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Mostrando postagens de maio, 2026

Cura

  É na praia que eu curo Meus problemas incuráveis Meus medos indomáveis É na praia que percebo O tamanho que ainda tenho Os meus passos Sempre tão pequenos Todo o poder do mar Sob o sol do meio-dia Ou na escuridão da madrugada O que não posso enxergar Abro os braços Abraço o desconhecido Tudo que vejo Irresistível infinito Um dia lindo Para nascer de novo É na praia que eu curo Toda dor O tempo que ainda tenho O tempo que restou Antes dos melhores momentos

Manias

  Essas suas manias De escrever no espelho Bilhetes com seu cheiro Faz tão bem Faz muito bem Essas suas manias... Seu jeito de dizer "eu te amo" Sua maneira de desejar bom ano São tão estranhas Mas eu também "te amo" "Te amo" E nunca é tarde Para suas vontades loucas Para poucas e boas Estou aqui Essas suas manias De ter bom gosto Beijar meu rosto De querer algo diferente Nunca está contente Quer sempre mais Que sorte! Eu tenho sorte!

Abril

  Existe vida Depois do azar e da sorte Depois de tanto apanhar E ficar mais forte Existe tempo para tudo Para viver, sobreviver Ou qualquer outro absurdo Existe brilho Mesmo na escuridão Na tristeza de uma lágrima Que desce pesada E explode no chão Dentro dos carros Madrugadas Estradas sem fim São tantas verdades Nas mentiras contadas O não que parece sim Tristeza para ser sentida Para sofrer na despedida O que você ainda não viu Agora é tarde, muito Acabou abril

Luz

  Todo dia uma surpresa Nem sempre boa Nem sempre ruim Todo dia uma partida Um pouco menos de vida Bem diante dos meus olhos Distante Tão distante Dentro do seu mundo Seu mundinho Fechado, inconstante Segure minha mão Confie em mim Não posso muita coisa Mas qualquer coisa Estou por aqui E toda sua luz Que um dia brilhou Hoje nem tanto E toda sua luz Que um dia brilhou Aos poucos vai apagando Acabando também dentro em mim Uma mistura de sentimentos E apesar de tudo Bons momentos

Grave

  Encontrei um tempo Para dar um tempo Tudo está girando Ânsia que não passa Preciso deitar Daqui a pouco volto Ainda vamos brindar O mundo está caindo É a lei da gravidade Meu caso é grave E só você sabe A dose exata de maldade Para tudo Para! Vou descer no próximo Vou ficar na praia Vou curar minha ressaca De vida, de vida Reconheço meu tamanho Um grão de areia no oceano Encontrei um tempo Para dar um tempo

Telas

  Correntes virtuais Algemas invisíveis Escravos das telas Suas celas Presos em seus currais Mundo sem fronteiras Mas tão limitado Mundo estranho Gigante e fechado Corremos perigo Mesmo sem fios e cabos Ligados Viciados nessa droga Perto e longe ao mesmo tempo Isolados Doença moderna Do corpo, da alma Da mente Zumbis doentes Horas e horas perdidas Piores momentos de uma vida Quem é essa família?

Veneno

  Eu preciso de remédio Preciso de veneno Uma dose maior Enquanto tenho tempo Um pouco de ar Para ter coragem Olhar e não pular Preciso de um fio de esperança Ou das palavras do inimigo Apenas um incentivo Tenho que aprender mentir Igual uma inocente criança Vou declarar guerra Na janela do oitavo andar Vomitar palavras Vou dar uma festa Gritar que o amor não presta Bem no meio da sala de jantar Uma cena de novela Sem final feliz Culpados são inocentes Nesse mundo covarde A cara nem arde No alto desse prédio Quero veneno Ou o seu remédio

Finitude

  Na praia, no campo Em Paris Seu perfume por aí O que ficou de você Um lenço, um pano Seus planos dentro de mim Seu sorriso O mais bonito Sua gargalhada Finitude pelo infinito Onde vou É você comigo Sua história Contada em um livro Da minha boca Para todo sempre Nossa história Em mais de mil palavras Toda mágica O nosso amor Enquanto eu respirar Vou lembrar Vou levar por todos os cantos O mundo vai saber O tamanho do seu tamanho