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Sujo

Meu amor é sujo, imundo Reprovado pelo mundo Meu jeito romântico de ser Não agrada, desagrada Mas importante mesmo é agradar você O "eu te amo" provoca dor Mas dor também é uma forma de prazer O beijo está sempre perto da mordida Tristeza só na despedida Barulho que incomoda tanto Tirem as crianças da sala Todos têm pecado, Pecados Até quem tem cara de Santo Meu caminho é desvio Por onde poucos querem passar Gosto sempre do perigo Enfrento desafios, Sensualidade em uma simples troca de olhar Quem tem moral? Qual sua moral? O medo não é desespero Nem fora do normal Hoje eu só quero sua loucura Atormentando meu pensamento Eu gosto, gosto mesmo do seu tempero

Todos os Ritmos

Sou todos os ritmos Sou todos os estilos Sou poesia popular Sou a boca suja do sem educação Sou gato pardo com apenas mais três vidas Sou o desenho rabiscado no chão Sou tudo, sou nada Sou quase uma piada O silêncio que não para de gritar Sou Rei sem trono Não encontrei ainda o meu lugar Sem guia, sem mapa Sigo fumaça branca Sou guardião dos segredos do Papa Meu corpo não tem cor Sou qualquer um Que aprendeu viver com dor, Conviver, sobreviver Em um mundo que não conhece amor

Dois Segundos

Dois segundos Para um novo pensamento Dois amigos, dois gênios Vida boa, bons momentos Dupla que ainda cabe no mesmo palco Dois dedos para um show inteiro Alto com o som do baixo São dois brasileiros Quem tem medo de lugar nenhum? Os bichos vão se adaptar Todos prontos para ouvir Dupla de dois Dupla que vai cantar Paralelos, paralelas Poetas, poesias São artistas Nomes com letras parecidas O "N" sempre aparecendo Ligando, interligando Arnaldo com Nando

Um a Um

O Djavan quer um a um O Djavan quer ver gol O Djavan está na torcida O Djavan não quer o fim da partida Corpos em um ritmo frenético Movimentos repetidos Atletas do prazer Do grito de quase Até o chute certeiro O amor é um jogo entre artilheiros Ataque é sempre a melhor defesa E vice e versa Bola na rede nos melhores momentos O "se" nunca tem vez Na trave não vale Não existe talvez Caiu em minha área não é pênalti Falta é você quem faz Quando é bom tem acréscimo Time titular Treino é treino, jogo é jogo Olha o resultado no placar

Segredo

Qual é o seu segredo? Qual é o seu medo? Por que de tanto silêncio? Por que tanto desespero? Segredo bom, até existe Mas no fundo, bem lá no fundo Todo segredo é triste Sem olho no olho Sem encarar O coração é um cofre fechado Trancado com sete chaves Somente o necessário Segredo é pecado Segredo na mão de amigo, É paz Na mão do inimigo, É arma Segredo é para si mesmo Ou no máximo para dois Segredo é dor Pouca gente entende O segredo de liquidificador No meu ouvido todo segredo morre

Ruas

Ruas, avenidas, estradas Entradas para o melhor caminho Retas e curvas Sem acostamento Para você viajar em mim, Por mim Entre em seu carro Que vou pilotar o meu Vamos nos encontrar além do limite Onde só existe o fim Quem chegar primeiro Espera o outro com flores nas mãos Uma carta, um violão E cante nossa canção Que tudo termine em um beijo O que ninguém explica É a força de um desejo Vamos plantar uma árvore Nossos livros são nossos filhos O amor é cheio de desafios De mãos dadas vamos voar Todo casal tem um apelido Melhor palavra é dita com o olhar

Morrer

Morrer em paz Morrer em guerra De barriga cheia Em um jardim sem flores Olhando um quadro na parede Tomando veneno, morrendo de sede Apenas morrer Como vai ser o seu último dia? Já tem data marcada Só não é revelada Como diria o Rei É preciso saber viver Sem medo, Um dia vamos todos morrer Morrer faz parte da vida Morrer dormindo é acordar morto Sentindo o gosto do fim Olhando todos do alto Enterrado ao som dos aplausos Quem morre deixa de ter pecados Vira Santo Eu sou um Santo, Ainda vivo Morrer é continuar sonhando Não se iluda Com gente falsa chorando

Fome de Você

Na beira da piscina Atrás do poste em uma esquina Num hotel vagabundo Banheiro sujo Degrau da escada Em uma rede na sacada Todo lugar é um bom lugar Para se deliciar e jantar, Você Garfo e faca Ou até colher Também posso usar as mãos Não importa o talher Importante é devorar No prato, em cima da mesa Doce sabor do alimento Dentes afiados para mastigar, Você Cadeia alimentar Hoje é minha vez Ontem não fui eu Quem se deliciou com seu prazer Foi um outro alguém Vou tirar barriga da miséria Comer até morrer Pagando com desconto Zero oitocentos, na faixa Sem fome, Quase de graça Self service, rodízio Amor de cidade baixa

Abusados

Rebelde, adorável, abusado Cheio de segredos revelados Crucificado por vivos que já estão mortos O menino ainda está na pista Tem cara de artista, Poeta do sexo, do contrário Cronista do tempo que não parou Na voz do amigo, No amargor do inimigo O sonho apenas repousou Está no alto da montanha Vez ou outra aparece voando por aí O seu som imaginário No espelho, no retrato No trago de um cigarro No gosto de qualquer beijo Todo amor começa no pecado Termina em reza, oração Olhos fechados Eu sempre vejo sua música Penetrando minha alma Morando em meu corpo Coloco o tênis e visto blusa Para esquentar meu sangue Sou gota, sou oceano Nunca sou como antes

Contrários

Gosto, De ouvir o cantor falando Gosto, De ouvir o que o sujeito está pensando Nem toda palavra vai me convencer Mas quero ouvir Para concluir e tentar entender Jardineiro que faz pipoca Arquiteto que arruma carro Doente que ensina viver Louco tão sensato Pipoqueiro vendendo flores Mecânico construindo ponte Vida que renasce O louco ainda mora dentro de você Quero ter um pouco mais de paz Vou ouvir Lenine e ter mais paciência Que o ritmo do mundo seja Milton Nascimento Meu ano tem dezoito meses Todo dia é dia de ser feliz Só entender o melhor momento É no labirinto que eu me acho No escuro que enxergo tudo Durmo quando sonho Minhas melhores opiniões Eu grito de cima do muro

Radinho da Sonífera Ilha

Não vivo sem o meu radinho Levo comigo para qualquer cantinho Pilha nova para não ficar sozinho Escuto vozes e não tenho medo Descanso os olhos e alimento o ouvido Minha vida tem ritmo, mas não tem enredo Vou tomar sonífero em uma ilha Dormir e acordar sem companhia Sem uma boca, Mas cheio de luz do sol Nada como ouvir meu radinho Radinho de pilha Uma antena para ficar sintonizado Ligado sempre em você Ondas no ar, ondas no mar Sua voz invadindo Ecoando, ecoando Minha solidão Monólogo que nunca vai acabar

Preta

Nuvem preta Chuva branca Céu que era azul Escuro da noite Brilho que não existe mais Janela fechada Luz que apaga Raio que não traz paz É água que vem Para lavar corpos, Alma Abençoar quem está partindo Chegando, Saindo, sumindo, de fininho Vai para o céu Mão do pai, eterno céu O limite do céu O infinito sempre um pouco mais além Leve sempre alguém Ao topo do mundo Perto do céu