Postagens

A Morte do Poeta

O poeta morreu Uns dizem que foi dormindo Outros dizem que foi sonhando Eu acho mesmo que foi vivendo Desistindo de tudo Cansado desse mundo O poeta morreu Ficaram quadros na parede Rascunhos em um papel de seda Flores que também vão morrer Sem água e com sede Um maço de cigarro na estante Alguns trocados na gaveta Fios de cabelo em um pente O fim do poeta não é igual o da gente O poeta está tirando os seus demônios Lendo os seus livros Mostrando o caminho Do inferno e do paraíso Todos choram Mas agora ele está tão bem Caminha por nuvens de palavras Está sempre muito mais além Toda poesia no fundo é de amor

Gata e o Poder

E lá vai ela Com seus olhos de gata Fazendo carnaval Um carnaval na vida de quem atravessa seu caminho Dona do espaço, do pedaço Marcando território Olhando do alto De cima do seu salto Seres rastejantes implorando sua atenção É ela, Ela que tem o mundo na palma da sua mão O seu silêncio é cruel Ela é toda cruel Sua matemática é simples Direta e exata Não faz curva Nada é pela metade Ela tem o dom de fazer eu sonhar Imaginar situações Minha mentira acaba quando esbarro em suas verdades Sou um poço de emoções Amarrado em seus braços Formando laços Que prendem meu coração Corpo, alma e mente Estou entregue Só digo sim e peço perdão O meu erro é o ponto de partida Para ter seu castigo, o meu grito de dor O prazer escondido é uma forma de amor

Mais Um Ano

Mais um ano, outro ano, Mais um ano qualquer Ano passado fez várias promessas Quantas você cumpriu? Este ainda pode ser o seu último ano Hoje pode ser o fim Não importa se você mais chorou ou sorriu É assim que a vida segue Idas, vindas, retas e curvas Noites claras, dias escuros O sonho é uma aeronave Que nos carrega para longe daqui Realidade é uma pane elétrica Que derruba e faz cair Faça todo mês virar janeiro Que seja sempre um recomeço Que todo dia seja dia de esquecer o outro dia E vai ser, vai ser Acordar e dormir Lavar o rosto e sentir o gosto De simplesmente viver

Lado A, Lado B

Sou tão lado A Você é tão lado B Sou um sucesso do rádio Você toca apenas naquele DVD Gosto do seu silêncio Você gosta do meu barulho Minha arma é de brinquedo O seu livro é absoluto Nasci em um domingo Dia de macarronada Você é da terça-feira Dia de quase nada Morri em pleno carnaval Você em um dia normal Os melhores cigarros estão em nossas bocas Quando não estamos nos beijando Cada um em seu travesseiro Todo tempo, dia inteiro Acordados ou sonhando

Vivos e Mortos

Velório de gente viva De corpo presente De alma ausente De quem não sabe viver Caixão lacrado Mas com alguns buracos Para todo e qualquer bicho Descansar de você Sua droga de vida Foi sempre uma armadilha Fisgou quem entrou Não deu saída Que dia é hoje? Eu não sei Meia-noite é amanhã ou talvez Sei que é hora de ressuscitar Espantar os fantasmas Dos traumas de infância se livrar Doença que não tem cura Doença do corpo, da alma e da mente O ser humano cheira mal De olhos abertos é podre Deitado na mesa é apenas um fim natural

Sinceridade

O mundo pede pessoas sinceras Verdadeiras O mundo pede, pede, pede Mas quem está preparado para ouvir verdades? Sinceridade é sempre condenada Por isso tanta gente morre entalada Engasgada com suas próprias palavras Quantas mentiras você precisa para ser feliz? Prefiro o silêncio que muito me diz Cinema mudo nunca enganou ninguém Depois de três copos todo mundo fala de tudo Fala até mesmo do que não tem Falsas promessas Nota de três Escolha melhor da próxima vez Jogar tudo na cara pode ser cruel Mas falar pelas costas é muito pior Nem criança aceita falsidade Tem até castigo do papai do céu Entrou mudo e saiu calado Assim evita o pecado

Quando Eu Morrer

Quando eu morrer, Será que você vai ficar sabendo? Quem vai te avisar? Se eu tiver autorização eu vou Vou soprar em seu ouvido Entrar em seu sonho Para você acordar assustada Arrependida por ter brigado comigo Pensando quanto tempo perdeu Poderia ter ficado ao meu lado Abraçada na hora do adeus Espere uma semana para ir lá em casa Mexer em minhas coisas Procurar todas poesias Que escrevi com lágrimas nos olhos Mas vai ter que enfrentar minha mãe Que sempre me alertou Para eu tomar cuidado com esse seu jeito malvado Ela sempre me avisou Morrer definitivamente já não tem mais graça Sem você, eu já estou morto faz tempo Aqui em meu quarto, meu túmulo Dessa noite o doente não passa O fim pode ser neste exato momento Quando eu partir você não vai mais ter o meu sorriso Apenas vai lembrar e talvez, ou com certeza, se arrepender Pode ser tarde demais Enorme loucura é ter alguém sempre por perto E o orgulho falar mais alto É você quem vai sofrer

Nando e Elas

Sempre tão linda uma voz feminina cantando uma canção Charmosa cheia de estilo numa mesma emoção Voz dela, delas, minha mãe com o seu violão Música para alegrar o ambiente com música ambiente O desafio de escrever para o sexo oposto Oposto do que eu sempre escrevi Eu tenho muito bom gosto Gravando aquela gravação Todos os timbres, todos os sotaques Marisa, Cássia, Gal Ana sempre ao lado da Vitória Zélia, Sandra, Ivete, Elza Momentos de glória Andrea, Sophias, Pitty, Luiza Gabi, Tulipa, Negra Maria não gravou Mas ligou, explicou Com Roberta é diferente Foi ela quem me convidou Paula sabe fazer o som das abelhas tão bem Será que falta muita gente Ou quase ninguém?

Nando e Cássia

Criador e criatura Ordem dos fatores Letra e música Música e letra Uma bela melodia Flor e o espinho Mãos na parede Aperto só do coração Uma dupla, um par Sorrisos sérios, sérias risadas Dois cantores e quatro All Star Ensaios pelas madrugadas Todas as estrelas são estrelas de uma mesma luz Fica sempre mais bonita em noites frias Seu sorriso tímido que encantou Laranjeiras Agora o endereço é qualquer noite de lua cheia Ir embora só depois do bis Cartas que voltam em silêncio O combinado nunca foi cumprido Dezembro onde tudo começou Foi também o mês da despedida Frases continuam longas mostrando vidas Naquele caderno, os versos estão todos sem rimas Toda ideia é uma lâmpada que surge na cabeça Mas no nosso caso foi um raio que caiu no jardim Embaralhou tudo Roqueiro de terno e música na língua francesa

Rosa

Como recomeçar quando o fim está próximo? Quantas portas ainda vão se abrir? O relógio da vida um dia vai parar Apresente sempre o seu mais lindo sorriso O seu mais singelo olhar Vou atravessar para o outro lado Encontrar um jardim florido Estou tão bem comigo Perdoar e ser perdoado Fazer e realizar o último pedido Bora ser feliz enquanto há tempo Pois todo tempo é curto demais Não perca seus segundos com coisas pequenas Importante é partir em paz É preciso melhorar Temos que amar Não nascemos para o ódio Não nascemos para odiar Importante é viver cada instante Como se fosse o último dia Morrer é renascer A um passo da eternidade O que sempre fica é saudade

De Tudo

Festa, Comida e bebida Droga de gente Sorrisos amarelos Falsidade presente Vidas perdidas, caídas Em qualquer canto Fumaça na sala Ambiente poluído Em mais uma noite quente Playboy, Desenrola essa ideia Pare logo com essa carreira Seu futuro é incerto O gatilho tem duas narinas Aranha morre em sua teia Quem sobe o morro não tem dúvida Causa e efeito O motivo do sorriso É apenas não ter motivo Ser o filho irresponsável O responsável por matar pai e mãe O tempo perdido É o tempo conectado Sendo informado De tudo

Ar

Eu não sinto o ar Só sei que ele está lá Tão perto de mim Ninguém ensinou Aprendi respirar sozinho O peixe não sente a água. Desliza e nada Nadando e flutuando No meio do nada Eu sinto você Mesmo longe dos meus olhos Sinto seu perfume Lembro do seu cheiro O toque das suas mãos Sua respiração E o que mais tenho é saudade Escuto sua voz o tempo inteiro Somos iguais Somos únicos Juntos ou separados Unidos ligados Mesmo distantes O sonho é acordar E achar que ainda estamos sonhando Estou aqui gritando um te amo