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Quem?

  Sigo procurando meu eu Quem sou eu? Roupas claras, escuras Casas, bares e ruas Sigo procurando Responda agora, bem agora Quem sou eu? Olho no espelho Não, não reconheço Anjo ou Diabo Deus dentro do prato Na fumaça dos carros Diga, diga agora Quem sou eu? Vejo tudo e não entendo Não, não entendo nada O livro está sem capa Leio sempre a mesma página Sigo procurando Em todos lugares, todos os cantos Quando penso que encontrei Já é amanhã Começo tudo outra vez Sigo procurando meu eu

Sonhando Com o Fim

  Tentou, mas não conseguiu Mais uma vez não teve coragem Imagina como vai ser Mas não consegue Morrer não é assim tão simples Acaba sempre chorando Vai continuar tentando Um dia vão entender O sorriso foi o seu disfarce Cansou de enlouquecer Cada dia que passa É um dia que não acaba Dentro do seu coração Desejo incompleto Completa solidão Perto de boas pessoas Mas dentro da escuridão Conversa com o rádio Cria novas teorias Desenha anjos e demônios Razão versus emoção A droga não tem mais efeito Quando não é droga é medo Acordou antes de abrir os olhos Mais uma decepção Esperava algo diferente Tinha outros planos Essa tarde não, não

Tramas

  Gosto de novela Novela como antigamente Vilão com cara de vilão Mocinho parecendo gente Na trama da vida Não encontrei meu papel Algumas vezes sou Santo Em outras sou artista Estrela sem brilho Casal deitado Beijo no peito Declaração O corpo entregue Quente Trilha sonora Cena de paixão Ficção ou realidade Intimidade Arte parecendo verdade Galã, canalha, canastrão Na tela da televisão

Remédio

  Mais uma vez corri para o mar Novas dores, novas feridas Preciso de paz, toda paz Um pouco mais de vida Olhos fechados, braços abertos O seu beijo bom, beijo de brisa Sal cuidando do corpo Imensidão cuidando da alma Sol do meio-dia, ou uma tarde fria Madrugada e sua magia Respostas para minhas incertezas Nem todas verdades Algumas besteiras Doença física, da cabeça Ondas infinitas, estrelas Encontro de sereias Naturalmente livre Toda fé O silêncio é uma oração Será que Deus existe? Há quem duvide Universo na palma da mão Preta e branca agora colorida Uma porta com mil saídas Um pouco mais de vida É para o mar que sempre vou

Acabou

  Morreu engasgado comendo queijo Morreu sem tempo para o futuro Morreu de quatro na coleira Morreu de tanto ficar mudo Apenas morreu, morreu Morreu de tanto sonhar Morreu sem realizar Morreu de tanto viver Morreu de enlouquecer Apenas morreu, morreu Morreu afogado no banho Morreu pensando ser Santo Morreu triste apanhando Morreu fingindo ser mulher Morreu voando Apenas morreu, morreu Morreu nos trilhos do metrô Morreu antes do alô Morreu sem dar adeus Morreu dentro de uma garrafa Morreu e não ganhou placa Apenas morreu, simplesmente morreu Para viver basta morrer

Dor

  Toda dor já passou Ficou para trás Nenhuma dor é maior Que o amor, que a paz O tempo curou Toda e qualquer raiva Tirou do peito toda mágoa Tristeza chega e passa Só saudade que não acaba No fim o perdão Todo mundo perdoa De uma forma ou de outra Um sorriso Antes tarde do que nunca Última impressão que fica Olhar de alegria Tatuagem da alma Um último desejo O beijo que simplesmente acalma Mãos nem sempre unidas Separadas, limite da vida Vamos descansar, vamos morar Vamos para qualquer lugar Dentro do pensamento Vamos nos reencontrar Vamos sim

Oz

  Você ainda mora em Oz? Naquele lugar mágico Onde o vento bate forte Você ainda mora em Oz? Do caminho dourado Da menina Dorothy Você mudou Não fiquei sabendo Agora fuma um cigarro Anda por ruas de terra Mata um leão por dia Vive declarando guerra Eu sei o que você gosta Homem de lata de cerveja Coragem sobre a mesa Ainda sou um espantalho Sem cérebro, sem medo Saudade daquele tempo Seu amor, seu beijo Seu cabelo vermelho Bruxa de Oz Matou Dorothy com veneno Fugiu para um bar Tomou cicuta com tempero Viajou dentro de um ciclone Não casou, não passou o papel Não ganhou sobrenome

Volta

  Gosto quando você volta Retorna e surge do nada Adoro sua presença Poder exalando, chegando Gritando em silêncio Poucas palavras Comandando com o olhar Colocando tudo, tudo Em seu devido lugar Eu gosto quando você volta Pé na porta, sem medo Impondo respeito Mostrando quem manda Quem nunca deixou de mandar Na sua escola sou aluno Sempre junto, muito junto Todos os assuntos Nada para depois, você e eu Simplesmente nós dois Sou o seu maior desejo Aquele mais secreto O que você nunca esquece Por isso sempre aparece Sempre Estou aqui de braços abertos Ou para atrás Olhando o chão, olhando o teto Sou uma criança Pegue em minha mão Mostre o caminho Indique qual direção Juro olhar para os dois lados Antes de atravessar seu coração

Obscuro

  Tenho sede Quando escovo os dentes Tenho raiva Quando pedem calma Tenho dor Quando quebro o ritmo Tenho medo Quando olho o relógio Não sou previsível Só um pouco sensível O lado B de um velho disco Eu tenho uma arma Revólver que não dispara Flor de plástico Sem cheiro, sem água Televisão fora do ar Não faz sentido Pai mesmo sem um filho O lado obscuro da vida Já passei por ele Quase voltei Ao contrário do poeta Morri ano passado Mas esse ano ainda não sei Continuo fazendo planos Continuo chorando

Caras

  O retrato da minha cara É o retrato de várias caras Minhas, todas que eu tive Todas que já tive até aqui Minhas feições, emoções Tudo que esse corpo encontrou Tudo que esse corpo sentiu O que eu fui até aqui O meu pensamento É tudo que pensei Tudo aquilo que sempre pensei O que passa dentro dessa cabeça. Tudo que eu vi, que vivi Nem tudo eu lembro Nem tudo consigo lembrar Mas cheguei até aqui De alguma maneira eu cheguei Cheguei nesse lugar O meu sangue vermelho Já não é mais o mesmo Está todo alterado Minhas células, meus cabelos Loucura do tempo Cada minuto que passa Folhas de outono Pelo chão de uma praça Virando, transformando Adubo da terra Tudo que foi um dia volta Gente que não aprende Amanhã de novo erra O retrato da minha cara...

Taças e Vinhos

  Cigarros e carros Colecionando pecados Dinheiro guardado Em bolsos errados O gosto é amargo Veneno no prato Não tenho lado Mas estou ao lado De quem faz bem Brilho da noite Prédios e torres Corpo indefinido Do alto caindo Balas e gritos Estranhos amores Beijos quentes Bombons e flores Crime perfeito Coragem e medo Loucura sensual Roupas no chão Sangue nas mãos Manchete no jornal Taças e vinhos Rastros pelo caminho

Brilho

  Um lindo sorriso Nunca está sozinho Anjos abençoando Amor de pai, de filho Simplesmente o amor Escuridão virando luz Luz curando toda dor Vou beber sua paz Mergulhar em sua vontade De viver um pouco mais Eu quero estar, ficar Em suas veias, sua teia Meu lar Brilho que cega Que explode em meu peito Paralisa os movimentos E por um tempo Faz tudo girar, girar É sempre assim Quem não está morto Quer apenas amar Um lindo sorriso Nunca está sozinho