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Dois, Três ou Mais

  Mesa para dois Três ou quatro Melhor sabor Gosto mais gostoso Meu braço, meus braços Até onde alcançar meu abraço Dentro desse prato O que você chama de pecado O sal, o tempero O cheiro Garfo e faca Sobremesa variada Hoje carne, Amanhã sua salada Cardápio dos Deuses Um banquete em sua boca Carnívoro engolindo flores Rodízio permitido Só algumas noites Vamos juntar mesas Cama e banho Sempre cabe mais Uma boa refeição Muita gente e sem paz

Abelhas

  Abelhas fugindo Chuva ou veneno Verde tão distante Chegando perto Morando aqui, por aqui Planta e seu espaço Mata e retrato Bananeira, jardineira Floresta Terra, palco, meu palco Aqui quero morrer Brotar, renascer Seus frutos, arbustos Broto, todo broto, adubo Chapéu de palha Minha casa Filhos, pés descalços Minha mãe, nossa mãe Natureza Minhas mãos calejadas Antes do sol, enxada Toda essa gente História de muita gente Jardim pomar, regeneração Muvuca de sementes

Frases

  Escrevo frases, versos Falo mil coisas, indiretas Escrevo sobre você Para você não entender Minhas palavras Nem sempre são claras Melhor assim Falo tudo, de tudo Todo o tempo, o tempo todo Conto segredo sem medo Falo sobre o que passou Vontades proibidas, outras vidas O que ninguém imagina O que nunca ninguém sonhou O que falei na semana passada Vou falar daqui dez dias Misturando estações Confundindo parabólicas Interferência de sinal Telefone sem fio Caiu na rede, alerta geral Para quem ficou ofendido Não foi bem assim Falei exatamente o que você não escutou Falo apenas o que nunca ninguém sonhou

Poesia de Caetano

  Ela é força Poesia de Caetano Ela é poder Voz ecoando Por todos os lados, Por todos os cantos Ela é puro comando O mundo sob seus pés Sabe o que quer Sempre tem um plano Ainda não nasceu Quem vai domar seus instintos Quem vai segurar seu ímpeto Ela gosta de voar, mandar Olhar do alto, bem do alto Escolher um pobre coitado Para morar em suas mãos Entre seus dedos Virar farelo e agradecer Ser simplesmente soprado E todo feliz morrer Não adianta lutar contra Quando o placar aponta Vitória dela, goleada Hoje é loira, amanhã morena Jamais apagada Meu silêncio está dizendo sim Para suas vontades loucas Aceito seu convite, não sei resistir Só não tenho roupa

Flor

  Cara de despedida Tamanho da ferida Abrindo, rasgando Peito, coração Asfalto, avenida Certeza que vou afundar Nas profundezas da solidão Tenho medo do futuro O futuro já é amanhã Acordar, abrir os olhos E permanecer no escuro Meus pés descalços Sangrando O caminho agora é comigo Sinto dor, tenho dor Saudade é amor Também é castigo Vou correr para o mar Vou misturar o sal Minhas lágrimas vão espalhar Gotas pelo oceano Nunca esteve em meus planos Um triste adeus, adeus Ainda não aconteceu Todo fruto nasce de uma flor

Não Perturbe

  Eu sei o que você gosta Você gosta de ser feliz Do seu jeito, de todo jeito Estou aqui para ajudar Apoiar seu bom gosto Eu sei o que você gosta Os melhores perfumes Nos melhores corpos Beijar de olhos fechados Dançar, dançar, dançar Até o amanhecer, até Até um lindo amor acordar Sei bem o que você gosta Lençol amassado "Não perturbe" pendurado na porta Uma boca macia, toda sua Que faça de tudo, tudinho Espelho de sua alma nua Você gosta da mais linda flor O sabor que já acostumou Eu sei e admiro sua coragem Lambe os dedos, morde os lábios Com desejo e vontade O melhor do melhor Doce ou amargo Não existe pecado Em qualquer lado

Fim do Mundo

  Parece fim do mundo Vento forte, escuro E eu ainda estou por aqui Tentando acertar, tentando Mas continuo errando, eu sei Cheio de boa intenção Esperando novamente Seu discurso, seu perdão Não sei o que vai ser de mim Quando encontrar apenas seu silêncio Vai ser realmente o fim Do meu mundo, mais escuro Vou escrever mil livros Com todas minhas promessas Milhares de enciclopédias Com suas palavras sérias Atire uma pedra Bem no meio da testa Quem nunca errou Quem nunca fez merda

Cinquenta

  Cinquenta anos atrás Eu seria um sucesso O das melhores palavras Das mais lindas frases Hoje sou um qualquer Sou qualquer um Bêbado envenenado Jogado na calçada Sabor de sarjeta Um nada, nada Nossa Senhora dos abandonados Dos desesperados Uma poesia por qualquer trocado Faço qualquer negócio Ajude esse pobre coitado Cinquenta anos atrás Eu seria um sucesso Hoje estou largado Sem cama, sem teto Também aceito flores Beijos e abraços Uma foto, um retrato Ou apenas respeito Tenho dor, tenho medo Daqui cinquenta anos É muito tempo

Movimento

  O mundo em movimento E a gente aqui Olhando o olhar do outro Parados, universo paralelo Você é tudo que eu quero Para sempre, sempre Lá fora frio, calor Cor do sol quando dorme Noite inteira, madrugada O que nos agrada Paisagem Cara na janela, vidrado É tão bom estar, estar... Estou preso em sua alma Você dentro da minha Barulho versus nosso silêncio O mundo ainda em movimento E a gente aqui Transformando o tempo Nossa vida, nosso caso Um vídeo clipe em câmera lenta Todo lugar é cenário Todo lugar é perfeito Hipnotizados, hipnotizamos Esse é o nosso jeito Transformando o tempo

Sozinha

  Em meio ao lixo Eu sobrevivo Fumaça, podridão, gritos Ainda tenho força Eu sobrevivo Sou fértil, dou frutos O mundo é bruto Mas estou aqui De braços abertos Engolindo veneno Marcas do tempo Sou cura, sou doença Sou o lado bom Poeira, pureza O dom de sobreviver E eu sobrevivo Sou verde Tenho outras cores Sou o segredo Medo do mundo Desespero sem solução Cabeça, tronco, membros Solidão

Michael

  Tenho tanto para falar Mas pode falar primeiro Adoro ver sua boca em movimento Falando o tempo inteiro Conte tudo sobre sua vida Seus amores, suas xícaras Os seus últimos cem dias Conte como está o Paul O seu novo corte de cabelo O sumido do seu pai Sua mãe e aqueles medos Você ainda ouve Michael Eu adorava sua jaqueta Jackson Saudade do seu apê no centro Das nossas voltas pela cidade O nosso segredo bem guardado Aquele papo doido Bem longe do seu namorado Percebo que você está feliz Eu estou muito mais O reencontro é o encontro De quem nunca esqueceu Com quem nunca deixou para trás O amor, o mais legítimo amor Tenho tanto para falar Mas pode falar primeiro

Morto Vivo

  Tenho vontade de chorar E muitas vezes choro Apareço sorrindo Mas por dentro, conflito Razão, emoção Cabeça fria, coração Pessoas ao redor, muita gente Mesmo assim, solidão Grito em silêncio O silêncio fala por mim Tenho medo de ter coragem Quero dormir, só quero dormir Esquecer e ser esquecido Fugir, ir para bem longe Ir até o infinito Sem dar nenhum passo Sou um morto vivo Dentro da minha cabeça Uma música triste Palavras no ouvido Uma sentença O fim está sempre presente Qualquer hora, não tem hora Pode ser, acho que vai ser agora Está chovendo Sob o sol do meio-dia Já escureceu Nesse negócio chamado vida Não se esqueça do adeus Mesmo antes da partida