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Esse Moço

Hora do almoço Todos reunidos Som ao pé do ouvido Um barulhinho bom Violão diferente Alegrando toda gente Um ser ainda desconhecido Olhei para mamãe Que olhou para vovó Vovó que olhou pra titia Titia ficou muda olhando para mim Quem é esse moço? Esse moço que canta tão bem assim? Sai correndo Na lista telefônica encontrei Na rádio liguei O nome perguntei Era João Era Gilberto Era João Gilberto De voz suave Nas cordas, mas com liberdade Musica boa, na boa, nada à toa Chega de saudade

Beco

Ando por caminhos que eu não conheço Mas sei cada curva Vou parar em lugares desconhecidos Mas sei muito bem onde está cada coisa Em um beco sem saída Assisto um filme Com todos os detalhes da minha vida Nenhuma imagem é nítida Nem tudo é o que parece ser Flores brotam em vasos de areia Nem toda água mata sede O céu cinza não faz nenhuma tarde feia Tenho saudade do futuro Imagino o passado no presente Tudo tão indecifrável É o juízo final Já decorei o meu texto Com todas minhas desculpas Na hora de decidir Céu ou inferno Nem toda morte é natural Agora não existe mais medo Quem conhece o além Descobre que nunca é cedo

Depois de Mais um Vídeo do Nando Reis

Das mais incríveis maneiras Das mais incríveis formas Uma música nasce Uma canção brota Noite fria Com lua bonita Um ritual indígena Lareira acesa Fogo esquentando O cara explicando Atrás da mesa O seu canto Anotando versos Num bloco de papel americano Gravando em fita Fazendo fita Um som incrível Força da canção Completamente pop Com um bom refrão Irresistível Você que não entende É só fechar os olhos O simples não é vulgar Pode ser sofisticado Quem não conhece a letra Lá lalá Lalá O amor realmente está Do seu lado

Retrato

Vou tirar uma foto digital Vou capturar sua alma Depois guardar na carteira Imagem no papel parece bem mais verdadeira Sou um retratista da vida Deixo qualquer pessoa mais bonita Não faço milagre Mas sou um tremendo artista Apertar o botão é o último ato Antes eu penso em você Todos os detalhes Cada curva do seu prazer Luz, sombra e muito brilho O flash ilumina minhas ideias Três por quatro é um filho Hoje não sou mais Nem positivo, nem negativo Apenas uma lembrança Do que já foi um fotolito Agora estou limpo Não tenho mais componente químico Máquina extensão da minha mão Meus olhos são lentes Carentes Enxergando o outro lado No fim de tudo Tudo vira retrato

Tristeza

Deu vontade de chorar, E chorei Bateu tristeza Assim, do nada Angustia que machuca O que já está machucado Coitado de mim Pode ser saudade Saudade de quem nunca mais vou encontrar Tão ruim, Ter voz e não conseguir gritar Dor da alma Dói igual do corpo Olhos fechados não têm lágrimas Mas tem solidão Tão ruim morrer e continuar vivo Quem vê cara Vê rosto e sorriso Não imagina o coração Rede sem ninguém para balançar Jardim sem flores Céu azul sem pássaros Noite sem lua Passo horas chutando lata Olhando gente solitária Outros filhos da rua Paz interior É ter amor próprio De peito aberto Sem medo Espantando os fantasmas Controlando o tempo Todo dia, dia e noite Ou madrugada

Mal do Século

No silêncio do quarto Escuto barulhos imaginários Tenho medo e não consigo dormir No escuro da solidão Enxergo cores quentes Pensamentos indecentes Não consigo sorrir Mente que mente para o meu corpo Que sente dor que não existe O remédio desce igual bala Tarja preta minha cor preferida Madrugada dura quatro mil horas Toda noite é triste Correntes em meus pés Braços e pescoço Sou refém dentro de um jogo Reality show, vida real Mal do século Não é natural Receios infantis Na minha vidinha adulta Pressão do corpo alterada Pressão da vida lá em cima Eu sem força pra nada Música sem ritmo Poesia sem rima

Volta

Tudo que vai Um dia volta melhor Com fúria no olhar Vontade em dobro Força multiplicada Todo retorno É sempre uma nova chegada Pisando forte Em terreno fértil Que já foi minado Voltando para ficar Agora sem medo Sabendo como fazer Sabendo como lidar O nome, É o que resta Dentro de cada pedaço Que foi ficando pelo caminho Agora tudo mudou Acabou, Ninguém é palhaço Ninguém faz nada sozinho Não entregue os pontos Nunca Não desista jamais Talvez um tempo faça bem Controle os sentimentos Depois da raiva O amor sempre vem

Felicidade e Tristeza

Felicidade Chega assim do nada Toma conta Preenche o vazio Tristeza segue o mesmo caminho É preciso ter cuidado Entre o sorriso e o choro Uma linha tênue Só quem vive sabe o gosto Ou simplesmente o desgosto Entre luz e sombra Só não peleia quem está morto E antes de morrer É preciso viver Viver Como diz Renato Como se não houvesse amanhã Tristezas e alegrias Momentos de emoção Alegria demais é contagiante Tristeza profunda é depressão Ninguém precisa de muito E quem tem muito Tem que saber usar Podemos ter o mundo Mesmo sem sair do lugar

Tradicional Família Brasileira

Faço parte da tradicional família brasileira Hoje um pouco mais moderna Mas ainda tão família Papai, mamãe e filhos Ordem dos fatores Alterando nossa natureza Papai tem três empregos Mas ao mesmo tempo não tem nenhum Mamãe é mais do que dona de casa Suporta chefe chato E sonha ter empregada O vídeo game não sai do quarto do Juninho O cachorro encontrou no jardim O que parecia ser um baseadinho Mas agora a preocupação é outra Minha irmã arrumou uma namorada Quer sair de casa Meu pai só pensa em dar porrada Tradição é tradição Domingo tem macarrão Propaganda de margarina Aperto falso de mão Amanhã é outro dia Nada vai mudar Na tradicional família brasileira Vida real é bem diferente de rede social E no canto da sala sempre tem Um tapete cheio de sujeira

Até o Fim

Não existe fórmula mágica Nem cura para minha doença Está tão difícil engolir Sobreviver até o próximo amanhecer Capriche naquele caldo verde Que me deixa tão bem Não repare em meu rosto fino O fim pode chegar Daqui a pouco ou semana que vem Vou compor uma canção Sei que não resolve nada Mas ameniza minha dor Física e da alma O pensamento é inconstante Coração bate devagar Mas nunca tive pressa Principalmente quando não sei onde vou chegar O meu remédio Para outras pessoas é veneno Enquanto você dorme Eu controlo o tempo acordado Conheço cada rachadura do teto Do meu quarto A vida é um jogo de xadrez Continuar vivendo é uma indignação O xeque mate chegou de uma vez Faz tempo que não escuto verdades Nem mesmo de pessoas mentirosas Não sou mais uma prioridade No último dia eu quero rosas

Grupos

Ando sozinho Bem devagar Olhando tudo e todos Gosto de observar Pessoas e pessoas Todo tipo de gente Gosto de analisar almas Imaginar o que está dentro Das mais variadas mentes Crio grupos imaginários Estou no time dos malucos Já os certinhos Deixo todos isolados Fumantes, viciados Doentes e drogados Estão no grupo dos abandonados Já os falsos Safados, hipócritas Estão presos em um grupo Com serpentes e leões Grupo fechado, sem saída O céu pegando fogo Sem o sopro de uma brisa Crianças e anjos Brincam pelos quatro cantos Anjo ensina voar Menino corre descalço Santa inocência, Só quem conhece o amor Sabe explicar o amar

O Eterno Frio

O dia está tão frio Coloquei cinco blusas Tomei café, chá e outras drogas Mesmo assim não paro de tremer Tudo está tão difícil Uma hora tem três mil minutos Já não escondo mais segredos Logo não vou ter mais para quem contar Revelo todos os meus medos Vou rezar por você Já que você não reza por mim Quando foi que tudo mudou assim? Quando eu estiver na calçada Frágil e passando mal Espero ouvir sua voz Perguntando se preciso de ajuda E que você não se acostume Com corpos espalhados Gente triste pelas ruas Deus nos acuda Tudo está estranho Vida inteira em uma tela Aprendendo usar sem ser usado Conversas já não são mais interessantes E olha que nossa história era até tão boa Agora a velocidade é outra