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  Ano que vem Vou errar de novo Vou errar gostoso Sou imperfeito Essa é a graça da vida O que realmente vale Quase tudo tem saída Tenho muitos planos Não vou realizar nenhum Todos meus sonhos São apenas sonhos Vão ficar pelo caminho Vou falhar, vou chorar Vou ser humano Cada dia um dia Sobrevivendo e cantando Tenho medo das surpresas Das tristezas Até das alegrias Ano que vem Sempre em vigília

Palma da Mão

  Frases faladas Cantadas Na mente Atrás dos meus óculos Na frente dos olhos Indecentes Som de água Em garrafas de vidro Prazer, arrepio Filtro de barro Desejo por um fio O gosto De quem chora Ouvindo uma canção Lágrimas salgadas Ruas alagadas Um mar de emoção Chuva que molha o céu E desce aliviando Toda tensão, todo tesão E nas noites escondendo O que cabe na palma da mão

O Bom Passado

  Vamos matar saudade do passado? Vamos? Daquele jeito Do nosso jeito errado Vamos fazer igual antigamente Igual Quarto, sala, quintal Desejo molhado Certeza que você lembra Ainda lembra E nunca esqueceu o sabor O caminho da flor Estou aqui Esperando sua boa vontade Sua vontade boa Vamos fugir? Lembro da nossa despedida Já pensando na volta E pode ser agora Cure sua dor em meus braços Vamos matar saudade do passado?

Só Deus Sabe

  Você acha que conhece Que sabe tudo Mas você não sabe nada Não conhece nada Ninguém imagina O que acontece em outra casa Em outra vida Parece perfeito Parece tudo lindo Mas sempre tem um defeito Um lado obscuro O que está atrás do muro Não existe "mar de rosas" Toda família briga, enrosca O mundo é feito de aparências Máscaras, indecências Não julgue, escute Todas versões No fundo somos todos iguais Enganamos o mundo Nossas mentiras Tristezas naturais Ninguém imagina Nem precisa saber Tudo o que faz a gente sofrer

Passou

  Apesar das fotos Apesar de tudo Vamos ser esquecidos Um dia vamos ficar para trás Para nunca mais Um qualquer, qualquer um Vamos ser confundidos Vão errar nosso nome Logo não vão lembrar nem isso Um túmulo abandonado Todo pó misturado Nem mais uma lembrança Restos de uma herança Hoje muito conhecido Amanhã um ninguém Apenas mais um número Um passado distante O famoso "quem?"

Jogo

  Não ouvir o som dos pássaros Não enxergar todas cores Não gritar para o mundo Mas tudo posso sentir Tudo posso Não tenho super poderes Mas tenho fome de vida Desejos, vontades Busco verdades Os segredos das vitaminas Sou um Santo longe do altar Um anjo sem asas Ator no palco da vida Uma flor que ilumina O chão e a escuridão Não vou parar de dançar Viver é dançar Todo dia um pouco Jogando o jogo Ensinando amar

Dentro

  Nas primeiras horas O bom perfume O cheiro, o gosto O costume Logo tudo uma coisa só Lágrimas lavando meu rosto Rosto de quem tem dó Aqui olhando para o teto Olhos fechados Coração aberto Conversas paralelas Tenho hora para partir Deixar de existir Prometa que vai pensar em mim Já vi, ouvi Sobre dramas e flores Todos meus amores Numa tela de cinema Verdades inconvenientes Variados temas Rosas, pétalas, espinhos Agora é outro caminho Já não sinto o mesmo cheiro Sou o tempero do mundo O adubo, o fruto Minhas últimas horas...

Tiquinho

  Com o verão chegou o sol Um outro sol Para brilhar, iluminar Nossos caminhos E toda noite vai ser linda Com amor, só o amor E agora vai ser assim Nova estrela olhando por mim Por nós No silêncio das memórias O bom nunca vai embora Não morre Adormece, dorme Acorda, invade Corpo e alma Viver também é ter saudade E não existe despedida Sempre tem um pouco Um tiquinho mais de vida

Choveu

  Choveu O céu caiu Sobre minha cabeça Tristeza Olhos fechados Uma mar de incertezas E o silêncio Falando mais alto Aqui embaixo Meu rosto molhado Lembranças nos retratos Os bons momentos Para sempre Eternos Somos jovens Somos velhos Seguimos o mesmo caminho Quase o mesmo destino E não para de chover Não sei esquecer Nem quero Tenho alma para lavar Sonhos para sonhar Estou com você Juntos

Apenas Passou

  Você passou por mim Nem reparou Não viu seu futuro grande amor Perdeu Você passou por mim Olhei, observei Quase falei Não deu O destino vai dar Uma segunda chance Para você de novo não olhar Não dar atenção Nem reparar Olhe por onde anda Olhe para todos os lados Aqui embaixo Tem alguém tentando ser feliz Escute o seu sexto sentido Venha logo Ainda dá tempo de ficar comigo Ligue o radar Antenas captando O mais doce perigo

Veneno

  Já comprei o remédio Agora estou bem Um pouco mais tranquilo Um pouco mais zem Já comprei o veneno Tomei três doses Ainda tenho sede Estou com fome Vou devorar você Mastigar Engolir o prazer Seco, molhado Meu pecado Auge da minha loucura O que não tem cura Vamos quebrar taças Cortar a carne Fazer um pacto de sangue Sorrisos verdadeiros Com o brilho de diamantes Já comprei o remédio Sem receita Apenas sexo

Casa

  De uma forma ou de outra A gente volta A gente voa Não é fácil Não é nada fácil Mas a gente volta Passarinho retornando ao seu ninho Em casa foi onde tudo começou Onde ganhei asas Parti rumo ao desconhecido Fui para longe Escrevi um livro Mas nada é mais bonito Que voltar, voltar Tanto que gritei e não fui escutado Um dia cansei Joguei tudo para o alto Apenas voltei Refúgio Vejo o fluxo Mas prefiro meu canto Já andei tanto Agora prefiro ficar mais quieto Acho que estou certo A gente sempre volta