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Tem Mãe

Tem mãe que gosta de Roberto Carlos Gosta de almoçar com a família  Gosta de dançar na sala Outras não gostam Mas todas amam ganhar flores E para elas, seus filhos, seus amores Nem todas são iguais Umas odeiam fotos Outras não gostam de animais Tem mãe que dá bronca Outras atiram o chinelo Com a mesma força dão carinho Mandam comer salada E que no seu dia Nunca querem nada Tem mãe que gosta do Silvio Santos Outras não entendem nada de política  Rezam toda semana na missa Gostam de bater papo no portão da vizinha Mãe só tem uma Mas ao mesmo tempo são tantas Mãe que tem medo Não quer ficar sozinha Mãe não tem pecado Toda mãe é Santa  E aquela que não é A gente esconde seus defeitos Eu sei que não sou todo mundo Mas para minha mãe  Eu sou tudo

Luz

Quando está tudo escuro Você me dá luz Ensina o caminho Todos os caminhos Quando o céu está fechado Nuvens de chuva E eu sempre escuto seus conselhos Conselhos de vida Ou até mesmo para levar o guarda-chuva Não importa idade Filho é sempre uma criança Não consigo esperar o amanhã  Tenho pressa  Colo de mãe é o melhor divã O seu olhar diz tudo Várias emoções  E eu decifro todas Com apenas dois segundos E não adianta morrer Do seu ventre nunca vou me separar Estamos pra sempre unidos Poesias, Minhas melhores rimas Eu te amo aqui Em outro planeta Ou em qualquer lugar Todo dia, O dia amanhece E o sol mostra sua cara Não preciso estar acordado Para sentir o seu poder Com mãe é assim Distância não afasta corações  Só posso agradecer  Sempre agradecer  E dizer muito obrigado

Silêncio

Quero e preciso do silêncio Silêncio que não existe no mundo Preciso fugir urgentemente do barulho Gosto do meu quarto Dos seus quatro cantos Onde não percebo olhos famintos Olhando e me devorando O meu corpo que quer apenas descanso Longe de tudo e de todos Não é medo Ou talvez seja  O tímido não quer explicações  Não quer ouvir nada Quer apenas não estar no centro das atenções Minhas mãos estão tão frias Por que todos estão me olhando tanto? Uma dança, uma conversa Melhor nem tentar a sorte Deixe eu aqui sozinho Falar em público para mim é a morte Vou fechar os olhos Não quero ver e muito menos ser visto Tenho pavor Atrás dos meus óculos  Sou apenas um menino Cheio de dor Escrevo cartas para meu amigo imaginário  Falo tudo que não tenho coragem de falar Guardo todas em uma gaveta Tenho medo de alguém encontrar

Dois

Dois lápis Dois desenhos tão bonitos de nós dois Feitos pela mão de uma criança Dois fatos  Das nossas vidas Tão perdidas Nunca mais esquecidas Flores, Duas pétalas que caem Ao mesmo tempo Não acredito em coincidências Sorte ou azar Apenas momentos Dois mundos Lá no fundo somos apenas Moradores de um mesmo planeta Instantes, Desejos de sabedoria  Duas noites com aquela mesma lua Que ainda brilha Vivemos duas vezes mais  Do que qualquer pessoa sem alegria Apenas, Dois minutos da sua atenção Se você ainda não sabe Aqui dentro ainda bate  Um só coração

Asas

O mundo redondo E eu aqui sempre em meu canto Procurando felicidade E quando ando pela rua Travessas, avenidas e estradas Vou logo para o acostamento  Esperando o melhor momento  Momento de atacar Subo e desço morro  Repouso minhas asas  Repouso minha cabeça fervendo em seus braços  E o que eu faço, O que eu faço Para ser apenas feliz? Sonhei que estava voando Era mais do que um anjo Enxergava toda maldade  E lá de cima Tudo que eu falava  Tinha prosa, tinha rima Eu só quero  Quero ter Orgulho de quem sou E tenho Reis e rainhas Nunca perdem seu trono Eu só quero um pouco mais de vida Noites já não são mais tão vazias E o que vai ser dos nossos dias? E dos próximos  Dos próximos  Dos próximos  O mistério faz parte  Quem pede silêncio gritando Não quer paz E eu sigo aqui  Cantando

Oito Minutos

Não, Você não me conhece Cinco segundos é uma eternidade Em cinco segundos já mudei tanto Você nem sabe o quanto Então pare de achar que você sabe tudo Sabe nada Nada sabe quem acha que sabe muito E lá no fundo Só Deus quem sabe Todos os segredos do mundo E, O seu silêncio fala muita coisa Pelo menos entendeu Que tem hora que é melhor assim Agora me deixa Meus passos são largos Pelo caminho vou colher flores Nos canteiros Antes só do que  Antes só do que  Eu tenho mais o que fazer Vou ouvir uma música  Daquelas com mais de oito minutos Continue assim sem assunto E quando eu quiser  Eu sei bem como falar  Quem sabe quando amanhecer Vou até o andar de cima Só para te provocar Inteligência é o maior dos fetiches  Prazer até chocolate dá Noites nem sempre são frias Você é apenas letra Nunca será melodia

Mundo Que Gira

O meu mundo gira em torno de você para aproveitar seu brilho Quem tem luz própria não precisa de muita coisa O seu caminhar é leve mesmo usando coturno Sua roupa preta é vida e não é luto Estou em sua mão, eu me entrego Dor é ferida, mas também é prazer O seu olhar é chicote Que na ponta aponta o meu corpo Gosto tanto do seu jeito cruel de ser Luz que apagou e não escureceu Não tinha motivo para tanto medo  Olhos fechados também enxergam Piso em pedras, mas sigo meu caminho O amor pode até chegar tarde, mas é sempre cedo Cruel é não ter o seu poder E se alguém pode viver sem Esse alguém não sou eu Aceito suas condições  Acato suas ordens Em silêncio digo sim Com minhas poucas palavras Agradeço antes do fim

Aprendi com o Sebastião

Aprendi com o Sebastião Que o mundo não é bom O mundo é bão Entendi que os animais Andam de carro Estão nas músicas  E tomam banho de banheira Menino Sebastião  Hoje canta sua canção  Ao lado do compositor Do pai que é cantor Menino invocado  Um pouco bravo Até que descobriu Que o mundo é bão Hoje são muitas palavras Mas sua preferida sempre foi não O Godzilla É o dinossauro que tomou vitamina Melhor do que tomar remédio  Para febre baixar O desenho colado na parede Traz memórias do Sebastião Na casa do amigo Charles Que não é o Ray Mas é amigo dos Reis Ele é de maio Mesmo dia e mês da abolição  O nome é raro Mas tão simples E sempre tão bão Um plá daqui Um plá de lá  Um minuto de conversa Com o Cúsqui  Com o Fúsqui Com o Sebastião

Medos

Eu tinha medo do Chaplin Eu tinha medo daquele quadro Eu tinha medo na infância  Os meus medos Os meus medos de criança Não eram nada comum Mas o que é comum? Para quem ainda não cresceu Criança tem medo do que é diferente Criança tem medo  Desde quando nasceu Coragem vem com o tempo  Na velocidade de uma bicicleta No chute de uma bola Na briga com o amiguinho de escola Na brincadeira de correr contra o vento Um abraço forte Para quem não tem nada É muito E para quem tem muito Um abraço forte faz falta

Beijos Imaginários

Beijos imaginários  Sonhos quentes Até mesmo em noites frias Daqueles de acordar no meio da madrugada  Andar pela casa sem fazer nada Um cigarro como companhia Nesses momentos saem ótimas melodias  O violão vira quase um travesseiro Vou tocando até o amanhecer Assim toco minha vida Minha missão ainda é viver Noite, Que invadiu o dia E agora perturba minha cabeça dura Não durmo Mas pelo menos faço um som O que seria de mim sem música? Cara cansada Olhar na nuca Minha insônia tem cara de gente maluca Agora quero ser O que eu nunca fui Acordado que eu percebo  Que pesadelo eu tenho de olhos abertos  Parece mesmo coisa Coisa, Coisa de apaixonado É melhor ficar esperto

Nunca

Silvio Santos nunca me deu dinheiro Não dei selinho na Hebe Não fui xingado pela Dercy Gonçalves  Nem mesmo falei um "nóis vai" para o Pasquale O Papa nunca me abençoou  Não ganhei beijinho da Xuxa Muito menos tchau tchau Nunca dei cambalhota com o Neymar Não cantei detalhes com o Roberto Carlos  Jamais tomei cerveja com o Zeca Pagodinho O Justus ainda não me demitiu  Não sou ministro do Bolsonaro Cazuza não me convidou para escrever "Brasil" Eu nunca chamei o VAR Eu nunca  Nunca Sou um pobre coitado  Um desconhecido  Não tenho um tostão  Estou perdido Nunca deitei na cama da Madonna  Sandy e Júnior não me convidaram para pular  Não fui alvo da pegadinha do João Kleber  O Datena não gritou meu nome na tela Nunca vi o Safadão fazer safadeza Graças a Deus! Não consegui ver o Íbis campeão  Não treinei pênalti com o Pelé  O Huck não arrumou minha casa O Dráuzio nunca ouviu meu coração Eu nunca  Nunca Sou um pobre coitado...

Amor Bandido

Estão falando da gente Estão inventando mil coisas Sobre nosso respeito Sobre nossa falta de respeito  Ninguém tem nada com isso Se perdemos o juízo  É problema nosso Beijamos o asfalto Nos beijamos no asfalto Olhamos o Cristo Redentor De abraços abertos Esperando um abraço  Sempre tão solitário Lá no alto,  Lá no alto, Com a gente não é assim Andamos de mãos dadas Trocamos carícias  Não só na madrugada Vamos tomar veneno no mesmo copo Copo de bar  De bar bem sujo Que ninguém tem coragem  Nem mesmo de pisar Nosso amor é bandido Que rouba, mata  Mas não sai do caminho  Nosso amor é loucura Almas nuas Passos largos  Mãos dadas Amor no meio da rua