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Cura

  Procuramos cura Para nossas doenças Procuramos soluções Para nossas loucuras Você pede de joelhos O perdão divino Eu peço um pouco de paz O fim do castigo Somos culpados Anjos assustados Caímos em tentação Mas o pecado é tão bom Por sinal, muito bom Toda noite uma promessa Um juramento secreto Falar depois do prazer Dizer que não vai mais acontecer Papo de mentiroso Mentiroso é o gosto Da culpa e da vontade de morrer Olhamos pelo buraco Da fechadura da porta do quarto Gostamos de espiar Nosso futuro, nosso sonho Estamos de braços abertos Estamos, sempre estamos

Ano

  Mais um ano que passou, passou Mais um ano que levou, levou Pessoas queridas, um pouco das nossas vidas Portas que atravessei Ruas que andei Flores que deixei pelo caminho Alegrias e tristezas Passado para ter orgulho Amanhã é tarde, acabou Verão, outono, inverno Primavera, outra vez verão Tempo que passou voando Sem dó, sem perdão Sorriso que ficou na memória Gente que deixou história Partidas, despedidas, chegadas Tudo sem ordem definida De surpresa, sem hora marcada Mais um ano que passou

1978

  Dois Papas Um para cada lado Direto para o céu Eu aqui chegando Um dia frio de abril Mundo tão diferente Muito prazer, aqui estou Agora também sou gente Nome, segundo nome Tenho até sobrenome Futuro incerto, sonhos Todo dia nove Um pouco mais feliz Nem sempre faz sol Nem sempre chove Sete vidas, vividas Alegrias e tristezas Imagens distorcidas Árvore com frutos Eu alcanço, ainda alcanço Passos para qualquer direção Tenho medo, mas vou em frente Desde o século passado Sou luta e coração Adulto com alma de criança Sou eu, sou eu

Cartão

  Flores e um cartão Não é estranho não Faz nascer um sorriso Um brilho, uma sensação De amor, amor Deitar em seu colo Para receber um carinho Acho tão normal, natural Beijos e palavras ao mesmo tempo Pequenos movimentos Isso não vai terminar bem Certeza que não, não vai Você sabe do que estou falando Meu ponto fraco, fraquíssimo Quero um pouco mais, mais além Felicidade que incomoda Hipocrisia, hipócritas Inveja que mata Felicidade para ser sentida Toda noite, todo dia Minha felicidade é muito mais Do que sua pouca ousadia Diferente, mas nem tanto O desejo é igual em qualquer canto

Espírito

  Namoro o silêncio, o tempo Olho para o papel em branco Espero o pranto, espero Que meu corpo seja invadido Que vire esconderijo Do seu espírito, do seu espírito bom Fumo um cigarro, relaxo Vou escrever sobre o pecado Falar dos anjos, dos malvados Dos desejos secretos, guardados Viro até do avesso Juro que não deixo Você partir, partir Minha inspiração é sua inspiração No espelho vejo rosto Só não vejo coração Televisão fora do ar Energia solta, sua presença Sua voz tomando conta Antenas captando um sinal Satélites ou planetas, mãe natureza Mais uma poesia, mais um ponto final

Corrida

  Correu, correu, correu Disputou e venceu O caminho de Deus Brotou, fecundou, viveu Sombra do mundo, peso Sobre o peso, fruto do amor Vida antes da vida Tirar é matar antes de nascer, viver O olho no olho, o beijo O aperto no peito Orgulho de ver crescer Bicicleta sem rodinhas Para girar, girar, girar Voltar para o mesmo lugar Sorriso cheio de amor Mãe e pai, pai e pai Mãe com mãe Amanhã vai ser outro dia Vai ter choro, vai ter alegria Transas e caretas Descobertas Contando estrelas Contando histórias para dormir Antes de partir, antes de partir

Vagabundo

  Um vagabundo De terno e gravata Ou regata Vai sempre ser um vagabundo Vagabundo não é malandro É outro plano Vagabundo não é otário Pode até perder o horário Mas chega para encher o saco Vagabundo por toda parte Ser vagabundo é uma arte Quem nasceu assim, vai morrer assim E quando morre vira lenda Vagabundo nunca tem fim Vagabundo quer mais Não deixa ninguém em paz Nunca tem medo, paga o preço Foge do trabalho igual rato da ratoeira Vive cansado de canseira Vagabundo sempre vagabundo

Banda

  Agora posso ter opinião sobre tudo Até mesmo quando não quero Posso falar sobre qualquer assunto Sexo, política, cemitério e defunto Tenho os meios, mãos e dedos Qualquer dia eu juro que desapareço Artista não é Santo Só quando perde a vida Tudo vira poesia, história Não preciso tomar calmantes Não preciso de nada Mas nem sempre é assim tão fácil Tudo que faz mal, um dia fez bem Minha sinceridade está na ponta da língua Longe da orelha dessa gente maldita Vou montar uma banda de rock Vou falar do presente Sei que um dia tudo volta Amanhã serei reverenciado O mais novo profeta Um eterno injustiçado Meu rosto magro assusta Não precisa ter dó Pare de seguir meus passos Já estou partindo, indo nessa Agora é com você, faça tudo sem pressa

Tia

  Palavras já não são necessárias Nenhuma palavra O sorriso fala, o olhar Amor em silêncio Amor ao longo do tempo Todo tempo é tempo para amar No toque das mãos No beijo do filho O fruto e o sabor Um mar de lágrimas Mensagens ou cartas Declaração feita com o coração Alegria atrás de máscaras Uma linda flor Perfume para dois O céu é colorido Cor de infinito Sentimento antes e depois Não precisa ter medo da distância Felicidade é uma dança Junto ou separado, carinho ao quadrado O gosto bom de gostar de alguém Sem olhar para o lado Tudo e mais um pouco, um pouco mais além

Augusta

  Corpo sem alma Alma sem corpo Uma só pessoa Uma pessoa só Desilusão, solidão Pés no chão Tristeza sem dó Olhares de lua Vítimas, testemunhas Calçadas e camas Noites sem brilho Dança sem par Andando por aí Cidade ou país Lágrimas com gosto de mar Amor do avesso Todo fim tem um começo Nas páginas soltas de um livro Cada detalhe, capricho Reflexo no espelho, cor de cabelo Fera dócil, instinto Gatos e outros bichos

Natal

  Na gaveta um cartão de Natal Na gaveta das lembranças Recordações Todos na sala, embaixo da árvore Casa sem chaminé, Calor, amor, neve e fé Chama o Papai Noel Sempre cabe mais um Amigo secreto, festa Saudade, alegria e choro Tradição é tradição Natal é família, viagem é ano novo Roupa nova no corpo Papel de presente Embrulho, barulho Rock, Pop, Simone Roberto Carlos na televisão Mais um panetone Avó que erra o nome Foto com o irmão Já amanheceu Passou, passou rápido demais Luzes apagadas, silêncio Nem todos estão aqui Também estou diferente Quantas noites eu dormi?

Fogo

  Está ardendo Quero água para refrescar Está queimando Por fora e por dentro Quero beijo e o seu tempo Está doendo Quero um pouco de alívio Está difícil Enfrentar tudo sozinho O fogo é um precipício Janela sem rede Carro sem freio Esquina escura O perigo é constante O perigo é atraente Irresistível Uma vontade muito louca O desejo está na cara Mas também é invisível O grito é de dor O grito é de prazer Depende da ocasião Depende de quem Amanhã ou depois Dois ou três Logo começa de novo Tudo outra vez