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Respeito

  O silêncio tem falado por mim O silêncio tem falado por nós Estamos juntos, estamos sós Cômodos frios, frigorífico Medo e castigo Dois cigarros, um filho Fechamos todas janelas Escondemos o amor Escondemos da plateia O vento parou de soprar Não existe mais papo Não existe mais ideia Restos de comida Panelas queimadas Pratos em cima da pia Um chega e o outro sai Já ligamos o tanto faz Será que ainda tem jeito Ou melhor dar um tempo? Será que ainda temos Um pingo de respeito?

Armas e Almas

  Armas que desarmei Perdão, desculpa, eu errei Almas que desarmei Com um olhar de nada sei Guerras são quentes Pessoas são frias Tudo tão estranho Acabou a magia Corpos em uma vitrine Para combinar com seu vestido Dedos de todos os tamanhos Traga seu anel Apresente seus planos Sou o Rei da dúvida Não tenho respostas Não conheço todas perguntas Mas acho melhor assim Bem melhor Seu rosto é o meu disfarce Tenho cara de verdade Sou aquele instante Antes de você enlouquecer O primeiro segundo depois de morrer

Sangue

  Vejo sangue na parede Vejo sangue em minhas mãos Marcas de uma vida Que por sinal anda tão chata Não existe mais graça Em quase nada, quase nada Acordo na tristeza O dia promete ser ruim Pelo menos tenho sua presença Seus olhos olhando para mim Resisto, mas sei o quanto é bom Por isso logo digo sim E quando o prazer termina Novamente tudo escuro Tenho tanto medo O soco no estômago Nem sempre é um murro Pessoas atravessando destinos Descobrindo novos caminhos Uns acompanhados, outros sozinhos Vejo sangue na parede Banho não mata sede

Filme

  Todo dia o mesmo filme Com um final diferente A mesma escova Descobrindo um novo dente Assim eu vou, vou Dois passos para trás Outros muitos para frente Conhecidos caminhos desconhecidos Pobres de nós, pobres meninos Uma nova velha canção Para cantar em um Karaokê Fazer sucesso entre amigos Ir até o amanhecer Enxergar tudo de novo Tudo novo na tela da tevê Hoje é inédito Amanhã já não vai ser Histórias repetidas Nas melhores línguas Agora outra vez E de novo aquele filme O final eu já sei Agora sim eu sei

Tempo

  Gosto de acordar E olhar o seu olhar Despertando O silêncio da manhã Traz respostas prontas Para dúvidas que não tenho Nem sempre tem sol Mas sempre tem tempo Todo o tempo E quando mais um dia termina Ainda temos clima Para enganar o sono Nunca estamos prontos Para tristezas e despedidas Viver de amor é uma rotina Vamos para mais um amanhecer Entre lençóis, cobertas Palavras, juras e mentiras Vamos enlouquecer Será que ainda vou acordar? Será que ainda vou olhar o seu olhar?

Janela

  Janela fechada Sonho interrompido O mundo lá fora Amanhã vamos sair Amanhã Portas trancadas Chaves escondidas Eu quero continuar vivo Quero continuar com vida Quem vai cuidar das plantas? Quem vai lavar o quintal? Deitar para não levantar Dormir para não acordar Tenho frio, tenho febre Nada aqui segue Não sei mais chorar O relógio está parado Não me reconheço no retrato Você diz que é frescura Minha dor que não tem cura Cansei de morrer Dentro da minha loucura A janela ainda está fechada

Cinco Minutos

  Tentei um beijo Você pediu uma prova de amor Cinco minutos para vir aqui Cinco minutos para convencer Cinco minutos para fazer desistir Ou pular comigo para o infinito Vai ser tão bonito Vem agora, vem comigo Ou fique aí embaixo Nem precisa subir Espere de braços abertos Segure firme quando eu cair No paraíso ou no inferno Tudo que preciso Tudo que eu mais quero O mundo sentindo nossa falta A gente no espaço sideral Dois apaixonados, astronautas Uma prova de amor Beijo roubado Qualquer rima com flor Cinco minutos Nem mais um segundo Café sem açúcar Cafuné, beijo na nuca

Castigo

  Cofre sagrado Boca, lábios Segredo guardado O X da questão Seus mistérios Tudo tão sério Maldição Corpo violado Retrato mal falado Noites em claro Regra desrespeita Noites frias Flor despedaçada O sol apagou Lua não acendeu Brilho sumiu Cofre abriu O grito não foi ouvido Lágrimas de sangue Pior castigo Sobreviver é um alívio

Brilho

  No brilho dos seus olhos Enxergo todos seus sonhos Ou quase todos Sinto o seu poder Vou enlouquecer Uma taça de cristal Veneno para refrescar Suas palavras claras Sempre tão claras Tudo em seu devido lugar Eu sei o meu lugar Lençol que desliza Seu corpo, minha brisa Suave arrepio Desejo por um fio Estou aqui Eu ainda estou aqui Até você decidir Meu próximo passo O que eu faço Sob os seus pés Som dos violinos Anjos tortos aflitos Querendo observar Sentir seu perfume Não ligo em dividir O mesmo espaço O mesmo ar No brilho dos seus olhos

Signo

  Somos do mesmo signo Nascemos em um dia de outono Está chegando seu aniversário O meu também Você tem um pouco mais de trinta Eu com quase metade de cem Temos gostos distintos E isso é bonito O contrário de um grito É o silêncio que fico Quando dou de cara De cara com o seu olhar Até temos coisas em comum Curtimos cantores mortos Restaurantes por quilo Não gostamos de barulho Odiamos fotos Quero conhecer seus filhos Parece que foi ontem Nosso último encontro Era uma tarde quente Teve cerveja, teve sorvete Teve papo sobre a gente Falamos de passado Falamos de futuro Éramos inocentes

Casal

  Vamos nos casar Olhar nos olhos Declarar o amor Vamos sorrir E até chorar Para sempre Todo o sempre Ou enquanto durar Vamos para o sim Mais um Igual o primeiro Três mil beijos Três mil beijos depois Chegamos até aqui É sim, claro que sim Vamos morar nos sonhos Acordar já no boa tarde Estamos juntos, prontos Temos alguns planos O futuro esperando Muito de nós, muito Nossa música não é a mesma Que cantamos na semana passada Nosso filme predileto não tem final feliz A vida é assim, é É claro que sim

Silêncio

  O silêncio produz ideias Loucas, boas, absurdas Planos mirabolantes Vontades dilacerantes O silêncio aumenta o desejo Tudo muito bem pensado O gosto e sabor do contato Pronto, sempre pronto No ponto certo Tudo que gosto e quero O momento exato Um abraço de olho aberto Cheiro e sabor Para todo o sempre Era vício, era amor Eu não era doente Nunca fui, nunca serei E hoje eu sei Que o tempo não volta Mas tudo que é bom Nunca foge da memória De novo, mais um pouco Não tem jeito, eu aceito Lutar contra sempre foi um erro O silêncio produz ideias Que tal mais estas?