de um artista Que hoje mora no céu Um palavrão na nota de vinte Um desenho com caneta Bic Uma carinha triste Na folha de um velho jornal Hoje os bilhetes são virtuais Nada é real, nada mais

Barulhos

  Meus barulhos na madrugada Até o meu silêncio fala Histórias mal contadas Letra por letra Palavras digitadas Sou uma máquina de escrever De pensar Também sobreviver Deixar para sempre Tudo que pensei um dia Tudo para quando eu morrer E quem diria Fui parar no museu Sou arte moderna Um viajante sem perna O que vai sem adeus Já amanheceu Poesia pronta Sigo fazendo conta Para chegar ao fim do mês Agora é hora de dormir Mais tarde começa outra vez

Quente

  Ando descalço Pelo asfalto quente Procurando um cidadão de bem Armado até os dentes Defendendo sua família Reclamando de política Pronto para matar alguém E ainda tem quem acredita Lado certo ou errado Esquerda e direita Só no trânsito Via de mão dupla Vida filha da puta Sou um descrente Nas pessoas Nos deuses e crentes Filósofos, religiosos Nos Santos doentes Desconfio de quem chora Quem ri por obrigação Quem diz que fica Quando todo mundo vai embora Meu pé está queimando No asfalto quente