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Mente

  Minha mente é um vaso Cheio de flores Coloridas, cheias de vida Regadas de amor E quando tudo alaga Tudo vira água Espalha meu prazer Excesso de líquido Faz mal, faz morrer Minha mente é uma montanha-russa Altos e baixos Coragem e medo Gritos, sonhos, pesadelos É paz, é dor Sou qualquer coisa Coisa nenhuma Uma busca constante Minha mente é um diamante Brilhante e raro Sou um grão perdido no espaço

Turma do Caldeirão

  Churrascos, casamentos e afins Cervejas, caipirinhas Tequilas, dancinhas Turma boa é assim Começa cedo Desliza pela tarde E não tem fim Doces e seus sabores Delícias de várias cores Bons amores Tudo cabe, cabe tudo Na turma do caldeirão No coração feito de festa Torre de Babel Quem ficou ou foi para o céu Ser feliz é nossa meta Sempre Tio, sobrinho, pai Mãe, cunhada, animais Amigos, amigos dos amigos Namorado, namorada Colega do cunhado O sogro da sogra Qualquer um pode chegar Encontre o seu canto Encontre seu lugar Na turma do caldeirão Todo mundo é irmão

Sou o Pai da Mãe

  Sou pai da minha mãe Sou o tempo contrário O outro lado da vida Um anjo solidário O protegido que protege Sou quem cuida, quem serve Quem faz você sorrir Sou uma palavra amiga Sou paz, o bom clima Remédio sem contraindicação Uma dança tão bonita Sempre um bom dia Sorriso contra solidão Sou esperança e fé Quem faz você ficar em pé E caminhar nas nuvens Sou sua alegria O amor que contagia Pegue em minha mão Não precisa ter pressa Vamos fazer uma festa Viver para proteger

Pedaços

  Cada pedaço do meu corpo Um pouco de mim Um poço de sentimentos Marcas do tempo Histórias sem fim Sou resultado de todos os anos De todos os planos Dos erros e acertos Meus medos humanos Escrevo cartas para o passado Dou dicas, mando recados Mas jovem é teimoso Não escuta ninguém Quebra a cara Não dá o braço a torcer Foi assim que aprendeu viver Quantas chuvas ainda vou tomar? Quantas noites ainda vou chorar? O futuro é mais que duvidoso É um segredo bem guardado Um dinheiro esquecido no bolso

Meio

  Todo amor Tem começo, meio e fim Pior dor Quando o fim chega no meio Quando ainda não é tempo De terminar, acabar assim Mas todo amor acaba Algumas vezes sem explicação Por nada, do nada Quem sofre é o coração Na solidão das madrugadas Um jogo de xadrez Uma corrida depois do três Na hora do já Já é tarde demais Não existe talvez Morrer aos poucos É sofrer mais Não existe outra opção Depois da guerra O silêncio é confundido com paz Todo amor Tem começo, meio e fim Só conhecemos o começo

Fria

  Minha poesia fria Adora falar de amor Do mais quente, louco O desvairado amor Minha cara vazia Esconde o clima Todo o clima Que pinta entre nós O desejo é rima Arma de um artista Que não precisa ter voz O amor tão falado Odiado Por alguns coitados Que não conhecem o sabor Do irreverente amor O mais comentado O exaltado amor Pobre de quem está condenado Que vive jogado Sofrendo cheio de dor Minha poesia fria Conta mentiras Revela verdades É disfarce Mensagem subliminar Só descobre o segredo Quem ainda sabe amar

Margarina

  Gosto de manteiga Mas propaganda de margarina É muito melhor Eu como o coração Mas da galinha Eu tenho muita dó Nem tudo é Como a gente quer Nem tudo faz bem Um sorriso falso Não engana muita gente Mas sempre engana alguém A bailarina que tanto gira Pula Não tem tontura Mas tem dor no pé Sofre com chulé Nem tudo é Como a gente quer O chão nem sempre é firme Nem sempre resisti Ao peso de todas as coisas Ter costas largas Dinheiro que não acaba Não quer dizer nada Quando o fim chegar É preciso ter fé Pois nem tudo é É como a gente quer

Mar de Solidão

  Não sei viver longe do mar De Caymmi, de Iemanjá De sua brisa doce Suas mil cores Seu calor gostoso de abraçar O mar Que cura feridas Ondas suaves e finas O banho que não canso de tomar Que lava alma Cura todos os traumas Esconde lágrimas na hora de chorar E quando quero apenas Apenas um pouco de paz Quando não tem mais jeito É o mar que distrai o meu olhar Minha mente fervendo Por um instante, por um tempo Adormece e para de borbulhar Para lembrar, para esquecer No traço do pintor O poeta deprimido Apaixonado, cheio de dor Cavalos-marinhos Coroa de espinhos O mar e sua imensidão Minha casa, o infinito Por todos os lados... Solidão

Tradição

  Tradicional família brasileira Fala boa noite antes de dormir Sonha tomar banho de banheira Tradicional, família, brasileira Corre na escada rolante Pendura roupa na esteira Liga televisão para reclamar Briga com a novela Olha safadeza no celular A moderna família brasileira Ainda come pastel na feira Mamãe marcou consulta Papai prefere cerveja Tem medo de vacina Mas toma remédio Por qualquer besteira Essa é a tradicional família A família, a família brasileira Festa na casa do primo É hora do pavê Crianças correndo Tias enlouquecendo Vai ter amigo secreto Barraco no prédio Já é sexta-feira Na casa da tradicional família brasileira Tradição é tradição Ouvir Titãs e depois Legião

Tinto, Branco

  Mais um dia chegando ao fim Som de piano, nossos planos Um tinto, um branco Distraímos um segundo E o sol já apagou sua luz Nosso brilho tomou conta Essa noite vai ser longa O desejo que nos conduz Será que vamos conseguir Observar o sol nascer? Será que vamos lembrar De parar de enlouquecer? Tudo já está tão azul Cegos olhando pela fechadura Surdos escutando sem censura Ninguém explica o prazer Mas todo mundo entende O silêncio que invade Toma conta do ambiente Já conhecemos o caminho Sem volta

Vivo

  Ainda estou vivo Braços abertos Tentando um sorriso Com toda minha força Minha pouca força Vou indo Ainda estou aqui Sou contagem regressiva Homenagem em vida Último ato do artista Uma inspiração A poesia do poeta Palavras da salvação A dor é inevitável Faço tudo para suportar O céu está tão perto Vai desabar Sobre minha cabeça Tristeza no último olhar Não tenha pena de mim Não derrube lágrimas Cante apenas uma canção Observe o universo Descubra pequenos sinais Perceba minha presença Na natureza, nos animais Mas ainda estou vivo

Fofocas

  Fim de tarde Quase noite Xícara de café Um cigarro Outras drogas Fofocas Papo de fé Tempo passando Mundo acabando A gente falando De quase todo mundo Choramos de rir Da nossa língua venenosa Ninguém consegue fugir Loucura desenfreada Mais algumas boas risadas Falhamos miseravelmente Mas não precisamos de nada Exageramos Exaltamos os defeitos E algumas qualidades Mentiras com cara de verdade Agora é tarde Mas ainda temos tempo Para alguma nova maldade