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Abraço no Piano

  Abraço Amor que sai de um corpo E vai até o outro lado Abraço Todo sentimento em contato Despedida ou ponto de partida Eu quero um, preciso Daquele mais apertado Abraço é um laço Que prende, amarra Corpos, almas Um bom abraço Cabeça no ombro Um tempo, dentro Do mesmo espaço Calor, energia Momento mágico Magia Mesmo sem palavras Uma declaração Poesia Olhar o olhar Antes de um abraço Olhar o olhar Antes de mergulhar Repousar Perto do coração Quem recusa um abraço Não tem perdão

Abril

  Noite de abril Noite de frio Calor em outro lugar E quando acabar Coloque minha blusa Deite seu olhar Deixe eu acariciar Sua face, sua nuca Para relaxar Um banho quente Para relaxar um pouco mais Tudo é tão bom Mas fica sem graça Quando você vai... Nossa trama Tem amor, ação Tem mistério Minha janela está aberta Entre sempre sem bater Adoro em seus braços Morrer para renascer Um enorme escândalo Nossos nomes Na boca do povo, povinho Caretas E pensar que tudo começou Em uma noite fria de abril Quando o desejo, nosso desejo Não resistiu

Vai

  Vai na fé, vai Encontre sua paz Não existe nunca mais Para quem segue seu caminho Seu destino estava escrito Vai com calma, vai Qualquer dia eu apareço Para um abraço tão bonito Não olhe para baixo Atravesse sem medo Daqui para frente Não existe mais o tempo Vai virar nuvem Pássaro, lua Vai virar estrela Borboleta, chuva Virar pensamento Uma lembrança boa Bons momentos Estou do outro lado da ponte Jogando pedras no rio Sob o sol do meio-dia Depois da meia-noite Tentando enxergar além do horizonte Vai na fé, vai Vai...

Deu No Rádio

  Deu no rádio O céu está mais azul Anjos estão cantando Anunciando mais uma chegada Deu no rádio Traje de gala Som dos violinos Início de um novo caminho Deu no rádio Que não está sendo fácil Olhar o retrato Lembrar o almoço de domingo Do almoço de todo dia Do amor infinito Deu no rádio Que a porta está fechada A casa está vazia Toda aquela alegria Mudou para um outro lugar O melhor lugar O rádio parou, desligou Ficou sem pilha É o fim da linha, da vida Vai o corpo Fica a energia O sol está muito mais amarelo O universo agora é o seu castelo

Herói do Meu Herói

 O   herói do meu herói Morreu de overdose Gosto do brilho da manhã Da pureza dos seus filhos Do frio silencioso Da boca sem grito O mundo é da guerra O mundo é do conflito Só procuro um pouco de paz Será que é hoje Ou vai ficar para o nunca mais? Prefiro passos lentos Tudo bem pensado Depois do tiro Leio mais um capítulo Nessa história eu sou o livro O herói do meu herói Morreu de overdose Deito no sofá Espero amanhecer Escrevo poesias Mais uma bomba Noite virou dia Todo dia é um bom dia para morrer

Meu Lugar

  Portão baixo Lua cheia Futebol na rua Comida caseira Mapa da cidade Três esquinas Namoro na pracinha Minha terra, minha vida  Sou poeta, acho que sou artista Meu som Invadindo lares Cantor dos sonhos Dos bares Minha música  Morando em almas Pequenas vitórias  Minha vitória  Sou trilha sonora  Do seu novo amor  Do seu amor  Quando eu cansar Quando o mundo cansar Enjoar Da minha voz, de mim Voltar sem tristezas Simplesmente voltar Abraçar os meus Sem chorar Aqui, aqui é o meu lugar Nesse riacho Enxergo meu rosto Reflexo do que sou Tudo que restou Aqui sou o rei Mesmo sabendo Que ainda nada sei

Filho

  Todo mundo tem um filho Filho realmente filho Namorado, namorada Pai, mãe, marido Esposa, vizinho, amigo Todo mundo é filho Vô, avó, menino Cunhado, tio, sobrinho Aquela garotinha Quem esqueceu tudo Todo mundo é filho de alguém Pegue em minha mão Cuide de mim Fique comigo Vamos juntos até o fim Amor com amor se paga Braços dados, beijo na testa Respeito é o que resta Cuide mais de mim Amanhã pode ser tarde Adote minha alma Ninguém merece morrer sozinho Todo mundo tem um filho

Quinta Linha

  Quem ainda manda carta? Você Procuro meus óculos Será que vou conseguir ler? Letra tão bonita, palavras feias Acho que vou morrer Tenho certeza que vou morrer Já não enxergo mais nada Tropecei na sala Quase cai da escada Dia claro e eu na escuridão Um simples papel Acabando com um coração Parei de ler na quinta linha Na frase que termina com sozinha Confesso que tentei Ler novamente, juro que tentei Não pode ser verdade Não é realidade Parei de ler na quinta linha Na frase que termina com sozinha Já não sou nem sombra do que eu era Meia hora atrás Quem manda carta Não quer nem conversa

Lúcio Mauro

  Vou subir nos ponteiros do relógio Fazer ele andar para trás Voltar, retroceder Trazer de volta você Máquina do tempo, tempo O melhor era em seus braços Vejo você em mim Em meus cabelos brancos Meu sorriso, meus filhos Amor além do fim Vou quebrar a ampulheta Espalhar toda areia Desenhar seu rosto Lembro cada traço Sei que não vai voltar Mas pode esperar que eu vou Encontrar o seu olhar Explicar saudade, difícil Sentir saudade, natural Hoje eu quero logo o amanhã Amanhã eu quero logo o depois E depois vamos conversar Tudo que falamos em silêncio Relembrar Entre o céu e a terra Não existe distância Sintonia em linha reta

Viver

  Viver É percorrer uma estrada Cheia de obstáculos Viver É correr sem saber Onde fica a linha de chegada Viver É subir uma escada Sem corrimão Sem rede de proteção Sem nada Viver É caminhar pisando em pétalas Também nos espinhos Enxergar a luz Sentir o vento Ser o moinho Para morrer É preciso viver Parece simples Mas nem todo mundo entende Nem todo mundo quer entender Um passo para frente Sem poder voltar para trás Roda-gigante, labirinto Quem some, até nunca mais Viver é bagunçar Para depois, depois Descansar em paz

Voz de Gil

  Contra ansiedade A voz de Gil Dono da paz, mais Daquele abraço Para o amor, amor Sempre tem espaço Subindo, sobrevoando Voando alto Sítio amarelo, refazenda Em cima do palco José, João Super Homem Dentro de uma canção Toda flora, toda calma Toda alma Um pequeno Drão Estrela Um trem para todas elas Luz própria, janelas Esperando com toda fé Falando com Deus Deus é mulher Uma menina baiana Uma dança, oxalá o axé O ó da freguesia É irmão do é

Menino

  Quando acordo, sou menino Lavo o rosto e encaro o mundo Lá vou eu, de novo Dar murro em ponta De facas e queixos Não tenho medo do perigo Luto contra o mais forte Sou o capítulo final de um livro Eu tenho um plano, sempre Irritar fanáticos Odeio direitistas, esquerdistas Falsos solidários Não gosto dessa "turma do bem" Tapas nas costas, faca na mão Em pele de cordeiro O lobo finge ter bom coração Palavras ao vento Prefiro o silêncio Observando tudo Não sendo observado Analisando cada um Um por um Sabendo quem é de paz Quem tem futuro O bandido O que brilha no escuro