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Tempestade

  Você faz tempestade Por nada, por tudo Essa sua calma aparente Engana quase todo mundo Mas não engana a gente Você é um furacão Caminhão desgovernado Eu sempre tomo cuidado Mas gosto da sua loucura E não tem cura Sou viciado nessa sua doença Sou carne em sua navalha Quem você chama de praga Quem muito ama mata Já estou morto em vida Arrancou meu coração Com suas mãos, seus dedos Suas unhas enormes Você acaba com minha sede Mas não acaba com minha fome Só eu sei do que você é capaz Por isso ainda estou aqui Odeio, mas quero sempre mais

Escuro

  Moro no país do futuro Que ainda está no passado Meio quieto, triste Jogado de lado Eu moro Lá no fundo do mundo Um pequeno espaço Observando tudo Muito perto do absurdo Moro Onde é tudo escuro Onde não vai clarear Nem quando o dia chegar Quero morar Onde tudo pode Onde eu possa ser feliz E não ouvir Palavras de reprovação Que o fim seja algo distante Diante da imensidão

Aluno

  Presente que vai virar futuro Trilhando caminhos Procurando um rumo Você para fortalecer Carregar meus sonhos Ensinar o prazer De mãos dadas Deixando pegadas Derretendo o gelo Quebrando o medo Estrada dos desejos Vou aprender tudo Vou ser um bom aluno Todo dia uma lição Lápis e borracha na mão Vida é escola Vamos embora Ensinado, domesticado Treinado Tudo bem explicado Certo por linhas tortas Presente já virou futuro

Triste Fim

  Lindo azul Cor do manto Do pranto Cinza da dor Toda cor O céu Em cima do céu O que tem Em cima do céu? Gente ou nada? Será que tem vida Ou tudo acaba? Quando eu morrer Vou descobrir Certo ou errado Deus e o pecado Ou apenas o fim E não encontrar Quem eu sempre amei Tristeza no olhar Triste demais Silêncio e escuridão Não quero essa paz

Veneno

  Gosto de olhar você dormindo Gosto de imaginar seus sonhos Gosto de saber que está aqui comigo Gosto de perder horas em seus braços Gosto de acordar e você continuar dormindo Gosto de preparar o café E ver você acordar sorrindo Horas voando, mais um dia acabando Eu tentando segurar o amanhã Agora vem o medo da solidão Porta fechando, fechada, fechou No colo da depressão Desabo, cheiro, choro, morro Sem exatamente morrer Sou inconstante, sou vítima Sou apenas um instante Antes de enlouquecer Meu veneno predileto é o remédio

Reclamação

  Você reclama de tudo Tudo que faço está errado Falando ou calado Mesmo assim te amo Eu te amo, ainda Você reclama do meu cabelo Meu perfume, meus pelos Minhas roupas coloridas Minha vida desregrada Toalha molhada na cama Você já acha até normal Fio dental no chão Carteira quase vazia Você solta um palavrão Quando ameaço partir Sair por aquela porta Surge alguém irreconhecível Dedos e mimos Diz que não é para tanto Não é para tudo isso Tem medo, mas não tem juízo Eu juro que não vou melhorar Sei que você adora odiar

  Eu tenho fé Só um pouco De janeiro até dezembro Hoje, ontem, amanhã Eu sou fé Que segue o caminho Sem rumo, sem destino Nem tudo vejo Mas em tudo acredito E toda minha fé Em alguma coisa Que não sei o que é Nem sempre firme Nem sempre forte Mas em pé E quando tenho dúvida Procuro um sinal Eu procuro Em dia claro Ou num quarto escuro É preciso seguir Fé na vida, até o fim O tiro que desvia Mistério que guia Meus passos

Feliz

  Felicidade não tem preço Mas tem endereço Está no canto direito do mapa Lá perto onde o mundo acaba E vai acabar Assim que eu encontrar Ficar de cara com você Felicidade é o sol É toda luz que vem do seu olhar O brilho que não para de brilhar E vou, sempre vou Seguir por ruas, avenidas Em qualquer canto ou esquina Em uma busca incessante Vamos inspirar novos amantes Estou quase no meio do caminho E não vou deixar pegadas Vou para não saber voltar Já perdi o rumo faz tempo

Vozes

  Eu ressuscito vozes Dores, amores Eu ressuscito vivos Quase vivos, quase mortos Quem morreu e nem sabe Eu canto uma canção Do cantor que partiu Já partiu Sou o retrato falado Tempo e espaço Ressurreição Fones de ouvido No ouvido Viajo até o céu Ressuscito flores Cores, folhas Terras mortas Quem está comigo Não vai embora Canto e morro Todo dia Em uma melodia Essa é a magia Da vida

Passa Por Cima

  Quem olha não imagina Que você comanda Que você passa por cima Mas quem conhece sabe Do que é capaz Tudo que faz em minha vida E não reclamo não Não, não Não fala, manda Não pede, obriga Faz olhar para o chão Agradecer e não querer outra vida Loucura é não entender Não aceitar Quem é esperto tá ligado Não tem discussão O mundo é uma pequena bola Bem na palma de sua mão Um brinquedo esmagado Embaixo dos seus saltos Boa sensação Quando a gente confia Não existe medo Nenhum medo Olhos fechados, desejos O bom sabor de um segredo

Diferente

  Dia claro também tem lua Em março tem carnaval Gosto de passar frio na praia E comer ração animal Enxergo gente morta Quando observo o céu Fecho os olhos para voltar no tempo Sou doce, mas sei ser cruel Ser diferente para não ser igual Ser diferente é o meu normal O alimento que mata a fome É o alimento que envenena Criança é maldosa E não tem pena Ser diferente é o meu normal Para não ser igual

Roma

  Ela é de Roma Contrário do amor Tem o aroma Perfume da flor Ela é cantora Gosta de disco voador Tem voz grave Em meu ouvido é suave Plateia de estrelas Beleza de incertezas Ela é história Capítulo inteiro É linda Toda elegante Lábios grandes Dona da canção Canta baixinho No ritmo Cruza suas pernas Levanta os braços Cria o embalo Olhamos de cima Até embaixo Ela é de Roma Ela é fogo