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Tom

  O amor é um copo Um copo vazio Todo dia uma gota De qualquer coisa O amor é um rio Mergulho sem medo Algumas vezes arrependo Mas amo mergulhar O amor é um segredo Entre o mundo inteiro Fica evidente no olhar O amor é uma estrofe De uma canção que eu adoro É melodia Alegria em silêncio O que está aqui dentro Tenha tempo para o amor Que é tão simples Complicada é a dor Que nunca termina O amor é uma sina

Escola

  No pátio da escola Uma espatódea Eu não conhecia o nome Aprendi cantando Uma música do Nando No pátio da escola Mãe que vai embora Nem toda criança chora Amanhã tem excursão Hoje tem prova Em cima de uma árvore Ninguém é adulto Alunos correndo, surto Guerras e guerrinhas Bola de pedra Na merenda coxa de galinha Toda brincadeira é uma aventura Todo amor é uma loucura Tênis da moda Coca, cola, nota baixa Tocou o sinal Chegou a hora

Alguns

  Quem tem dois não tem nenhum Será? Duas vezes um Mais um Seis pés, três cabeças Tanto faz, alguns Convencer o coração Amor e paixão Caminhos diferentes Felicidade Antes que seja tarde Demais Cuidar, não machucar Com todos os dedos De leve Coisa de pele Amor Olhares apaixonados Indecisões O desejo é dobrado Triplicado Muitas mãos Braços por todos os lados Doces sensações

Última Vez

  Um dia foi a última vez E você nem percebeu Um dia você deu tchau Mas era um adeus E foi, foi... Seu último banho de chuva Sua última aventura Beijo com gosto de pecado Só mais uma loucura E o próximo segundo Pode não chegar Então, faça tudo Aproveite Tenha certeza Logo vai acabar Será que é hoje? Será que vai ser hoje? Será que vamos esquecer? Será que vai ficar alguma lembrança? Nossa última vez E você nem percebeu Era um adeus

Perto do Fim

  No armário roupas velhas Velhas manias No almoço de domingo Muita mesa, cadeiras vazias Perfume esquecido na penteadeira Paredes frias Meu maior medo O tempo que escapou Derreteu entre os dedos Espelho manchado Rosto apagado Não ficou nenhum retrato Em silêncio, em meu canto Desde o século passado Cadeado no portão Ninguém vai embora Coração que aperta e chora Saudade, saudade Pernas, saltos, calçados Sorrisos ocupando espaços

Apagão

  Avenidas Estradas curtas A mesma música Palavras repetidas Vasos, plantas Uma dança estranha O esmalte e o dedo Ainda é cedo Eu ainda lembro Memória que mora aqui Nem sempre De vez em quando Minha vida é um drama É um rock, é um samba Obrigado por avisar Por lembrar Não deixar eu esquecer Obrigado Por guiar meus passos Meu caminho de tijolinhos O corte da navalha Mão que treme Perna que falha O sol explode no horizonte De perto eu vejo longe Só não enxergo o fim

Valsa

  Você é a pessoa certa Na hora errada Muito errada Sei que mereço Sei o quanto sofri Mas agora realmente não é hora Não que eu não queira ser feliz Vento que traz coisas boas Boas surpresas Mas vou deixar para depois Vou deixar passar Melhor assim Por enquanto é melhor assim Fique sempre por perto Quem sabe eu mudo de ideia De vez em quando um abraço Um bem apertado Mas só isso, só isso Sei Meu sim pode chegar tarde demais É um risco Bem calculado Bem pensado Você é hora errada Dentro da pessoa certa

Valsa

  Vamos protestar Contra ninguém Vamos reclamar Do que eu não sei Vamos caminhar Sem nenhum destino Sem parada, sem abrigo Apenas vamos Vamos ouvir Os que não falam nada Vamos fugir Deixar pegadas Vamos aprender Sem professor na sala Simplesmente vamos Vamos ter medo Dos dias de 24 horas Vamos ter tempo Antes do agora Vamos ficar deitados lá fora Vamos sim Vamos dançar uma valsa Depois da despedida Vamos morrer em vida

Eu Entendo

  Tem coisa que só a gente entende O prazer inexplicável O prazer inocente Boas descobertas Bons segredos Suave medo O que só a gente sente Tento escrever Faço sinais Falo com os olhos É estranho Mas é gostoso demais Não vou esquecer Nunca Um pedaço de pano Embaixo do pano Explosão O que só eu sei O que você ainda vai entender Grave gravidez Só falta nascer Não vai nascer Tem coisa que só a gente entende Eu adoro entender

Yoga

  Sigo procurando O meu "eu" de todo dia Sigo respirando Todo amor e energia Idas e vindas Chegadas e partidas O fim que nunca termina Tento de tudo Mas não controlo nada Nem todo o esforço Deixa pegadas Sou livre, muito livre Solitário nessa estrada Do conhecimento Controlando minha mente Rompendo padrões Desarmando gatilhos Doces meditações E tudo está mudando Diante dos meus olhos O movimento é constante Variadas variáveis Desejos controláveis Sou um ser mutante O que aprendi Aprendi com Yoga

Cadeiras

Verde pegando fogo O céu engasgado Cansado, desabando Por pouco E enquanto isso No reino dos sem juízo Cadeiras estão voando O final é cinza Verdade é mentira Meia-noite é noite Mas já é bom dia Será? E amanhã O que vai ser Do amanhã? Vai ser Vai ser difícil Vai ser difícil sobreviver Saudade do azul Saudade de quando tudo era azul Enquanto isso O planeta quase parando E cadeiras voando 

Suas Coisas

  Uma fotografia perdida Entre tantas outras Entre várias esquecidas Foto sua sorrindo, feliz Nem parecia ser o fim Fiquei com suas coisas Algumas poucas coisas Queria tanto devolver Entregar em suas mãos Nem sei como vai ser Livros, histórias Memórias Um pouco de você Discos e CDs Seus óculos de sol Poesias e receitas Suas frases feitas Seu cheiro no lençol Os dias estão longos Longuíssimos Objetos pela sala Todos com sua cara Mas por aqui Sua voz ainda fala