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Flor

  Todo dia uma flor Para o meu amor Uma rima pobre, boba Minha poesia é cafona Mas é assim que eu sou Cito frases prontas Eu sei, eu falo demais Mas esse é meu jeito É assim que eu sou Assim que eu sou Eu acho toda música romântica Você acha brega Eu conto um segredo Você cai na risada Eu falo que tenho medo Você mata até barata Nem tudo é perfeito Sou imperfeito Eu corto caminho Mas mesmo assim Nunca chego em primeiro Nem rosas, nem orquídeas Tenho dinheiro só para margaridas Sou artista, sou mambembe O que vai mudar sua vida

Tempo Bom

  Amanhã promete tempo bom Mas já não tenho mais interesse Amanhã é tarde demais Não vai voltar para trás Passou, passou Dedo no gatilho, apertou já era Não existe arrependimento Para uma besta-fera E quando o revólver Está dentro da cabeça Tudo perde o sentido Toda palavra é um tiro Quando o amor vira violência Todo beijo é de vampiro Vou dar meu último grito Enquanto ainda tenho força Logo estarei calado Guardado dentro de mim E já não tenho mais pressa Daqui a pouco é meu fim Amanhã promete tempo bom

Papa

  O Papa é pop O Papa tem razão Ou não Brasil da fé, da oração Brasil da cachaça Do ódio de alguns Dessa gente de raça Brasil do povo sofrido Do miserável, do rico Um país doente Do corpo, da alma e da mente Que bebe para esquecer O Papa sabe bem como é Já que é para morrer Melhor morrer tomando um mé Desce uma, desce outra Um Pai Nosso, depois um amém Já diria o poeta Bar é a igreja do bêbado Um gole para o Santo Outro para dentro O Papa sabe tudo O Papa está vendo Um brinde Para o jeitinho brasileiro Para o fiel, para o bom cachaceiro Um brinde

Caetano

  Agora vou ouvir Caetano Até amanhecer, até aprender Ser um pouco mais feliz Agora eu vou ouvir Vou ouvir Caetano Só mais este ano Até o dia de morrer De amor, de amor Vou ouvir Caetano Enquanto olho para lua Ando descalço, pelado De alma nua Vou ouvir Caetano Até esquecer da vida Virar uma causa perdida Para tudo tenho um plano De amor, de amor Nem toda noite é escura Nem toda paranoia é loucura Quero e preciso relaxar Nada é estranho, nada Mesmo tudo fora do lugar Vou ouvir Caetano

Amigo

  Sou amigo de um artista Que já partiu, já foi Converso e troco confidências Sou amigo de um artista Que já não está mais aqui Canto suas canções Escrevo suas emoções Toda noite antes de dormir Sou o porta-voz A voz de quem já não pode mais falar Sou o canto, a poesia De quem ainda tem muito o que mostrar Sou o seu olhar Toda sua rebeldia Sua tristeza e alegria O dedo na ferida Dor que vai além, muito além Indignação não acaba, não termina Nem mesmo depois da partida Sou o instrumento, o caminho Continuação do tempo que não parou Apenas sou, sou O que sobrou do amor

Amor Legítimo

  Todo amor é legítimo Lindo demais Todo amor vale a pena Mesmo em camas pequenas Com estranhos casais Estranho mesmo é não amar Amor, Paz e guerra Nem tanta paz, Nem tanta guerra E não queira entender O que dá prazer O que é bom para um Pode não ser bom para você O que entra e o que sai Do coração de um apaixonado Não interessa pra ninguém Amor tem gosto, tem cheiro Desejo que vai muito mais além O amor é cego Mas enxerga várias cores No claro, no escuro Atrás do muro O amor não tem limites Nem sempre alegre, Nem sempre triste Todo amor é legítimo

Presente

  O presente realmente chegou Embrulhado, empacotado Com cheiro, com gosto Com gosto que faz bem O presente chegou Junto com um bilhete Sua letra linda, recomendações Matando minha fome, minha sede Mãos ao alto, na parede Eu me rendo, faz tempo No final todo mundo fica feliz Você aí do alto Eu aqui digitando senhas Sei bem a melhor maneira De fazer alguém especial sorrir Meu melhor presente ainda não chegou Vai ser o próximo, depois do próximo Com uma nova carta, suas palavras Suas risadas no papel Menina má também vai para o céu Eu vou junto, junto Amarrado, amordaçado Eu juro que vou

Na Cabeça

  Marteladas na cabeça Um tiro no nariz Flores em vida Sétimo dia Não estou mais aqui Forte igual formiga Carregando o mundo nas costas Esmagado, pisoteado O branco dos seus olhos Olhando para mim Querendo tomar meu corpo Invadir minha corrente sanguínea Anjos e demônios Toda noite é fria Vida em jogo Na fila para o inferno Rasgado ou de terno Doce sabor do veneno Nem sei mais quanto tempo Ainda vou suportar Sou do tamanho da minha sorte Sou o encontro do azar

Janela

  Janela aberta, mundo lá fora Muito mais que o meu umbigo Vejo guerras, vejo bombas Tudo ao contrário Sou um grão de areia Sou quase nada no infinito Viver é um grande perigo Mudei o meu discurso Cansei de ser surdo Tirei meus óculos escuros Cansei da lua, sou da rua Espalho poesias, sou um nobre artista Tudo vai ficar bem De braços dados, juntos Forte, sempre forte com mais alguém Meu protesto é minha voz Minha voz, um sentimento Sem medo, com tempo Janela aberta, mundo lá fora Tenho pressa, tudo é para agora Estou indo embora

Sopro

  Vida é um sopro Frase batida, repetida Algumas vezes esquecida Nem todo mundo tem bom gosto De viver correndo risco Escapando por pouco Vida é um sopro Outras vezes um furacão Um copo meio cheio, meio vazio O instante de um grito Uma queda no meio-fio Ter pressa e ainda ter tempo Para ir até o sol Pegar um bronze Sentir o vento Transas e caretas Dramas e trombetas Antes do fim do mundo Antes de morrer Todo dia aprendendo viver Castelo de cartas Cartas marcadas Vida é um sopro É tudo, é nada Vida, vida, vida Calendário sem data

Inseguro

  Um cara inseguro Eu sou Falo isso com segurança Escrevo livros de duas páginas Escrevo meus sonhos Gosto de falar dos meus heróis Falar das minhas angústias Prazer e aflição dentro do meu silêncio Minha insegurança Minha graça, minha sorte, minha maldição Sempre atento, sempre Com o ouro na mão Compulsivo e satisfeito Procurando precisão Até pareço perfeccionista Eu não sou Gosto da imperfeição Inspiração, transpiração Esforço sobrenatural Diariamente Discordância, raiva Produzindo conflitos, atritos Buscando o equilíbrio E quando eu morrer Minha obra vai ficar Na prateleira, perdida Meu trabalho, meu legado Vivo, eternamente vivo

Seu Olhar

  Seu silêncio que fala Mais de mil palavras Seu olhar, um olhar Que comanda e maltrata Mas juro, eu juro De que eu gosto, gosto muito Entendo seus sinais Sua fúria bem guardada Sou seu alvo fácil O que não reclama de nada Agradecer Antes de tudo, antes de morrer Sobreviver Contando os segundos Acatando o seu parecer Entrego flores, cada pedaço Do meu corpo, do meu gosto Minha vontade de ser O que você bem entender Cor Qualquer cor A cor que você escolher Usar, calçar, vestir Não resistir Quem entende o prazer? Nem tudo tem explicação O perigo é um detalhe Doce sensação