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Viagem

  Aqui de cima Os carros são tão pequenos E mesmo tão alto O céu ainda está distante Estou no meio do caminho Entre o inferno e o paraíso Anjos, demônios Sozinho Viver é uma decisão difícil É preciso ficar atento Sonhos e perigos Os sinais são claros Escuro é o destino Somos todos filhos De uma enorme dúvida Alguns preferem voar Nem todos querem voltar Uma experiência única Os carros continuam nas ruas Mas eu já não enxergo mais Confundo estrelas com lágrimas Pessoas mortas são estátuas Não vou levar quase nada Desejos perdidos e mágoas

Mortos

  Escuto gente morta Cantando os seus maiores sucessos Som alto na vitrola Dias de glória Melodias na memória Vozes entrando em minha mente Tomando conta de tudo Som de gente Que já não está mais presente Que preferiu partir Danço uma dança fúnebre Subo ao céu Vou ao paraíso Viajo no tempo No espaço Sei bem o que preciso Que os vivos fiquem em silêncio Quero ouvir mais gente morta Quem está atrás da porta Quem já foi embora

Cercado

  Um dia não vai parar de chover O mundo vai cair O céu vai descer E vamos caminhar Sob o sol da meia-noite Vigiados pelos inimigos Ao som dos gritos Do perfume das flores Andando por pecados sinuosos Cercado Sempre tudo errado O vento atrapalhando O canto dos pássaros Sonho que vira pesadelo Desejos e medos Um brilho no horizonte Pode ser o tempo Que corre em constante movimento Um dia não vai parar de chover Água no planeta Água Água espalhada Espelhando o azul O tudo e o nada

O Que Eu Não Sei

Alegria de um cachorro Menosprezo de um gato Desafios pelo caminho Uma pedra no sapato O pior grito É o grito de quem está calado Carros estacionados Trânsito que não transita Crianças são mortas Guerra é o contrário da vida O líder que não lidera Propaganda enganosa Plateia que não aplaude O dinheiro é verdadeiro Desejo é uma fraude O bilhete está em branco O espelho não reflete O amor queima Mas também derrete E tudo que eu quero antes de querer mais nada O choro são lágrimas desidratadas  

Proteção

  Cacos de vidro Em cima do muro Falsa proteção Doce ilusão Em seus braços Dentro do seu abraço Delírio, sedução Tudo falso Apenas sensação A gente erra Não aprende E erra de novo Acredita que vai ser diferente Que tudo vai mudar Adoramos nos enganar Muita promessa Pouca entrega Sonhar ainda é o que resta Quem sabe um dia Encontro alegria Dentro das suas mentiras Quem sabe...

Besteiras

  Sinceridade Minha pior qualidade Palavras jogadas Faladas sem medo Sem intenção de machucar Mas que penetram na alma Palavras que vão fundo Muito fundo Tiro bem dado no escuro Veneno de todo ariano Na ponta da língua Na garganta Provoca choro, pranto Uma guerra Santa Todo sincero É um ser evoluído Não merece sofrer Não merece castigo Um mal necessário Mesmo dando prejuízo Mas não confunda Falar besteira é outra coisa Isso qualquer um faz Até você

Talento

  Tenho talento de sobra Para sofrer, para morrer E depois passar bem Minha vida é assim Um exagero danado Tudo certo Mesmo quando está errado Vivo um drama pessoal Sou um caso sério Um doce mistério Para ser desvendado Estudado Comigo é tudo ao quadrado Desfilibrador Mesmo sem dor Massagem cardíaca Conto horas e dias Sou um sonhador Morrrendo também de amor Tenho talento de sobra Para poucas e boas O coração pela boca Amanhã um pouco mais

TFB

  Tradicional família brasileira Hipocrisia, brigas, rasteiras Não faça mais isso Siga meu exemplo Sou Rei da moral Família tradicional Lá fora tudo Aqui dentro nada Temos que manter Nossa casa sagrada Fingir perfeição Reclamar da novela da televisão Tradicional família brasileira Defende valores O valor das coisas Dona Flor e seus amores Namora em casa Namora rua Uma ou duas Chama político de meu bem Faz pose Fala de Deus também É a tradicional família brasileira Hipocrisia, brigas, rasteiras

Gavetas

  Hoje estou assim Assim, meio sei lá Cheio de vontades Uma delas é chorar Hoje estou assim Nem sei explicar Olho no espelho Não reconheço Não sei quem é Será que é o fim? Será que ainda tenho fé? E nas gavetas Só roupas velhas Caretas Vivo dentro do passado Sou um doente Nostálgico Realmente não estou bem Tão down Vou lá fora morrer Mas volta já Eu volto já

Eu Não Entendo

  Nada explica E você nunca explicou O que realmente aconteceu Até hoje não sei O nosso último sorriso Nosso último encontro Esqueci nossos planos Fizemos? O tempo passou E você não explicou Os seus dois polos Sul, norte Meu azar, minha sorte Você por perto E agora tão longe O último tchau Até a próxima Você não explicou Não entendi até agora Um dia o destino Vai nos colocar no mesmo lugar Vamos nos olhar Rir e chorar Um dia o destino..

Já Diria Tiago

  Na sala de espera Domesticando minha ansiedade Pensando no futuro Equilibrando pratos Mentiras e verdades Apenas dois caminhos Um sem e o outro com emoção No fim o mesmo destino Mas uma difícil decisão Tudo muito bonitinho Ou no zigue-zague da revolução E toda energia Que sobra, que fica O que causa alegria Vontade de viver Um pouco mais Só um pouco mais Qualquer escolha É uma escolha certa Felicidade não é uma linha reta Não pare nunca Nunca desista de fazer sua festa O barulho de ficar parado Esse sim é uma merda

Sangue

  Depois da sua alma Descobri seu corpo Seu gosto E não quero parar Não vou parar Gosto do som do seu silêncio De conversar com os seus olhos De enxergar o seu prazer Querendo mais, mais Sua guerra é tão quente Bem ao contrário da paz Deixe seu sangue Molhar meu corpo Morrer dentro de mim Santos demônios Inimigos do fim Do nosso amor Tanta ousadia Só podia dar nisso Um passo para o paraíso Outro para o precipício