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Mês Vinte e Três

  Mês vinte e três Dia cinquenta e dois São sete luas, três sóis Gente que chegou depois Tudo diferente Noites quentes, óbvio Beije minha boca É o último dia Não temos mais vida Não existem mais flores O futuro é um passado Sem nenhum motivo Estamos perdidos No tempo, no espaço Não vamos morrer Apenas acabar, sim Deixar de viver Parece tudo um sonho Mas ninguém pode provar Capítulo de um livro Página repetida para decorar O som das nossas vozes Em palavras e estrofes Mês vinte e três Dia cinquenta e três

Amor de Almério

  O amor Nunca sai de moda Antigamente ou agora Música para os meus ouvidos Falo eu te amo aos gritos Ou nos versos de uma canção De um poeta morto Viveu muito em poucos Anos dentro de uma paixão Amor Sem cor Com todas Forças do céu Do mar que vem Que vai Na areia da praia Na base do olhar É minha forma de amar Amor É dedo na ferida Chegadas e partidas Nem tudo são flores Mas eu adoro assim, adoro Um trem desgovernado Sou eu apaixonado O amor É uma mentira bem contada Eu nunca cobrei a verdade

Brinquedo

  Brinquedo roubado Dinheiro trocado Tudo faz chorar Relógio atrasado Beijo negado Tudo faz chorar Revolta, desgraça Tapa na cara Doença rara Vida amarga Eu vou chorar Toda lágrima é salgada Tristeza explode na madrugada Quando não existe mais palavras Eu só sei chorar Nem tudo é alegria Nem tudo é risada O que vem depois da gargalhada? Vaso sem planta Música do Nando Feijão no pote de sorvete Morte do mocinho Falta de carinho Adeus em um bilhete Quero ver não chorar

Desejo

  Do seu lado eu vejo Quantos lados têm um desejo Passos largos eu dei Todos em sua direção Agora que alcancei Sei o quanto é bom O bom de estar sempre Ouvindo sua voz Sentindo suas mãos Quanto tempo vai durar Isso eu não sei, não sei O importante é aproveitar Nos braços, no colo do amor Um amor Vai do zero até o prazer Nas noites quentes Nas noites frias que ficam quentes Um cigarro para relaxar Depois um pouco mais O fogo que está na gente Do seu lado eu vejo Quantos lados têm um desejo Quem não sabia Agora sabe Quem não conhecia Agora conhece Todo encontro É um encontro marcado Agenda do destino Tudo programado

O Tempo

  Na janela fico olhando o tempo Por um instante passa tão devagar Olho seus cabelos brancos Que não param de chegar Sinto o sopro do vento Continuo olhando o tempo Em silêncio gosto de observar Seu sono, sua paz Lá fora está tão frio Sopro meu café quente Fico aqui esperando Seu despertar, seu sorriso O amor é sempre motivo Para continuar vivo No rádio aquela canção Que você não consegue ouvir Eu também não É choro na certa Lembro cada festa Importante é estar ao seu lado Antes que seja tarde, tarde demais Carinho sempre é bom Amanhã pode ser nunca mais Já virou noite Hora de dar boa noite Daqui a pouco eu volto Para olhar se está tudo bem Está tudo bem Ainda bem

Bala de Mimimi

  Bala de hortelã, de iogurte Bala de fuzil Gosto amargo de Brasil Sempre fui alvo, a mosca Nunca chorei, quase nunca Mas não desisti Nem fiquei de mimimi Guarde sua esmola Não sou coitadinho Na quebrada sou forte Fora dela também Não fico reclamando de tudo Sou filho, sou fruto De toda sorte para seu azar Bala de hortelã, de iogurte Bala de fuzil Gosto amargo de Brasil Meu textão é na prática Poucas palavras, fé e raça Não seja o chato O mundo não vai mudar Tire essa bunda do lugar Ninguém falou que seria fácil E assim é muito melhor Nem precisa ter dó Bala de hortelã, de iogurte Bala de fuzil Gosto amargo de Brasil

Meninos

  Os meninos estão correndo Fazendo vento, o vento Os meninos estão lutando Tentando segurar o tempo São meninos, apenas meninos Agora estão brincando Fazendo revolução Sempre existe um plano Tomando sonho no gargalo Rosto sorrindo, retrato Não, não é pecado Movimento, estão em movimento Os meninos estão correndo Fugindo da guerra, aprendendo Água, bolinha de sabão Qualquer brinquedo Os meninos são passarinhos Não sabem de nada Mas adoram ficar sabendo São meninos, pequeninos Futuro incerto, tão perto Vai ser assim, por toda vida Meninos gostam de aventuras Brincadeiras de rua Guris e Cazuzas Meninos, são meninos Troféu de menino é um sorvete Jogar bola no gol sem rede

Paredes

  Atravessando paredes Com flores nas mãos Solidão em noite quente O beijo é uma ilusão Momentos de tristeza Morto que ainda tem um coração Um caminho sem volta Sem chão, sem resposta Quero viver das glórias Que nunca vou ter Mas não custa nada querer O próximo passo Sempre tão desconhecido Sempre tão necessário Cada dia tão pequeno Para tanto espaço Estou ferido Eu fui ferido Faca sem ponta Em meu umbigo Atravessando paredes Estou correndo perigo

Estátuas

  Não brigo com estátuas Muito menos esculturas Não sou louco Não cheguei aos pés da loucura Não persigo o perseguido Não chuto cachorro morto Não ofendo pessoas Nem rabisco o touro Essa gente é tão estranha Essa gente é esquisita Finge gostar de pobre Mas prefere capa de revista Não quero saber De falso bonzinho O solidário sem pecado O perfeito certinho Vilão e herói Herói de hoje É o vilão de amanhã Depois tudo muda Vice e versa É tapa na cara Chute na bunda

Lua Mãe

  Lua cheia Luz Cheia de luz Mãe Acabou de nascer O mundo é azul É todo seu Filho de Deus De qualquer Deus Leve o amor Todo o amor Abra seu coração Lute com força Seja força, paz Verdadeiro irmão O fruto Vida própria Toda glória Seu caminho Destino O fim sempre está Atrás da porta Quando apaga Nada fica Apenas lembranças Alegrias e feridas Nada em vão Nada foi em vão O mundo é azul E o universo é todo seu

Crime e Castigo

  Crime com cara de acidente Marcas de um amor indecente Deixamos muitas pistas Culpados sem culpa Filhos da enorme loucura Embaixo da roupa A faca do queijo A droga em um beijo Beijo louco de língua Eu quero sempre mais Nós queremos todo dia Dinheiro que não vale nada Mas paga muita entrada Portas arreganhadas Corte de navalha O sangue já não é mais vermelho Perdeu o sabor e o cheiro Eu aceito o seu desespero O tiro desmanchou o seu cabelo Nosso pacto está desfeito Você morreu primeiro

Ódio

  No espelho o desejo Vontade que faz sofrer Seu ódio, sua raiva Matar para morrer Sangue nos olhos Sangue nas mãos Desalmado Para o ódio não existe perdão O grito em silêncio O silêncio do coração O arco-íris tem só uma cor Para quem não conhece o amor Motivo é não ter motivo Desejo assassino Lágrimas de crocodilo Felicidade que incomoda O problema é estar vivo Arco-íris monocromático Pare de ser problemático O amor é qualquer cor