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Mostrando postagens de junho, 2026

Qualquer Lembrança

  Uma canção de amor Que não fala de amor Mas que faz lembrar você Sou forte, mas não resisto Acho tudo tão lindo Tudo como tem que ser Até o som de um espirro Mexe tanto comigo Sabe como é Lembranças Essa dança Entre querer e poder Fique agora Com os meus piores momentos De desespero Brigando com o tempo Remoendo toda uma saudade Só vou dizer verdades Quem sofre não sabe mentir E nessa viagem A pior opção é fugir

Ilustres

  O céu é muito mais bonito Quando visto de perto O azul nem parece azul São os antigos mistérios Estrelas e nuvens Seus visitantes ilustres Vida que nasce Renasce depois do fim O que ninguém sabe É sempre assim Luz na escuridão Rezas Mãos para cima Chegadas e despedidas Oração Será que está tudo bem? Por aí sempre está bem O céu é muito mais bonito...

Cerveja e Fim

  Vamos dividir lembranças O último gole Nossa dignidade Vamos nos despedir Dos sonhos mais bonitos Os que não deram certo Que ficaram pelo caminho Vamos nos despedir Das noites de glória O que ficou na memória Alegrias, tristezas Mais algumas cervejas Boas histórias Vamos baixar portas Brindar pela última vez Chorar de tanto rir Rir para disfarçar o choro Foi lindo enquanto durou A gente bebeu o amor Paul na vitrola Antes de ir embora Só mais uma dose O último gole

Normal

  Converso com todas as coisas Com gente louca Mas eu sou normal Corro atrás dos carros Durmo no asfalto Mas juro que eu sou normal Comemoro bola na trave Beijo paredes Conto meus segredos Saio tarde para chegar cedo Ninguém tem dúvida Que sou normal Converso com vivos e mortos Mas nunca sei quem é quem Enxergo nuvens nos bichos Todo bicho feroz é neném Mato chinelos com baratas Nas horas tristes faço graça Discuto política Minha água é cachaça Tudo tão natural Eu sou normal

Sopro

  A vida é o sopro De um velho cansado Alguns tropeços E muitos engasgos A vida é um tempo perdido Dentro da eternidade Do início de tudo Até o infinito É o estranho silêncio Que chega logo após o grito Viver é todo dia escapar da morte Sentir que o fim é inevitável E que não adianta ser forte Um dia o colosso cai Vai de bico Até o nunca mais A vida é o sopro De um velho confuso Que toma remédio para memória Mas esqueceu da hora Perder quem a gente ama Não é uma derrota justa

Carros

  Tudo parado Trânsito pesado Paciência zero Dois ou três cigarros Olhando pela janela Xingando outros carros Sob o sol do meio-dia Todas cores Toda vida Presos em ruas E longas avenidas Nós dois Matando o tempo Morrendo por dentro Agora virou depois Vamos descer E correr na direção contrária Procurar o caminho de casa Deitados na cama Maços e cinzeiros Empresto o meu isqueiro Mas por favor, devolva-me

Depois da Chuva

  Porta aberta Que nunca fecha Vai e volta Erros e acertos Apuros e apertos Vida nova Mas amanhã Posso mudar de ideia Voltar ao que era E tudo bem O sol fica mais bonito Depois da chuva Todo o brilho que brilha Liberdade das cores O tempo é curto Outros sabores O pote de ouro É recompensa Um prêmio Liberdade assistida Vigiada A porta continua aberta E a janela quebrada

Pose

  Todo dia uma foto A mesma pose O mesmo sempre Tudo igual, tão igual Tão diferente Pés para cima Mãos na parede Seu sorriso Explodindo para o mundo Seu caminho Em meu caminho Nada mais profundo Tem o equilíbrio perfeito Constrói seu próprio tempo Os gostos, os sabores Perfume das suas flores Do seu lindo jardim Estou bem no centro Na mosca do seu alvo Seus movimentos Friamente calculados Os seus lindos retratos No álbum dos meus olhos

Latas e Dramas

Sigo chutando latas Não encontrando graça Em quase nada Tinha tudo para ser feliz Mas nem sempre é assim A gente até tenta sorrir Mas o corpo é sincero Não sabe mentir Entre acertos e erros Alguns traumas Muitos medos Como vai ser o amanhã? Será que vai ter amanhã? Quero apenas resistir Ou gostaria Sobreviver ao caos Mesmo sem alegria Tristeza dos olhos E do coração Sofrimento da alma Mesmo acompanhado Preso na solidão Tudo bem Nem sempre está tudo bem  

Ódio e Liberdade

  Lutei por liberdade Encontrei o ódio Ser livre incomoda tanto Em casa procurei apoio Acabei no pranto Nunca é fácil Não achei que seria Mas quero meu espaço Viver apenas minha vida Em paz Quem ameaça fere Quem fere machuca Quem machuca mata Quem mata não ama Existir não é direito É quase questão de sorte Sobreviver só para quem é forte Lutei por liberdade Sim, eu lutei Dei de cara com a morte

Escudo

Palavra que ataca Palavra que defende É flecha, é escudo Sedução Ternura rebelde Anjo torto Fogo e tentação Na gaveta dos bons versos Os mais espertos Papo legal (Reto) Dedo na ferida A gente chama de vida Fora do normal Língua sedutora Presa entre os dentes Solta para desafiar Líderes e Presidentes Os poderosos Os que não sabem amar Resistir é sobreviver Viver nas melhores mentes Ficar para sempre Na saudade desse povo doente

O Eu Te Amo de Jaime

  Hoje é tão fácil Dizer "eu te amo" Está na moda Todo mundo fala Dizer "eu te amo" Não requer prática Nem habilidade Apenas algumas doses Da boa e velha falsidade Só o poeta é sincero Esse fala sem medo Diz que ama Que não ama Conta tudo em uma canção Não guarda segredo Como um barco de papel Viajando pelo oceano Dando adeus É o fim do "eu te amo" Hoje é tão fácil Tão fácil Para qualquer otário

Espaço

  Na imensidão do infinito Todo lugar é destino Mas nada é melhor Que o nosso refúgio O nosso ninho Onde escolhi viver Onde escolhi estar Apenas para ser feliz Ou pelo menos tentar Eu tento Deitado no quintal Na janela do quarto Contemplando o céu Um recorte, um retrato Meu pequeno espaço Onde sou fiel E eu vou Vou e sempre volto Nada é melhor que voltar Nosso canto Onde o silêncio mora Onde resolvi ficar

Sujo e Lindo

  Estão descobrindo Que o amor é lindo E o prazer é sujo Estão percebendo Que não existe momento Uma boa loucura Aventuras No silêncio do olhar Os melhores desejos Em qualquer lugar Faltando espaço Sobrando esforço Céu da boca Noites longas O maior segredo do amor É não ter segredo É preciso ter tempo Dar um tempo Estão descobrindo Que o amor ainda é lindo

Jovem

  Eternamente jovem Somente para quem morre Quem tem essa sorte Ir cedo demais Toda beleza Em uma mesa Todos olhando do alto Bem perto Repleto de elogios Ontem estava tão bem Hoje também Nunca teve tanto talento Entre mortos e feridos Nenhum arranhão Não tinha inimigos Parece que está dormindo Viver muito É ter dor É sofrer Também é ser feliz Sobreviver Eternamente jovem Juventude eterna Para quem deixou de viver

Pela Casa

  Pela porta de vidro Vejo meu mundo Vejo meu filho Seus brinquedos espalhados Seu tempo guardado O mais lindo sorriso Paredes amarelas A cor do seu cabelo Subindo escadas Toda velocidade Desafiando o medo Seus riscos e rabiscos Desenhos bonitos No uniforme da escola Nome e sobrenome É hora de ir embora Pela porta de vidro Correndo pela casa Em um canto da sala Sua gargalhada Enrolado na cortina Fazendo bagunça Fazendo vida

Rosas

  Roubei rosas do seu jardim Flores para usar no fim Corri pelo corredor de sua casa Dei um oi e fiz minha graça Eu juro que fui feliz Você olhando e não enxergando Ainda estou por aqui Seu tempero cozinhando Não chore pois estou chorando Com você fui muito mais feliz Em noites escuras Siga meu rastro de luz Vou acompanhar Por onde você andar Becos, vielas e ruas O nosso caso de amor Na tela da televisão Uma cena de novela Filme cheio de paixão Roubei rosas do seu jardim

Sozinho

  Mesa para dois Minha solidão e eu Um só coração Que bate, apanha E quase morreu Um cinema Um bom vinho O prazer sozinho Carreira solo Sou um monólogo O mais distinto Faço declarações de amor Em silêncio A qualquer hora Qualquer tempo Solitário cidadão Feliz mesmo na mão Um brinde para ninguém Para quem está bem Quem não tem perdão

Solidão

  Mesa para dois Minha solidão e eu Um só coração Que bate, apanha E quase morreu Um cinema Um bom vinho O prazer sozinho Carreira solo Sou um monólogo O mais distinto Faço declarações de amor Em silêncio A qualquer hora Qualquer tempo Solitário cidadão Feliz mesmo na mão Um brinde para ninguém Para quem está bem Quem não tem perdão

Sonhos

  Mundo de despedidas Idas e vindas Inevitável Trem de portas abertas Estação saudade Quem fica, quem vai Até um dia Até nunca mais Sempre triste Quem vive, existe Vai partir, sumir Desaparecer diante dos olhos Renascer no coração Lei da vida, regra Não tem segunda chance Sem perdão Tudo bem Daqui um segundo não Data marcada Desconhecida Mais chegadas e partidas O fim dobrando esquinas Sorte que ainda posso sonhar

Café

  Relógio de corda Ajustado É hora do café Que eu mesmo faço Água fervendo Todo o cuidado Um papo no jardim E no terraço Piloto automático Desligo tudo Tomadas Telas no escuro Já é noite Vejo girafas Hienas Minha casa Minhas besteiras Enfeites na geladeira Enxergo beleza Na organização Meu ritual Minhas vitaminas Mais uma dose De paz e adrenalina

Última Vez

  Era última vez E eu nem percebi Hoje sei o que perdi O tempo passou E não volta mais O que era bom Ficou para trás Abraço, sorriso Um beijo Olhar de carinho Desejo Um dia acabou Chegou ao fim Colorido sem cor Preto e branco que apagou Enorme estrago Triste e amargo Pouca coisa sobrou Uma segunda chance Tudo como era antes Onde estão vocês?

Fruta

  Na geladeira Uma fruta saborosa Suculenta Sabor de pecado Gostosa O gosto doce O doce gosto do prazer Juntando desejos Fome com vontade de comer Comer sem medo Nenhum receio Até morrer Maçã mordida Molhada e macia Sopa quente Esquenta noites Esquenta vidas Nas melhores esquinas Na ponta da língua Que delícia Livro de receitas Kamasutra culinário Começa na cozinha Termina no quarto

100

  E falta muito pouco Para 2078 Para os meus cem anos Para fazer novos planos E pensar no futuro Conhecer pessoas Mais novas, mais velhas Curtir tudo na paz Na boa Lembrar o que passou Pensar no depois O que não acabou Vou ensinar o mundo Vou aprender mais um pouco Ainda sou novo Uma criança pensando longe O Rei de um povo Festa, trabalho Baladas, namoros Um ser tão raro Contagem regressiva Um pouco mais de vida Chegando 2078

Hoje Eu Sei

  Agora sei de tudo Qual era o melhor caminho O que deveria ser feito Hoje eu sei O preço que paguei O tempo que perdi Os erros que cometi Agora eu sei O mistério Nem era tão misterioso assim Estava na cara Só descobri depois do fim Nunca achei graça Saber o final do filme Antes do filme terminar Gosto das surpresas Grandes histórias Viver até acabar Acabou... Aqui desse lado É mais fácil Vejo e revejo Meu presente dentro do passado

Esquinas

  Línguas malditas Falando outras línguas Poliglotas do prazer Até o amanhecer Mesmo longe do sol Poesia sem rima Tesão em uma esquina Uma qualquer, qualquer uma O corpo exposto Sem gosto Que brilha na noite fria Noites frias Mão que esconde Apresenta o desejo Contradições Delírio sem beijo Na calçada da fama Vida de mentiras Procurando verdades Maçanetas sujas Camas desarrumadas O drama e a vontade

Janelas

  Quero você aqui Cantando todo dia Sua voz pela casa Sua alegria Quero você aqui Em minha orelha Falando besteiras Portas e janelas Sempre abertas Pode chegar, entrar Venha logo Faz tempo que partiu Foi... Sumiu... Bem diante dos meus olhos Um enorme vazio Fala Fale mais Saudade de acordar Ao som do seu som Saudade quando não existia paz

Dinheiro

  Você vai ser esquecido Daqui alguns anos Alguns dias Uns segundos Não vai ser lembrado O nome vai ser apagado Você vai ser esquecido E seu dinheiro vai ficar Em um cofre Nas mãos dos outros Não adianta discutir Muito menos brigar Caixão não tem gavetas Nem espaço para lamentar E você vai virar pó O tempo não tem dó Atropela e passa por cima Hoje paz, amanhã sem vida Suas foto vão desaparecer Não vai sobrar nada Nem seu orgulho Sua arrogância O buraco é o mesmo Para o rico, o pobre Até o sem defeitos

Medo

  Tenho medo do tempo Que cura, mas apaga Ameniza, mas esconde Cria névoa, faz fumaça Tenho medo de esquecer Por isso falo alto Conto, escrevo Confesso Cito cada instante Cada gesto Seu sorriso em outra pessoa Vejo sua paz Procuro sempre mais Terra ou ar Fechadura sem chave Porta aberta Estrela que brilha Noites em claro Esperando sua visita Tenho medo do tempo...

Prece

  Mais um dia Eu aqui nessa rotina Novamente acordado Nenhum sacrifício Sou abençoado Canto canções Que você não conhece O meu canto é tão bonito Lembra o som de uma prece Eu canto para você Por você E aqui estou Guardado em meu quarto Com minha paz Que hoje é solidão Qualquer palavra minha Tem o peso de uma vida A fúria de uma nação O amor está guardado Embalado em sete caixas Molhado pelas lágrimas Ao som de uma música Que toca sem parar Simplesmente não para

Figurinhas

  Vamos trocar figurinhas Fazer um pacto de sangue Vamos repetir o passado Igual como era antes Vamos relembrar os bons tempos Velhos tempos Tudo era tão simples Bem diferente de hoje Que até o amor é triste O perfume ainda está pelo ar Retratos da alma O prazer é incontrolável Incurável No quesito vontade Não passamos fome Pratos e talheres Guardanapos com o nosso nome Vamos trocar figurinhas...

Será Que É Hoje?

  Acordei estranho Esquisito Será que é hoje? Será que é o dia? Já tive fé Hoje nem sei Essa vida cheia de talvez Acordei meio estranho O mundo está parando Parou Será que é hoje? Rezo uma reza que inventei Tchau para os que sempre amei Um livro sobre minha vida Minha trajetória Loucuras e poucas glórias Espalhe minha história por aí Ainda vou voltar Mas por enquanto é hora do adeus O sono dos justos Agora estou bem Melhorei