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O Amor

  O amor venceu O amor nunca perdeu Quem perde é quem não ama Quem tem raiva do amor O dono de um coração peludo Que ainda não entendeu o mundo Criou disfarce, vive da maldade O amor venceu Quem diz estar vivo Mas cheira mal, apodreceu Quem é puro de alma Sabe, sempre soube Que o amor, o mais puro amor O amor venceu

Dramático

  Vou roubar flores do seu vaso Para você dizer que sou exagerado Vou chutar o balde, gritar Fingir que sou seu namorado Vou fazer um bolo, oferecer um pedaço Vou pedir um beijo, pelo menos um abraço Vou subir no oitavo andar Chamar seu nome Fazer uma cena e depois chorar Hoje não tomei remédio Amanhã vou tomar três Longe de você é um tédio Todo apaixonado é um pouco louco Todo louco um dia se apaixonou Nem todo gato é vira-lata O largado também tem raça Não sei mais quem sou Tudo tão confuso, mas sempre igual Destino indefinido Amar demais não é natural

Anjo Torto

  Olhos abertos, pés no chão Mais um dia, alegria Vivo, no ritmo da canção Coloco minhas asas, vou Voando por aí Canto por todos os cantos Volto, cansado volto Para beijar, amar e dormir E amanhã, amanhã Tudo outra vez Nas janelas observando casais Nas antenas esperando sinais Sou o mensageiro da paz No alto de um morro Um tempo para respirar Ar puro, tristezas do mundo Tentando iludir o olhar Mais uma vez estou voltando Para meu quarto, meu recanto Estou velho, não estou morto Sou apenas um anjo torto

Metade

  Será que já cheguei Na metade da minha vida? Será que amanhã é festa Ou o dia de despedida? Será que entrei em sua mente Nessa manhã azul e linda? Será? Muita pergunta, pouca resposta Não sabemos de nada, nada Descobrir o segredo é tão sem graça Curiosidade mata antes da hora Tudo tem o seu tempo Não precisa ser agora Não conheço o caminho de ida Prefiro esquecer o caminho de volta Gosto do bom gosto da surpresa Amanhã posso não estar mais aqui Que pelo menos eu esteja Em sua lembrança mais gostosa Sua saudade mais safada Naquele instante que não volta

Asfalto Quente

  O asfalto está tão quente Vou sair daqui agora Mas não vou para longe Não posso ficar de fora Estou sempre atento, de olho O mundo não é perigoso Perigoso é o bicho homem Sua vontade de fazer maldade Vou sentir o sabor do vento Procurar o tempo de paz Escapar do olhar do ditador Vou entregar flores, recitar poesias Falar daquilo e também do horror Ano passado eu não morri Esse ano ainda não Não estou no chão Não chegou o meu fim Sei muito bem o meu lugar Não aprendi disfarçar É proibido proibir É sempre melhor assim Super-herói não existe Tem dia que o dia é triste

Sua Voz

  Gosto da sua voz Falando, cantando O seu rock n' roll Feminina, cheia de força Suave ou rouca Sua voz é um beijo Sensual em minha orelha O brilho de uma bromélia Em uma noite de lua cheia Eu já conheço faz tempo Seu passado, seu presente Seu tom, seu agudo, seu grave Eu gravei em minha mente Até o que você não sabe Nós dois em um mesa De casa ou de bar Ar livre ou sob o teto O som que toca no inferno Para nenhum anjo reclamar Nós dois falando, cantando O seu Rock n' roll Na sua garganta seca Quem sabe uma breja Nosso sonho não acabou

Mundo Paralelo

  Mundo paralelo Atrás do espelho Tudo ao contrário O falso e o verdadeiro É preciso ter cuidado O perigo é dobrado Avesso, reverso Reverso do avesso Não existe lado certo Todo lado tem seu peso Quando você vai Estou voltando Quando você volta Já estou voando Longe dessa loucura Longe da sua loucura Prefiro ficar na minha Em qualquer canto Suas fantasias, seus delírios Certo e errado Cada um sabe seu caminho Não queira ensinar O Pai Nosso ao vigário

Silêncio

  Silêncio que tanto barulho faz Casa vazia, cheia de lugar Solidão é medo, muito medo É o tempo que não volta mais Ausência é presença de dor Amor que só aumenta Coração vazio de um sofredor Olhos fechados para lembrar Para não esquecer De quem um dia sorriu Hoje partiu deixando rastros Um enorme espaço O silêncio que tanto barulho faz Prato virado na mesa, tristeza Taças na estante, noite sem par Telefonema sem alô, sem resposta Bumerangue que vai e não volta Destinatário não encontrado Bússola sem norte e sul O beijo tão sonhado Está dentro do céu azul

Sim ou Não

  Seu sim, seu não É um pão recheado de talvez É vontade contida Medo de viver Sua demora para pensar, decidir Ansiedade, muita vontade Esperar, esperar até morrer O sol já foi, mais um dia, vários dias Tudo passa muito rápido Ao mesmo tempo arrastado Nem hoje, nem amanhã Pior das sensações O "Se" do Djavan Folhas, flores, frutos Ciclo da vida Preciso de respostas Preciso encontrar uma saída Paciência é uma virtude A minha já está na lua Esperar o seu sim ou não É tristeza, é amargura Na porrada eu aprendi Nem toda pergunta tem resposta Nem toda resposta satisfaz Sobreviver é um jogo de sorte ou azar

Retrato

  Recusou um cigarro Mas aceitou um beijo Vício maldito, maldito vício Fugiu de casa, correu Morreu e renasceu em outro lugar Meia-noite é meio-dia Luz da rua é o sol Cada carro uma história Uma isca em seu anzol Recusou um beijo Mas aceitou um cigarro Na solidão de um quarto Um desconhecido ao seu lado Vício maldito, maldito vício Amanhã tem mais, muito mais Prazer sem desejo E tanto faz Um banho para tirar o perfume O jantar no café da manhã O cochilo depois do trabalho Um beijo no porta-retrato É hora de partir, gemer sem sorrir Viver, amar, sofrer Sofrer, amar, viver

Paul

  Eu gosto do cinza Do céu nublado O vento gelado O chá das cinco Paul e seus amigos Sonhos conquistados Flores, cães e gatos Noites com trilha sonora Fogueira e violão Nossa casa, nosso lar Onde mora o amor Onde mora Casa na árvore O fruto da flor Carinho de mãe Beijo de avô Todo remédio é ácido O corpo é fraco Tenho saudade de um alô Eu gosto do frio De um sorriso tímido Mãos nos bolsos Passos lentos e bobos Paul e seus amigos Sou o quinto Beatles

Adeus

  Sou do Norte, sou do Sul Sou do Brasil Nasci para dar tchau Para não estar mais aqui Sou poeira encontrando o vento Um tempo que passa rápido Hoje sou corpo presente Amanhã virei retrato Por onde passo deixo flores Espalho sorrisos, risos Meus rastros são seguidos Por fãs e desconhecidos Toda noite o mesmo grito Meu nome na boca do povo Gente de bem, outras nem tanto Virei um maldito Ser sozinho, solidão Não é pecado, nem errado Pode ser opção Espelho como companheiro Lembranças de um cheiro Um aceno com a mão E quando bater saudade Uma linda canção Cheia de versos e rimas E lágrimas, todas Lágrimas do coração Sou do Sul, sou do Norte Sou do Brasil